Grêmio campeão da Copa do Brasil! O time que soube ler cada momento do jogo

Assim como na semifinal contra o Cruzeiro, com boa vitória no jogo de ida, o Grêmio de Renato Gaúcho entrou em campo para a decisão contra o Galo conhecedor do tamanho de sua vantagem. Era nítido que a melhor estratégia era esperar, compactando os setores e marcando firme - grande marca do trabalho do atual comandante -, acelerando nos contra-ataques a partir do passe de Douglas ou Maicon e das progressões de Everton e Luan. 

Diogo Giacomini apostou na trinca Rafael Carioca, Jr. Urso e Leandro Donizete. O ideia era a clara e foi bem executada desde o princípio do jogo: proteção no meio e para os de frente, qualificando a saída com o melhor passador e com o trabalho dos pontas por dentro, espaço para que os laterais pudessem jogar no campo ofensivo. Teve volume e intensidade, mas faltou do organizador das jogadas.
Atlético/MG no campo de ataque, com laterais avançados e pontas por dentro. Grêmio compacto tirando espaço de jogo - Reprodução: TV Globo
O Grêmio respondeu com compactação, como também mostra o frame acima. Marcação curta e muito próxima, tirando o espaço entre as linhas, impossibilitando cruzamentos em busca de Lucas Pratto e forçando chutes de longa distância do Galo. Volume e bola para quem corria atrás do resultado, mas poucos espaços para definir as ações. 

Intenso na defesa e com um trabalho de marcação muito bem executado, o Grêmio só não conseguiu ser efetivo a frente. Luan rodou por toda intermediária, ofereceu opção de passes, auxilou na marcação, mas teve pouco a bola. Na melhor oportunidade, Douglas achou Everton, que livre parou em Victor. Com a bola nos pés, os gaúchos pareciam bem mais nervosos do que sem ela. 
Panorama tático do primeiro tempo - Tactical Pad 
Giacomini sacou Junior Urso e preferiu manter o pesado Leandro Donizete em campo. Muito vigoroso na marcação, mas sem qualquer efetividade com a posse de bola. Na saída, Rafael Carioca afundava entre os zagueiros e possibilitava o avanço dos laterais para jogar como alas, porém Luan sempre tinha que aparecer como opção para jogar, gerando desequilíbrio mais a frente. 
Rafael Carioca coordenando saída de 3 e Luan apoiando o jogo do Galo - Reprodução: TV Globo
Depois de Maicosuel e com o passar do tempo sem levar perigo a meta de Grohe, Cazares ganhou o lugar de Donizete. Os mineiros tentaram golpear, mas faltava espaço e consequentemente profundidade. Sem apoio na saída de Carioca, Luan deu lugar a Lucas Cândido e formatou o Atlético que buscaria um gol no 4-2-3-1. 

Em meio a tentativa de pressão do Galo, Renato reabasteceu o lado direito com Jaílson no lugar de Ramiro, depois reoxigenou a frente com Bolaños na vaga de Douglas. Ganhou opção de mobilidade e velocidade a frente. Senha do gol que soltou o grito preso na garganta dos gremistas. Cazares até diminuiu em um dos gols mais bonitos da história da Copa do Brasil, mas não pode evitar o fim mais lógico e justo.  
Panorama final do jogo em Porto Alegre - Tactical P
Depois de 15 anos o Grêmio volta a celebrar uma conquista nacional. Com autoridade, em sua nova Arena e mostrando ao país um time que soube ler cada momento de seus jogos. Ora mais reativo e veloz, ora mais fechado, com marcação compacta e agressiva. Essencialmente moderno e intenso no seu modelo e execução... Legado de Roger, administração de Renato e um tricolor forte para o futuro. 

O incrível Chelsea de Conte e seu poder de remontagem, sólido líder da disputada Premier League

Na Premier League de Pep Guardiola e José Mourinho, a grande história até aqui é a do Chelsea de Antônio Conte. Depois de uma dura derrota contra o Arsenal, que no momento colocava o time de Londres há oito pontos do então líder e invicto Manchester City, o italiano teve lucidez para entender os erros, implantar um sistema de acordo com seu elenco e características, além de trabalhar muito. 

O resultado foi uma sequência de sete vitórias em sete jogos, com 19 gols marcados e apenas um sofrido, este no clássico de Londres contra o Tottenham na última rodada. O embate contra o City em Manchester era o mais complicado. Talvez o grande teste para a sólida defesa, que tem com um de seus pilares o contestado David Luiz.
Manchester City pressionando a saída do Chelsea - Sky Sports 
Como esperado, o Manchester City foi para uma pressão alta e intensa desde o início. Linhas avançadas para roubar a bola perto do gol ou sufocar em qualquer parte do campo que não tivesse a posse. Nesse sentido, Guardiola espelhou a formação dos visitantes. Com Sané e Navas para alargar o campo, tentou puxar a marcação dos alas para trabalhar com Gundogan, Fernandinho, Silva e De Bruyne por dentro, nas entrelinhas.

Conte respondeu com intensidade para defender cada palmo de grama. Alternava a marcação a frente de sua área com pressão alta para dificultar a saída dos citizens. Dobrando no setor da bola, trabalhando com superioridade numérica e compactando com alta velocidade, buscando sempre encurtar o raio de ação do City, como mostra o frame abaixo:
City alarga o campo e Chelsea defende com muita compactação - Sky Sports. 
A dificuldade em romper as linhas era tão grande, que a única finalização certa do Manchester City no primeiro tempo foi através de um passe de Kolarov, zagueiro, vindo de trás. Todos os "armadores" dos citizens estiveram bem marcados durante jogo. Não à toa, o tento dos donos da casa foi num erro de Cahill, após um dos vários cruzamentos da direita. 

