A seleção dos quatro atacantes que dá show e não sofre gols está na final. Viva a modernidade no jeito de jogar

Na era do jogo coletivo e do futebol cada vez mais dissecado e tático, o "Brasil de Pelé, Romário e Ronaldo" sofreu. Porque antes, não era obrigado a se construir como time, já que sempre tinha em suas individualidades o socorro necessário para ganhar. Mas o futebol mudou demais. Nos últimos 30 anos, os grandes craques deixaram de ser tudo e se tornaram uma parte importante no todo. E nós não deixamos de fabricar os protagonistas como dizem por ai, Neymar é prova viva disso. Mas precisávamos fabricar times, times na acepção da palavra.

Nessa transição, caímos diante de França, Holanda e acabamos humilhados pela Alemanha. Não à toa três escolas europeias, onde o esporte evoluiu primeiro nas últimas décadas. Não à toa, o continente que tem os últimos três títulos de Copa do Mundo e os melhores times do planeta. Obviamente, o dinheiro do sheiks, russos e chineses influenciam, mas sem o jogo coletivo nem os mais ricos chegariam.

Seria então nossa safra ruim? Não. Assim como se apoiou na individualidade para vencer tudo que venceu - sem tirar qualquer mérito dos justos títulos em outro tempo de futebol -, o brasileiro se apoiou nesta cortina de fumaça. "Não fabricamos mais jogadores como antigamente". Quando na verdade tínhamos poucos técnicos atuais. A revolução encabeçada por Guardiola e Mourinho demorou para chegar aqui.  

Tite, Roger Machado, Dorival, Mano Menezes e Rogério Micale. Dá pra contar nos dedos a quantidade de técnicos que buscam no futebol de alto nível, a fonte de inspiração para montar times modernos no Brasil. Mas aqui ainda existe a velha rejeição ao novo. "Quem é esse Micale?" ou "o que ele já ganhou". Nunca o Brasil esteve tão perto de uma medalha de ouro olímpica, mesmo já tendo disputado três finais.

O novo comandante e os jovens atletas que iniciaram o sonho da medalha, foram prontamente criticados após os empates contra Iraque e África do Sul, times de menor potencial técnico e que se quer passaram da primeira fase. Justificável. Mas não como foi feita, pautada em falta de garra, raça e amor à camisa. Até a negativa aos microfones virou defeito na seleção. 

Micale respondeu trabalhando, corrigindo os erros e chegando ao time ideal. O que bateu Dinamarca e Colômbia com bom futebol e ideias modernas de jogo. O que venceu Honduras dando show no Maracanã, em tarde que os mais saudosos puderam ter a lembrança de um Brasil de exibições. 

Mas o futebol mudou, lembra? Para vencer goleando e carimbando o passaporte a final do próximo sábado, o Brasil de Micale precisou de alta intensidade, coordenação entre os setores e execução de um plano de jogo, que não é entregar a bola para o melhor e esperar que ele resolva. É fazer o time jogar de maneira coletiva. 

Nisso, cresceram Renato Augusto e Walace, fisicamente perfeitos à frente da defesa para sair jogando e coordenar as transições meio/ataque. Também Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa, a dupla de lado, que fecha a linha sem bola e ataca o espaço com ela, combinando velocidade e qualidade técnica na diagonal - predominou Jesus em dois bonitos gols. Cresceram Neymar e Luan - donos de um tento cada - por dentro, invertendo posições, ocupando a frente, recuando para armar, aparecendo na referência. O tal caos organizado.

Ainda assim, teve quem perguntasse: "mas com tantos atacantes, quem marca?". Reposta simples: todos! Ponteiros fechando o lado e homens de centro ajudando na pressão a primeira linha de transição adversária. Sistema de jogo, que fez a seleção chegar a final com sua defesa zerada em seis jogos, não só graças a dois ótimos zagueiros, mas sim a ideia coletiva. 

O Brasil dos quatro atacantes da show, mas ao menos tempo não sofre gols. Porque aprendeu a jogar o futebol de forma coletiva. Altamente competitiva. O ouro pode não vir, mas a modernidade no jeito de jogar futebol é a grande medalha da seleção de Micale no Rio de Janeiro.
O Brasil dos quatro atacantes defendendo em duas linhas bem compactas - Reprodução: ESPN Brasil 

Em sua estreia, City já imprime ideias de Guardiola - que percebeu como será dura a Premier League!