No novo estilo de jogo, o Chelsea de Conte tem uma arma fatal com a bola: o contra-ataque. Seja na retomada em velocidade ou até mesmo atraindo para projetar seus pontas, a ideia é versátil. Hazard e Pedro partem da ponta e rodam por todo ataque, auxiliados por um Diego Costa móvel, mas matador. Como no gol de empate, após lindo lançamento de Fàbregas, o pé que pensa em meio a reatividade do time. 
City defendendo com linha de 5 e City trabalhando com mobilidade no terço final - Reprodução: Sky Sports. 
O jogo mudou a partir de então. Com Willian na vaga de Pedro, Conte foi atrás da mesma incisividade que tinha pela esquerda, na direita. Algo fatal no momento de pressão do City - em que De Bruyne perdeu um gol feito, debaixo das traves de Courtois -, quando Diego Costa projetou o brasileiro na retomada e viu a virada do Chelsea em um contra-ataque de muita velocidade. 

Sem resposta, Guardiola mexeu. Clichy na vaga do nulo Sané, Touré no lugar do pouco ativo Gundogan e Iheanacho para o abafa no lugar de Stones. A reposta do Chelsea foi manter-se compacto, fechando os espaços e permitindo muito pouco a posse dos donos da casa. 
City subindo as linhas para tentar pressionar. Chelsea sem perder a organização - Reprodução: Sky Sports
15 finalizações com apenas cinco acertos dos donos da casa. Pouco pelos 60% de posse de bola e volume de jogo. Faltou espaço, mas também criatividade. O Chelsea acertou quatro das 10 que tentou, três nas redes de Cláudio Bravo. A última delas, em outro contra-ataque letal de Hazard. 

Vitória sólida de um líder que se remontou durante a competição e conseguiu tirar uma diferença muito grande para chegar a ponta, algo improvável em um campeonato tão disputado. História incrível de um time e seus contestados que hoje brilham, como Hazard e David Luiz. Trabalho que merece todas os elogios e adjetivos possíveis. Gigante jornada de Antônio Conte.

Dados estatísticos: Four Four Two e Premier League. 

De Roger a Renato, o Grêmio com a mão na taça da Copa do Brasil

Roger Machado fez um grande trabalho em pouco mais de um ano a frente do Grêmio. Inseriu conceitos modernos ao estilo de jogo do time e fez do tricolor gaúcho uma das equipes mais modernas e atuais em plano e desempenho no Brasil - não à toa, é especulado em diversos clubes para o próximo ano. 

Mas, mesmo sendo altamente competente e após colocar o time no caminho das vitórias e do bom futebol, pediu para sair em um momento de oscilação, derrotas e atuações ruins. Talvez tenha entendido que não poderia tirar mais do time. Porém, acima de qualquer coisa, deixou uma base de trabalho. 

Chegou o ídolo Renato Portaluppi. "Distante dos conceitos modernos", do estudo tático com intercâmbios e busca por conhecimento, foi inteligente ao manter a base de jogo de seu antecessor. Além da leitura do que estava certo, mexeu. Na zaga que precisava de uma atenção e um melhor trabalho, mesmo que deixando a marcação zonal para trabalhar com os encaixes individuais tidos como mais arcaicos, viu o time se solidificar. 
4-2-3-1 do Grêmio em Belo Horizonte - Reprodução: SporTV.
Não só pelo "miolo" defensivo, com o ótimo Geromel e o bom Kannemann, mas também pelo trabalho do time coletivamente. Na Copa do Brasil, apenas três gols sofridos em cinco jogos contra Palmeiras, Cruzeiro e Atlético/MG. 

No desenho do time, a entrada de Ramiro a direita do 4-2-3-1 foi em busca de um auxílio na marcação pela direita e aos volantes, liberando Pedro Rocha do lado oposto, para incisivas diagonais. Foi assim no primeiro gol em BH, construído a base de troca de passes e infiltração. O que também só foi possível graças ao domínio gaúcho no meio de campo, encurtando o espaço, fechando as linhas de passe e bloqueando a frágil saída de bola do Atlético/MG. Um primeiro tempo de encher os olhos. Domínio total. 
Saída do Atlético bloqueada por dentro. Falta jogo apoiado ao time de Marcelo Oliveira - Reprodução: SporTV
Porque o Galo é um time sem meio campo. Sem Rafael Carioca barrado, Marcelo Oliveira perdeu a saída de três que dá mais opções de passe e possibilidades de construção. Sem um trabalho mais coletivo, escancarou a defesa, que não conta com a recomposição dos homens de frente e deixa por muitas vezes zagueiros e volantes no mano a mano. 
Galo marcando com seis, Grêmio com volume e opções na frente - Reprodução: SporTV. 
Muito espaço, senha para Pedro Rocha ampliar num contra-ataque gigante e cheio de campo. Incredulidade no Mineirão que estava vendo mais do mesmo do time treinado por Marcelo. Responsável por aproximar o Grêmio de um título após 15 anos, o garoto foi garoto. Inexperiente, fez falta boba na lateral e acabou expulso, após duplo amarelo, trazendo o Galo de volta para o jogo.

Hyuri e Clayton ganharam as vagas de Maicosuel e Cazares. Aberto no primeiro tempo, Robinho veio para o centro da linha de três, mas pouco pôde influenciar no jogo. Com Marcos Rocha na vaga de Urso, Marcelo foi em busca de infiltração, velocidade e os laterais batidos na grande área. Foi para o abafa, para o desespero, precisava de gols... Mas manteve Leandro Donizete. O volante que destrói e não constrói. Quase que um paradoxo com Maicon e Walace dominando o meio campo a partir do passe e do movimento do outro lado.

O galo doido conseguiu diminuir com Gabriel e ensaiar uma reação baseada na pressão sem ordem. Senha para o gol de Everton, que entrou no lugar de Douglas para fechar o lado com um a menos. Contra-ataque rápido e finalização mano a mano com o último defensor e o goleiro Victor. O único centro certo do Grêmio em oito tentativas, contra 22 erros de bolas alçadas dos donos da casa. Oito finalizações certas do tricolor em 12, contra apenas dois acertos do Atlético em 15. 

Triunfo do Grêmio que põem uma meia e quatro dedos na taça da Copa do Brasil. Pelo que não jogou nem joga este Galo, mesmo que sem Marcelo Oliveira daqui pra frente. Também pelo que joga este tricolor. Base de Roger, trabalho de Renato Gaúcho. Modernidade e coperismo. Mérito de ambos. 
Panorama do jogo no fim - Reprodução: Tactical Pad.


Dados estatísticos: Footstats.net


Ao "Galo doido" de Marcelo Oliveira, além de organização, falta a disputa que o Palmeiras entrega

Marcelo Oliveira esperava fazer do confronto com o Palmeiras, há três rodadas do fim do Brasileirão, um jogo direito pelo título nacional. Fosse para recortar as distâncias ou eventualmente até roubar a liderança. Mas, sem essa possibilidade, restava a briga pelo terceiro lugar e uma importante vaga direta a próxima Libertadores. 

Não à toa, o início foi de alta intensidade e pressão em busca do gol. Nos já conhecidos encaixes individuais do Palmeiras, quebrados com um drible ou deslocamento, o Atlético teve espaço para oferecer perigo a meta do goleiro Jaílson. Apesar da saída de bola ruim, muita movimentação com Luan e Maicosuel partindo das pontas e Robinho articulando atrás de Fred com a chegada de Junior Urso à frente. 
Flagrante do Palmeiras encaixando a marcação com alta intensidade - Reprodução: Premiere 
Particularmente, o modelo de jogo alviverde de encaixes não agrada esse que escreve. Mas, têm sido executado com alta intensidade e entrega, o que vale o destaque e vai garantindo vitórias mesmo sem jogar bem, mas sem sofrer também. Cada palmo de grama vale muito e cada espaço e jogador de posse é pressionado de forma muito intensa para recuperar a bola. 

Jogo reativo, bem executado para não permitir o gol do Galo, apesar de sofrer, e marcar no contra-ataque, na primeira chegada. Progressão de Dudu com ótimo passe para Gabriel Jesus desencantar e lembrar os gols importantes que marcou durante toda campanha do Palmeiras. 

Depois de abrir o placar, linhas mais próximas e baixas (como no flagrante acima) mantendo a alta intensidade na entrega e na disputa do jogo. O Atlético perdeu um pouco do volume e como consequência as chances diminuíram. Senha para Marcelo Oliveira colocar Lucas Pratto na vaga de Maicosuel, abrindo Robinho e centralizando o argentino ao lado de Fred no ataque. No primeiro toque na bola, o empate. 

Cuca respondeu com Thiago Martins na vaga de Thiago Santos, armando uma linha de três na defesa, com Moisés e Tchê Tchê por dentro, Jean e Egídio como laterais/alas e o trio de frente mantido, com Dudu e Roger Guedes abertos e Gabriel Jesus no centro. Tentando preencher melhor os espaços, conter a pressão do Galo e armar a saída em contra-ataque. 
Palmeiras armando um 5-4-1 para segurar a pressão do Galo. - Reprodução: Premiere
O jogo ficou aberto, com uma trocação franca. O Palmeiras entregando tudo para dificultar as ações do Atlético, que tentava no abafa virar o jogo. Cuca colocou Erik e Alecsandro nos lugares dos amarelados Gabriel Jesus e Dudu. Velocidade na reação a partir da retomada, que ofereceu ao líder chances para vencer o jogo. 

Marcelo sacou Robinho e colocou Clayton, além de Cazares no lugar de Luan. O volume seguiu alto, mas as chances não foram tão claras assim. 61% de posse de bola para o Galo doido, que finalizou as mesmas 13 vezes do Palmeiras, mas venceu nos acertos: 5 a 4. "Venceu" também nos cruzamentos, com 27 tentativas e 22 erros. Mas não conseguiu vencer o jogo. 

Porque além de organização e ideias para um time extremamente talentoso render mais, falta ao Atlético de Marcelo Oliveira disputa e entrega, que possam, ainda que não seja o ideal, em alguns momentos suprir a falta de equilíbrio como time. Como acontece com o Palmeiras, mais que virtual campeão brasileiro. 
Panorama final em BH - Reprodução: Tactical Pad.
Dados estatísticos: Footstats.net

Neymar, Coutinho e Tite, na fantástica noite do Mineirão

A maiúscula vitória da seleção brasileira sobre a Argentina tem total mérito do time que Tite montou. Time, na explicação mais profunda e coletiva que essa palavra possa ter. Mesmo que para muitos, a ótima geração mal tradada por Dunga, fosse ruim. Porém, além do show coletivo, também teve um destaque especial para a fantástica dupla Neymar e Coutinho, pra lá de importantes com posições e funções definidas e um trabalho que potencializa o que de melhor cada um pode dar. Além, é claro, do comandante que resgatou história, futebol, orgulho e o mais dos brilhantes horizontes. 