Pep Guardiola chegou ao City como a cereja no bolo para ganhar a tão sonhada Champions League. A peça que faltava, ainda mais depois da campanha de semifinal na última temporada. Mas existe um caminho árduo e longo pela frente, ainda mais por se tratar do inquieto e perfeccionista técnico catalão. 

Porque seus conceitos não são simples, nem de fácil entendimento e execução. Mas mesmo assim puderam ser vistos na dura estreia contra o Sunderland pela Premier League - liga mais disputada que Guardiola vai encarrar em sua ultra vitoriosa carreira. 
Sem a bola, o 4-1-4-1 do Manchester City - Reprodução: ESPN Brasil 
Os primeiros minutos permitiram visualizar a formação sem bola: um 4-1-4-1 com Fernandinho entre as linhas. E a partir daí suas variações. Mas antes de se mostrar, o City conseguiu o gol com Aguero, no pênalti sofrido por Sterling na jogada individual no quinto minuto de jogo. 

Resultado que tranquilizou os donos da casa, permitindo o controle e a movimentação que seu comandante gosta. Na saída, Fernandinho entre os zagueiros e laterais trabalhando por dentro, como meio campistas, deixando que os pontas pudessem alargar o campo de jogo. A inversão da piramide que Pep trouxe no Bayern e seguirá aprimorando no City, que nada mais é que ter mais homens na última linha de jogo (ataque) do que na primeira (defesa).
Saída de bola do Manchester City - Reprodução: ESPN Brasil 
O Sunderland recolheu duas linhas "como manda" o futebol inglês. A ideia era dificultar a infiltração dos citizens na base da compactação e tentar acelerar a transição ofensiva, principalmente no último terço em um possível mano a mano com a defesa. Pouco sucesso no primeiro tempo de apenas duas finalizações. 

Primeira parte que ainda registrou 79% de posse para o time da casa, mas apenas três chutes a meta de Manone em oito tentativas. Em resumo, o City controlou o jogo, teve a bola, pôde se mexer, mas não conseguiu ser tão efetivo como poderia. 
Sunderland compactando duas linhas de marcação - Reprodução: ESPN Brasil 
Com o passar do tempo, o ritmo do jogo e consequentemente do controle do time de Manchester caiu. Natural por se tratar da primeira partida oficial de um novo trabalho. Faltou também a intensidade que virá com o tempo, auxiliando na execução do modelo de jogo. 

O time de David Moyes seguiu a ideia do início: linhas contidas, pouco espaço para o City infiltrar no último terço e alguma tentativa de sair rápido. Deu certo na bola que entrou as costas da defesa e terminou no gol de Defoe. 

Empate que castigava o City pelo alto volume com pouca efetividade e seria um prato cheio para as criticas daqueles que não conseguem pensar o futebol fora do óbvio ou compreender o jogo de Guardiola. 
A pirâmide invertida de Guardiola na etapa final - Reprodução: ESPN Brasil
Naturalmente Moyes mexeu para trás. Fechou o time com Mc Nair, depois de ter colocado Januzaj e Khazri quando ainda buscava o empate. Depois de Navas e Delph, que entraram para tentar manter o ritmo, o catalão apostou na juventude de Iheanacho. 

Mudança em toda estrutura do time, fixando três homens atrás, abrindo o campo com Navas e Sterling, tendo uma dupla para Aguero dentro da área. Peças importantes no gol da vitória, que veio com a bola pelo lado e contou com a pressão dos homens de frente para induzir Mc Nair ao erro. 
Panorama final do jogo no Etidah - Tactical Pad
Em seu primeiro ato, o Manchester City de Guardiola já imprimiu suas ideias e conceitos de jogo, mas naturalmente precisará de ajustes, que virão aos poucos com o encaixe das novas peças ao time. A dura estreia já deu um recado ao comandante: a Premier League exigirá mais.  

Dados estatísticos: Premier League.