Para enfrentar um Brasil embalado, Bauza repetiu a estratégia de alguns enfrentamentos que teve com Tite, por San Lorenzo e São Paulo - período em que conseguiu dois empates em Itaquera. Subindo linhas no início, tudo em bloco para dificultar a transição brasileira, mas sem tanto ímpeto de pressão no homem que portava a bola. Faltou intensidade no cerco e então Renato e Fernandinho tinham as opções pelos lados e também um importante recuo de Neymar até a intermediária para aliviar essa saída e com isso o espaço para jogar entre as linhas de quatro que Patón montou com Messi solto atrás de Higuain. 
Saída do Brasil com auxilio de Neymar. Jogo apoiado em opções para o homem da bola. - Reprodução: SporTV.
Solução quando o jogo parecia complicado e a Argentina era perigosa em arremates de média distância, com mais bola e volume. Coutinho fez como Jadson no Corinthians de Tite, flutuando de um lado para o outro por trás dos volantes. Neymar atraiu e serviu o camisa 11. Movimento natural, importado de Liverpool, para abrir o placar num lindo chute após a diagonal que abriu a defesa. 

A transição Argentina era dura, porque Renato e Paulinho bloqueavam Biglia, Enzo Peréz e Di María, então Messi buscava quase que na linha dos zagueiros, começando uma construção muito longe da meta e com um time bem postado e negando oportunidades de passe pela frente. Marcação compacta e com pressão no portador da bola. Não sobravam opções para jogar. 
4-1-4-1 da seleção brasileira bem compacto com pressão no homem da bola e linha de passe fechadas - Reprodução: SporTV
Enquanto isso, o jogo apoiado do Brasil fazia a troca de passes parecer fácil, com triangulações a partir de superioridade numérica e muita movimentação. Como fez Gabriel Jesus, fora da grande área para servir Neymar como um camisa 10. Gol de número 50 do craque brasileiro que levou o Mineirão ao êxtase e comprovou a efetividade de um Brasil que finalizou quatro vezes, acertou três e viu duas entrarem. Com os 53% de posse, os hermanos trocaram quase 100 passes a mais (258 a 162) e finalizaram seis vezes com dois acertos. 
Argentina marcando em duas linhas, com algum espaço entre as linhas. Coutinho já ensaiava a flutuação - Reprodução: SporTV.
Posse alta, baixa infiltração e profundidade, com um resultado e cenário amplamente negativos. Senha para Bauza colocar Aguero no lugar de Enzo Pérez, atrás de um ponta mais incisivo e até menos marcador. Busca por gols. Bilhete premiado para o Brasil intenso, apoiado e inflamado. Então com espaço. Marcelo e Daniel Alves se tornaram ainda mais ativos no ataque, assim como Renato para o passe e condução e Paulinho na infiltração. Não demorou muito para marcar o terceiro, com o volante "resgatado" por Tite, cara a cara com Romero depois da construção de Marcelo e Renato com erro de Más. Exibição do camisa 15.

Perdida, a Argentina se entregou a desorganização no Mineirão. Tentava avançar e pressionar sem coordenação, resultando num time espaçado e cheio lacunas no setor defensivo, que poderiam ter terminado em uma goleada ainda maior. Além da rispidez nas chegadas, um pouco característica neste tipo de situação. Foram 45 faltas ao fim do jogo. 

Ainda teve tempo para a natural entrada de Roberto Firmino no lugar de Gabriel Jesus, mantendo a tônica de referência móvel, além dos retornos de Douglas Costa e Thiago Silva. Controle total e volta na posse de bola, finalizando o jogo com 51%. Além de 13 finalizações com seis acertos contra nove conclusões com três bolas na meta de Alisson, que quase não trabalhou no segundo tempo.  

Seguem os 100% de aproveitamento de Tite, com 15 gols marcados e apenas um sofrido em cinco partidas. Cada triunfo com uma marca diferente, mas todos eles com alto desempenho coletivo. Como na noite fantástica do Mineirão, onde brilhou o time, brilhou Neymar, brilhou Coutinho e brilhou o comandante que mudou o panorama e o patamar desta seleção. 
Panorama final no Mineirão - Reprodução: Tactical Pad
Dados estatísticos: Footstats.net

As ações e reações no jogaço de Manchester

O gol de Messi aos 21 minutos de jogo no Etihad, em um veloz e vertical contra-ataque puxado por Neymar, parecia trazer à tona outra vez o grande fantasma de Pep Guardiola em mais um confronto com o Barcelona. Fruto do espaço após a pressão citizen. Porque como há algumas semanas no Camp Nou, a ordem do catalão foi avançar as linhas desde o começo.

Desta vez com Kun Aguero na referência e Kevin de Bruyne aberto, sufocar o Barça até um possível "roubo alto" era a missão. Como no gol inaugural do argentino que já soma sete em três jogos na Champions. Um exuberante contra-ataque, que lembrou o Barça campeão europeu, passando por cima do Bayern do próprio Pep na semifinal. 
Pressão do City no campo de ataque do Barcelona - Reprodução: GE.com
Mesmo assim, a bola foi do Barcelona. Picos de 72% de posse e um bom controle no primeiro tempo, mesmo sem Iniesta e com Busquets longe de sua melhor noite. Paciência para rodar a pelota mesmo com a pressão azul, afim de buscar espaços na troca de passes ou na vertical retomada. 