Na derrota para o melhor do Brasileirão, fica um bom horizonte ao Cruzeiro de Mano Menezes

Mano Menezes chegou ao Cruzeiro como salvação após a demissão de Paulo Bento e o cenário caótico com o time na zona do rebaixamento. Há cinco jogos sem vencer, a visita a Vila Belmiro contra o ótimo time montado por Dorival não era nada convidativa para uma reestreia. Com apenas alguns dias de trabalho, o comandante não teve muito o que mudar, então recorreu ao que deu certo na última passagem, tanto com alguns nomes, quanto no posicionamento. 

Manoel voltou a defesa ao lado de Bruno Rodrigo, Robinho apareceu no meio e Willian voltou ao comando de ataque. Duas linhas de marcação com Arrascaeta atrás do camisa nove. Encurtamento do espaço de jogo adversário no momento sem bola e linhas altas para tentar roubar alto - como fez Willian que tomou de Vanderlei e bateu pra fora. O Cruzeiro foi melhor por quase 60% do jogo com ideias de jogo muito bom executadas. 

Dominou porque jogou bem, mas também porque "fez o Santos jogar mal". Com a saída de Renato fechada, o time da Vila teve muita dificuldade na transição defesa-ataque. Yuri não conseguiu carregar o time entre as linhas com passe, tão menos Vecchio, que não se mexeu como Lucas Lima para ajudar a armar de trás. O argentino é um meia de passe mais vertical, mas pouco dinamico. As poucas chegadas foram em bolas esticadas para Ricardo Oliveira. 
Cruzeiro armando suas linhas de marcação e fechando todos os espaços. - Reprodução: Premiere.
Por isso Dorival voltou com Jean Mota do intervalo. O Santos precisava de armação por dentro, de mais dinamismo do centro para se associar com os pontas que estiveram sumidos no primeiro tempo. Depois de mais duas grandes chances do time de Mano Menezes em dez minutos, os donos da casa tomaram o mando do jogo. 

Victor Ferraz e Caju passaram a pisar o campo adversário com mais frequencia, o passe do centro sair mais limpo e a armação de Jean Mota, mesmo que com o passe mais fácil ou apenas a movimentação, dar certo. Foi assim quando Victor Bueno centralizou e recebeu de Caju por dentro para marcar. Laterais atacando espaço no centro, uma ideia muito vista na Europa, mas pouco aplicada por aqui. Dorival "trouxe" e usa muito:
Gol do Santos no detalhe - Reprodução: Premiere
Mano tentou a reação com o argentino Ábila no lugar de Arrascaeta, como uma referência mais fixa, tendo Willian um pouco mais recuado. Pouco efeito surtiu. Diferente da mudança de Dorival, com Longuine no lugar de Yuri, melhorando a saída do Santos. Os donos da casa tomaram conta do jogo com a posse e a movimentação inteligente de suas peças. 

Antes do gol contra de Lucas, Rafael Sóbis deu lugar a Rafinha, que mudou o distribuição celeste: Robinho veio para o centro, Willian abriu de um lado e o camisa 70 do outro. Um  4-1-4-1 que não teve força após o segundo gol da equipe praiana. 
Panorama final do jogo na Vila Belmiro - Reprodução: Tactical Pad.
Frente ao melhor time do Brasileirão do ponto de vista tático e de padronização de um estilo de jogo, fica um bom horizonte ao Cruzeiro, mesmo com o momento desesperador. A atuação da equipe já foi evolutiva, segue "apenas" precisando da vitória para sair da situação díficil, aumentando a confiança que pode fazer uma bola entrar ou bater na trave. Só o trabalho pode salvar o time mineiro, como faz o Santos brigar pelo título nacional mesmo desfalcado. 



No Atlético Nacional campeão da Libertadores, o mais importante foi jogar futebol

Dez vitórias, três empates e uma derrota em 14 jogos. Melhor ataque e defesa menos vazada. Os números do Atlético Nacional escancaram uma campanha irretocável e incontestável, de um time que só se preocupou em jogar futebol durante toda sua jornada na Copa Libertadores. Nada de pancadaria, catimba ou as artimanhas que para muitos resolvem no disputado torneio continental. 