O City mordeu até conseguir e da falha de Sergi Roberto e Busquets, encontrar o empate com Gundogan na solidariedade de Aguero e Sterling, que como atacantes poderiam ter finalizado na primeira chance. Espaço maior a construção e o conceito de coletivo. Mesmo com uma posse bem inferior, os azuis conseguiram os mesmos cinco chutes do Barça, com também dois acertos a meta de Ter Stegen - a exemplo do ataque blaugrana ao gol de Willy Cabalero. 
Barcelona postado no 4-3-3 - Reprodução: GE.com 
Um reajuste no City foi fatal para um melhor retorno do intervalo. Silva saiu do meio e abriu, se alinhando a Sterling e deixando De Bruyne no centro de um então 4-2-3-1. Mais pressão incessante, que tirou o controle e a rodagem de bola do Barça e de quebra anulou o trio MSN e seus possíveis contra-ataques. Senha para o gol de falta de De Bruyne, que começou com a roubada de bola no setor de Busquets e terminou na bela falta. 

O centro nervoso do jogo Barça (Busquets) não funcionou e então André Gomes e Rakitic sumiram da partida. Os homens de frente abandonaram marcação e construção. Distante, o time catalão foi a lona na pressão do City. Intenso e cada vez mais vertical, tornou rotina roubar a bola no campo ofensivo e chegar de frente para o gol de Ter Stegen. Perdendo as muitas chances de devolver a goleada da última semana. 
City no 4-2-3-1 na etapa final. Pressão alta. Reprodução: BT Sport
Luis Enrique tentou recuperar posse e passe vertical com Arda Turan, mas rapidamente o turco entrou no redemoinho que o jogo havia se tornado para o Barça. Guardiola manteve a velocidade com Navas, que pela direita foi letal na jogada que terminou no terceiro gol, de Gundogan. O meia que pensa, passa, constrói, organiza e finaliza. O que há de mais moderno na posição. 
Panorama do segundo tempo em Manchester - Tactical Pad 
Oito a três em finalizações no segundo tempo ajudam a ilustra o que o foi domínio e a produção ofensiva do City, mesmo com 40% de posse. Alta verticalidade, pressão e intensidade. 

Longe das "maravilhas" de desorganização que vemos por aqui, com comentaristas impressionados com times que despejam bolas na área de forma seguida e desenfreada. Jogaço em conceitos, com ações e reações pensadas e detalhadas. Futebol de alto nível. Do presente. Do futuro.

Dados estatísticos: UEFA.com 

A desorganização do Atlético e a oscilação do Flamengo estacionam ambos

É fato, o Atlético/MG tem um dos melhores elencos do Brasil - para muitos inclusive o melhor. Qual time na primeira divisão não gostaria de contar com Cazares, Robinho, Pratto ou Fred, além dos jovens Clayton e Hyuri? Mas, na contra mão do forte elenco vem o trabalho quase zero de Marcelo Oliveira, que demonstra a cada rodada que o time só está onde está graças a qualidade de seus atletas. Coletivamente, este time inexiste. 

E o embate com o Flamengo foi mais uma mostra do fato que "assombra" os mineiros. O abafa inicial, trazido por Cuca e seu "galo doido" na Libertadores 2013, esteve presente. A equipe de vocação ofensiva subiu as linhas, tentou pressionar, sufocar e abrir o placar no começo, para garantir a sintonia com o lotado Mineirão. Quase que um ritual. 

Mas o time de Zé Ricardo respondeu com maturidade coletiva. A opção por Fernandinho e Gabriel abertos, ajudou na recomposição, mas também na saída em velocidade para o contra-ataque. Sem Rafael Carioca, o Galo encontrou alta dificuldade em sair por dentro, o que tornou importante a presença de Fábio Santos, desafogando, mas perdendo sem a proximidade dos meias para tabelar e conseguir infiltrar. 
Flamengo no 4-2-3-1 fechando a saída por dentro - Reprodução: Premiere
Com Cazares e Otero, Robinho foi trabalhar na ponta, como não têm acontecido habitualmente. Terminou a primeira etapa nulo na armação das jogadas e reconstrução após a retomada. Assim como o equatoriano e o venezuelano, distantes, sem possibilidade de transição e tabela para abrir o sistema do Flamengo, que pôde destacar o bom trabalho de Márcio Araújo na proteção a sua zaga. 

Os rubro negros ganharam campo a partir de triangulação e jogo coletivo. Os ponteiros do Atlético até ajudavam sem a bola, preenchendo algum espaço, mas vez ou outra deixavam o sistema de marcações individuais entregue a própria sorte. Com têm sido nos últimos jogos, os cariocas de forte jogo por baixo com passes, passou a frente na casquinha de Guerrero e arremate de Diego. Como nos últimos cinco jogos da equipe na competição. 
Galo se fechando com ajuda dos pontas e Fábio Santos se descolando da linha para perseguir individual, como consequência abrindo espaços - Reprodução: Premiere
Domínio e controle, com picos de 60% de posse e 12 a 4 em finalizações pró Flamengo, fizeram Marcelo Oliveira mudar na volta do intervalo. Luan veio para reativar pelo lado e Robinho centralizou com a saída de Cazares, a missão era de encostar em Fred. 

O Atlético ganhou velocidade para emular um novo abafa, mas tinha pouca profundidade em suas jogadas. Contudo, naturalmente, os espaços surgirão... Porém, de forma surpreendente, a estrategia do Flamengo caminhou em um direção um pouco oposta a que o jogo oferecia. Emerson ganhou o lugar de Gabriel e o time perdeu velocidade nas duas fases do jogo. 

Retraídos, os cariocas assistiram a um bombardeio. Foram 23 cruzamentos errados em 24, 17 lançamentos errados em 26 e mais desorganização em busca do empate. Pratto ganhou o lugar de Donizete, Luan veio trabalhar na linha do meio e o argentino abriu a esquerda do 4-2-3-1. 