O que não livrou o time comandado por Reinaldo Rueda de um começou nervoso na grande decisão com o Atanasio Girardot lotado. Logo aos vinte segundos, Borja - artilheiro da semifinal com quatro gols - saiu cara a cara e isolou a chance do primeiro que poderia trazer tranquilidade aos donos da casa. 

Mesmo assim, os colombianos não deixaram de martelar o time treinado por Pablo Repetto. Guerra ganhou a vaga do suspenso Sebastian Perez e do centro se juntou a Macnelly Torres para criar ocasiões. Dos lados, Berrío e Marlos abriam o corredor para a ultrapassagem dos laterais, com o recuo de Mejía para a "saída de três". Ao Del Valle restou compactar duas linhas de quatro e tentar defender a meta de Azcona:
Panorama do primeiro tempo: Atlético pressionando e Ind. Del Valle marcando atrás - Reprodução: Fox Sports 
A postura do time equatoriano surpreendeu, pois embora fosse franco atirador na grande final, não esboçou qualquer reação após o gol de Borja aos oito minutos. Manteve as linhas recuadas, com zero pressão ou tentativa de retomada em velocidade. Júlio Ângulo não repetiu as incursões em velocidade nas costas de Diaz, tão menos Cabezas aproveitou o espaço de Bocanegra. Sornoza e José Ângulo estiveram isolados na frente. Também porque os volantes que jogam ficaram presos ao impeto do Nacional. 

Pressão essa que não resultou em mais gols na etapa inicial, também porque não foi tão esmagadora no hora de concluir. Apenas cinco finalizações com três acertos dos donos da casa, contra duas, ambas erradas, dos visitantes. 
Panorama do primeiro tempo - Tactical Pad
Repetto voltou com Uchuari na vaga do apagado Sornoza, avançou as linhas e se propôs a jogar em busca do empate. O camisa sete incendiu o jogo com velocidade a partir do centro, mas granças também a participação mais efetiva de Rizotto e Oreujuela, que limparam a frente da zaga e começaram a aparecer na frente com espaço para o passe. Foram bons 20/25 minutos, mas que não conseguiram se traduzir em chances claras de gol. 

Com o controle do jogo de volta, Rueda sacou Guerra e preencheu o meio na fase defensiva com Arias, depois mexeu na ponta com Ibarguen no lugar do apagado Marlos Moreno e na frente com Rescaldani no lugar do goleador Borja. Mudanças para segurar a bola e gastar o tempos a espera do título.
Panorama do segundo tempo - Reprodução:Tactical Pad
Depois de 27 anos a América está novamente nas mãos do time verdolaga. Com ideias modernas de futebol, sem o volante pegador ou o camisa dez que não ajuda em todas as fases do jogo. Time em que todos jogaram e fizeram jogar. Campanha irreprensível, onde o mais o importante, a todo momento, em qualquer campo ou situação, foi jogar futebol. 

Estatísticas: Fox Sports. 

Arbitragem interfere, mas Atlético Nacional é superior. Coisas distintas e que precisam ser separadas

A fé do São Paulo no "Milagre de Medelín" ganhou ainda mais força quando Calleri completou o cruzamento de Michel Bastos e marcou seu nono gol na Libertadores - 1º no mata mata - deixando os visitante há um tento dos penaltis. Mas mais do que o gol no começou, surpreendeu a postura do time de Bauza, que saiu para um jogo franco e aberto - que custaria seu preço minutos depois. Sem a criatividade de Ganso por dentro, o comandante apostou na velocidade em progressão de Centurion e na dobradinha Michel e Mena que já havia dado certo na última semana. 

O problema é que esse ímpeto do São Paulo deu campo ao superior time do Atlético Nacional. Ultra veloz na transição com Marlos Moreno e Berrio saindo das pontas, mas nervoso frente a postura dos comandados de Bauza. Porque não conseguia dominar o centro, mesmo com a movimentação de Macnelly Torres e as investidas de Sebastian Perez. Graças a Thiago Mendes e Hudson, aplicados a marcação, que tinham destacável atuação na destruição das jogadas adversárias. O tento de Calleri empolgou, o time seguiu subindo, mas dando espaço atrás. Senha para o terceiro gol de Borja no confronto, que ganhou de Bruno e Lugano velocidade e completou com um chute cruzado o passe de Berrío.