Em busca de retenção e alguma resposta, Zé apostou em Alan Patrick por Fernandinho. Perdendo toda velocidade para apostar em cadência e passe que não vieram. Sem reação, viu Robinho empatar de pênalti e Pratto virar na bizarra falha do sistema defensivo. 

Já com Leandro Damião em campo para tentar responder o abafa, os cariocas empataram num espasmo de Diego e Guerrero. Tão surreal quanto a virada do Galo aquela altura do jogo. 

Tudo igual no duelo que marcou a desorganização do Atlético/MG, um time estelar a nível de Brasil, mas que não consegue ter qualquer consistência tática, frente a oscilação do Flamengo, que há dez rodadas parecia forte para a caçada ao líder Palmeiras, mas hoje é um time tempos distintos e muitas mudanças dentro de um mesmo jogo. Ambos seguem estacionados. 
Desespero total, o panorama final no Mineirão - Reprodução: Tactical Pad.
Dados estatísticos: footstats.net. 

Corinthians lembra Tite e um pobre Flamengo fica longe do título

Ser o melhor campeão da história dos pontos corridos no formato de vinte clubes custou caro ao Corinthians. O desmanche levou seu técnico e a base do time hexa nacional, que para o clássico com o Flamengo só tinha Walter, Uendel, Fagner e Romero como remanescentes da conquista que ainda nem completou um ano. Aconteceu também com o Cruzeiro, que não se encontrou sem Lucas Silva, Ricardo Goulart e Everton Ribeiro, pilares do bi campeonato entre 2013 e 2014. Poderá acontecer com o Palmeiras, virtual campeão nacional há seis rodadas do fim, com seis pontos de vantagem e vários destaques como Mina, Vitor Hugo, Tchê Tchê, Moisés, Dudu e o já vendido Gabriel Jesus, craque da companhia.


Um campeonato bem irregular, problemas extra campo e o quarto comandante da temporada, vindo de uma eliminação acachapante na Copa do Brasil. O Corinthians seria presa fácil, em tese, de um Flamengo melhor ajustado, com base mais qualificada e um Maracanã completamente lotado e positivo a seu favor. 

"Desconsiderando" que o estádio era um fator externo, o Flamengo repetiu as atuações pobres dos jogos contra Cruzeiro, São Paulo, Fluminense e Internacional. Oscilação natural de um time que carrega muitos jogos e viagens, mas que têm sido fatal. Desde os primeiros instantes, o afobado rubro negro apelou para os chuveirinhos. Marcou assim com Guerrero por duas vezes no primeiro tempo, ambas em impedimento. Uma delas validada, no empate quando o Corinthians vencia por um a zero, após o gol que começou no balão de Walter, passou pela casquinha de Romero e terminou no chute de Guilherme. Setores distantes, zagueiros hesitantes e um espaço grande para o time de Oswaldo trabalhar.

Desenho do Flamengo no 4-2-3-1 - Reprodução: Premiere
Com Emerson e Mancuello pelos lados, Zé Ricardo tentou ter mais pés para armar - mantendo a tônica de um ponta incisivo e outro criativo. Mas esses extremos não foram a solução para tirar o time do marasmo que enfrenta no setor criativo. Tão menos Diego e Arão, que bem marcados, outra vez, acrescentaram muito pouco, tanto com, quanto sem a bola.
Corinthians encurtando o espaço do Flamengo com linhas compactas e pressão ao portador da bola - Reprodução: Premiere

Sob os olhares de Tite, o Corinthians resgatou um pouco de sua obra. 4-1-4-1 extremamente compacto, subindo linhas e pressionando o portador da bola, encurtando o espaço e atacando a posse mesmo em seu campo. Não deu espaço para o Flamengo triangular e obrigou o time da casa a cruzar ou lançar. Com os 58% de posse, ergueu 12 bolas na área no primeiro tempo, errou 9. Lançou mais 20, perdendo 13. Péssimo aproveitamento, poucas ideias para abrir a defesa alvinegra. 


Sem criatividade na frente, o Flamengo foi para o intervalo atrás, graças a marcação ruim de seu sistema e os erros pessoais no miolo de zaga. Por dentro, Rodriguinho fez um jogada fantástica e concluiu o passe de Romero, completamente livre, no meio da área flamenguista.

Pressão do Corinthians dificultando a saída do Flamengo - Reprodução: Premiere

Sem poder de triangulação e infiltração, Zé Ricardo voltou do intervalo com Fernandinho no lugar de Mancuello. Evidenciou o chuveirinho em busca do empate. Em um dos 13 escanteios, Arão parou em Walter e Guerrero empatou no rebote. Terceira vez no jogo que peruano balançava as redes por meio de uma bola alçada na área. Diferente de ser um recurso, se tornou a única opção. O que fez o Flamengo crer que viraria a base da bola alta...


Oswaldo foi bem nas mudanças com Marlone no lugar de Marquinhos Gabriel, depois Lucca na vaga de Romero, quando Guilherme, o falso nove que confundia a defesa carioca, já havia sido expulso e o time precisava se fechar com intensidade e ter alguma saída em contra. Até por isso, Rodriguinho abriu a direita e Camacho ganhou o lugar de Giovanni Augusto. Consistência no centro e vigor pelos lados. Foram 41 lançamentos com 11 acertos, alguns deles buscavam Lucca na frente, outros eram para rifar a bola. Já o Flamengo, de 42 lançamentos com 20 erros, buscava a grande área. 

Tônica de chuveirinho, pobreza de construção que se tornou ainda mais evidente com Leandro Damião no lugar de Willian Arão. Diego se posicionou ao lado de Márcio Araújo, mas muitas vezes se embolou com os avantes. Emerson e Fernandinho abriram o campo para receber e levantar. 41 cruzamentos, com 32 erros (!!!!!!!). Curiosamente, a melhor chance veio na jogada individual com tabela e drible. A tal triangulação com Emerson. 9 finalizações erradas em 20, que não permitiram ao Flamengo seguir de perto o Palmeiras, o líder que também é inconstante, mas consegue vencer.

Corinthians compacto e Flamengo lançando a bola na área - Reprodução: Premiere

Seis pontos há seis rodadas do fim marcam a distância do Flamengo para o líder. Panorama quase irreversível pelo que o campeonato mostra a cada disputa. Com Santos e Atlético/MG chegando e o confronto direto com os dois, o time de Zé Ricardo deve se preocupar em assegurar o 2º lugar e a vaga a Libertadores de forma direta. Mas pra isso, terá de ser menos pobre no desempenho em campo. 


No imenso Maracanã, o itinerante Flamengo não sentiu apenas a falta de costume do "novo lar". Foi pobre coletivamente, mas também se chocou com a força de um Corinthians de resgatou suas raízes campeãs, recorrendo a conceitos de sua melhor era e indicando um caminho depois de 2016 de tantas incertezas.

Dados estatísticos: Footstats.net

A estratégia de Guardiola e o poder de fogo do Barcelona

Pep Guardiola pensa futebol de um jeito bem peculiar. Não é dos que se adapta ao adversário, trabalhando de uma maneira em casa e outra fora - modelo válido também, já que cada técnico tem seu modo de planejar um jogo.  E em poucos meses no City, o time já tem muito de seus traços e personalidade, mas obviamente ainda tem uma margem de crescimento grande. É uma equipe em construção - e da pra dizer até que constante. Contudo, enfrentar um Barcelona, com modelo de jogo enraizado e craques como Messi nunca será fácil. E o gênio catalão já sofreu com isso na última visita ao Camp Nou. 


Mas nem por isso quis fazer qualquer tipo de revisão no trabalho praticado ou ajustar seu time ao jogo de Luís Enrique. Manteve a essência que busca dar ao Manchester City e que com naturais percalços vem dando certo. Em Barcelona, a escolha foi por uma defesa com linha de quatro, tendo Gundogan e Fernandinho para qualificar a saída, além de De Bruyne na referência no lugar de Sérgio Aguero, artilheiro da temporada com 11 gols em 10 jogos. 

Entendeu que a mobilidade do belga agregaria mais na construção, além da pressão a saída do Barcelona, que foi possível ver desde os primeiros minutos. Avançar as linhas tem como objetivo roubar a bola o mais próximo da meta adversária possível. Mas quando isso não acontece, a pressão também pode obrigar o rival a rifar e devolver a bola para iniciar uma nova construção. Ter a bola por mais tempo da mais chances de marcar. O que pode acontecer ou não, porque de lógico esse esporte tem pouca coisa. Mas são conceitos e os times de Guardiola são cheios deles. A maior missão é a de sempre buscar a bola e a partir dela jogar. 
Pressão do City na saída do Barcelona - Reprodução: Globoesporte.com
Mesmo encurralado, o Barça não rifou a bola como o City queria, tão menos a perdeu facilitando a transição ofensiva. Soube jogar porque já passou pelas mãos de Guardiola e também tem esse projeto, essa ideia de futebol assimilada. Ter tantos homens à frente fazia com que o time inglês tivesse sua defesa exposta, como no gol de Messi após o escorregão de Fernandinho - volante que faz grande temporada -, que mudou um pouco o panorama quando a disputa era franca. 

Com Mascherano na lateral como principal novidade, Luís Enrique também não renegou o estilo de seu time. Fluente troca de passes, com velocidade e verticalidade no terço final com o tridente matador. Só que nesta tônica de pressão dos ingleses, que seguiu após o tento de Messi, os espaços para o MSN eram muitos, como quando Suarez quase ampliou no fim da primeira etapa. Duas finalizações certas para o Barça em três tentativas contra três acertos do time de Pep em sete tentativas. Além das pressões, o time também tentou construir com posse, a partir do passe, da movimentação e da velocidade pelos lados e homens que vinham de trás. Assim, Gundogan quase empatou o jogo. 
Saída do City, Barça trabalhando em 2 linhas de 4.  - Reprodução: Globoesporte.com
Se o primeiro tempo não havia sido tão perigoso e até certo momento os ingleses tinham controlado o Barça, não tinha o porquê de mexer na estratégia. O City voltou subindo as linhas, pressionando a saída e dificultando a transição do Barça. Mas, novamente, a defesa ficou exposta, o trio com espaço e uma falha individual condenou os citizens. Saída errada de Bravo, o goleiro contratado por jogar melhor com os pés do que Hart, que terminou em sua expulsão por defender o chute de Suarez com a mão fora da área.
Transição ofensiva do Barcelona - Reprodução: Globoesporte.com
No mesmo momento que sentiu Zabaleta. Cabalero entrou no lugar de Nolito e o lateral foi sacado por Clichy. Otamendi foi para a direita, o sistema se desorganizou e Messi passeou com o espaço de um jogador a mais. Recital do argentino que marcou o segundo na saída errada de Gundogan e aproveitou o espaço para infiltrar como centroavante e completar o cruzamento de Suarez no terceiro. Com uma fila genial ainda sofreu o pênalti e teve a chance de marcar o 90º gol dele em jogos de Champions. Foi solidário, viu Neymar perder e depois marcar um bonito gol abrindo a defesa já entregue do City.

Vale ressaltar que mesmo com um a menos, o time de Guardiola manteve o padrão, a ideia, o conceito. Tentando de alguma forma subir as linhas e apertar a saída, claro que sem a mesma intensidade. Valentia que deu algumas chances de frente ao goleiro Ter Stegen, mas que custou uma goleada atrás. 10 finalizações com cinco acertos, contra 12 do Barça e oito a meta de Bravo e depois Cabalero.
Panorama final, com os dois times com um jogador a menos - Reprodução: Tactical Pad. 
Os catalães dominam o grupo, por mais que o início arrasador de temporada do City e o inconstante dos espanhóis com três tropeços em oito jogos não deixasse essa impressão. Agora é o time de Guardiola que já não vence há quatro partidas, juntando Champions e Campeonato Inglês. Nada que vá fazer o técnico mudar o que pensa sobre o futebol e os times que monta. Pep é estratégia, goste dela ou não, como foi no Camp Nou. Mas o Barcelona também é e soma isso ao poder de fogo do MSN.

Dados estatísticos: UEFA.com 

O abismo de confiança entre Santos e São Paulo

Ricardo Gomes planificou o jogo do São Paulo no clássico contra o Santos de acordo com a realidade de seu time. A realidade de uma equipe inferior a seu adversário, que tentava resgatar a confiança e se afastar da parte perigosa da tabela. 

Na escalação, Robson foi a grande surpresa na vaga de Kelvin. Com a ineficiência do ponteiro que caiu demais de rendimento em relação ao inicio da temporada, o comandante apostou em um homem aberto, que trabalharia da ponta para o centro nas costas dos volantes, como Cueva, indisponível de início, faria. 

Do outro lado, Carlinhos era o extremo que tinha a missão de chegar ao fundo e buscar Chavez em algum centro. Padrões da era Bauza. Porém, além dessas alternativas e algumas chegadas de Buffarini, com a bola, o São Paulo precisava de homens que se projetassem de trás. Nem Hudson, tão menos Thiago Mendes ou Wesley - esses de bom arremate - fizeram esse papel. 
São Paulo no 4-1-4-1 no Pacaembu - Reprodução: Premiere 
No Santos, poucas mudanças em relação ao padrão que Dorival Junior implantou ao time há mais de um ano. Jean Mota na vaga de Victor Bueno deu outra dinâmica a linha de três, pois é menos incisivo e trabalha mais a armação ao lado de Lucas Lima, com a chegada de Thiago Maia. Do outro lado, Copete é o jogador que pisa a área, ataca o espaço e vai em direção ao gol. Não à toa, foi o dono das duas finalizações certas do peixe, uma que vazou o goleiro Denis.
Santos postado no 4-2-3-1, com Jean Mota e Copete compactando a segunda linha - Reprodução: Premiere. 
Mas antes de abrir o placar e até mesmo depois disso, o Santos teve uma grande dificuldade para jogar no Pacaembu. Porque o plano de Ricardo Gomes era fechar os espaços do time da Vila, preenchendo bem o meio fechando as linhas de passe e vez ou outra até subindo a marcação para negar possibilidade de transição desde o início do campo. Faltou intensidade ao Santos.  

O São Paulo até certo ponto foi efetivo na ideia e a sacada do comandante inteligente. Mas, quando tinha a bola era muito pouco efetivo. Fosse pelos problemas para criar, pela falta de repertório ou até mesmo de confiança, elementos chave no futebol. O tricolor errou 10 das 15 finalizações - muitas delas já no abafa -, errou também 25 dos 32 cruzamentos, além de 27 dos 32 lançamentos. Baixo aproveitamento com os 52% de posse de bola.
São Paulo avançando as linhas para pressionar a saída do Santos - Reprodução: Premiere.
A lesão de Carlinhos fez Ricardo apostar em Kelvin, que alternou com Robson a ponta e ajudou na recomposição que mudava o desenho do time em campo. Porque o meia que veio do Paraná centralizava em vários momentos e para o time não ficar descompensado sem bola, Wesley abria e o ponteiro fechava o corredor oposto:
São Paulo variando para duas linhas de marcação - Reprodução: Premiere.
O gol de Copete mostrou outra face conhecida do São Paulo. Um time que desmancha emocionalmente logo depois de ser vazado. Quinze minutos após o tento santista, a entrada de Cueva ascendeu um pouco o time, que naturalmente foi para o abafa. Povoando a equipe do meio para a frente, Jean Carlos ganhou a vaga de Hudson. 
 
Dorival aceitou e encolheu o Santos, Yuri no lugar de Lucas Lima redesenhou o time no 4-1-4-1 com o ex-jogador do Audax entre as linhas. Copete e Jean Mota foram nada reativos com bola e Ricardo Oliveira foi mais útil na bola aérea defensiva. Nos minutos finais, Fabian Noguera ganhou o lugar de Renato para reforçar o time pelo alto. Importante no abafa desordenado e sem confiança do São Paulo.

Pelo que foi o jogo, o tricolor até mereceu um resultado melhor, quem sabe um ponto no Pacaembu totalmente são paulino. Mas a pouca inteligencia para criar do time até ordenado por Ricardo Gomes confirmou o abismo de confiança entre uma equipe que precisou de uma finalização certa em cada tempo para marcar, enquanto outra não suspirou em nenhuma das 15. 

A tabela e principalmente a incompetência dos rivais indica que o São Paulo vai se salvar do rebaixamento, mas só nas rodadas derradeiras. Pro Santos, a vitória sem jogar bem indica o caminho de um time que padrão afinadíssimo, que dificilmente perderá seu posto entre os quatro melhores. 

Dados estatísticos: Footstats.net