Sem mais muito a perder, o São Paulo seguiu o embate franco. Em duas jogadas pela esquerda, ambas de Michel, Calleri teve o desempate. Uma na trave e outra passando frente a meta de Armani. Os donos da casa responderam com chegadas cara a cara e gols perdidos ao mesmo tom - o primeiro tempo poderia acabar 3x3 facilmente. 

O grande problema, com o passar do tempo, foi a falta de um criativo. Thiago não progredia com qualidade, Wesley não conseguia gerar jogo e Michel acabava sobrecarregado, mesmo com o bom pivô de Calleri. 
Panorama tático do primeiro tempo - Reprodução: Tactical Pad.
O time de Rueda teve alguma dificuldade na saída, porque o tricolor subia as linhas e obrigava a transição mais longa, quase sempre perdida no alto. Mas quando chegava, tinha apoio dos lados, opções de passe e tudo para criar. Ligeiramente superior em um primeiro tempo valente do São Paulo. 

Os comandados de Bauza não conseguiram repetir a pressão no início do segundo tempo, apesar de alguma posse e ocupação ofensiva. A partir da saída de Hudson, amarelado e voltando de contusão, os donos da casa dominaram o centro e então o jogo. Porque Wesley por dentro foi muito pouco combativo e Alan Kardec na frente com Calleri tirou uma opção de passe por dentro e também o cerco a Perez, que começou a pisar o campo ofensivo e auxiliar na armação das jogadas.  

Nesse espaço, Rueda percebeu que Guerra poderia ser útil com sua chegada e transição de qualidade. Ganhou a vaga de Perez e formou de vez o 4-1-4-1 desenhado em muitas variações. Sem resposta e possibilidade de jogo aéreo com dois avantes, Luiz Araújo ganhou o lugar de Centurion. O garoto manteve a velocidade/incisividade em diagonal e a possibilidade do 1x1, mas com mais qualidade do que o argentino. Ganhou muitas, mas não teve com quem trabalhar por dentro ou lado. 

Panorama do segundo tempo, até as expulsões - Reprodução: Tactical Pad
O pênalti de Carlinhos, que substituiu o extenuado Mena, explodiu os são-paulinos, graças ao também pênalti não marcado em Hudson no fim do primeiro tempo. Lambança que ficou maior após a conversão de Borja e as expulsões de Lugano e Michel, depois "trocado" por Wesley. Árbitro sem força para um jogo tão grande.

Decisões que condicionaram o jogo, mas não foram providenciais em um jogo de 180 minutos, onde os colombianos foram superiores. Na volta, maior posse durante quase todo jogo, terminando com 53% e 15 a 2 em finalizações.

É dever separar as coisas, o São Paulo foi prejudicado, mas o Atlético Nacional é justo finalista da Libertadores 2016. Aos tricolores, fica o orgulho pela campanha extra expectativas em um ano de reconstrução após a saída do maior ídolo e muitos erros na diretoria. Ordem e luta, no melhor sentido, em campo. Um horizonte interessante, guiado por Edgardo Bauza.

Coletividade: a palavra chave do título de Portugal na Eurocopa

Você leu aqui que Portugal da Eurocopa era uma seleção muito mais coletiva do que dependente de Cristiano Ronaldo. As apresentações na competição, enfim mostraram uma equipe que pudesse ajudar seu grande craque a brilhar e brigar por algo grande. Em desvantagem, claro, as gigantes como França e Alemanha. Mas em condições de competir à sua maneira.  

Mesmo prontos para a final, os lusos sentiram os minutos iniciais da decisão em Saint Denis. Atordoados, erraram passes fáceis, perderam bolas controladas e não conseguiram progredir, fazer transições defesa-ataque. Também porque a França saiu para o jogo com alta intensidade e pressão. Colocando seus homens à frente, procurando ocasiões, mas sendo exitante, como em toda euro. 

A terceira mudança tática de Deschamps durante a competição, mantida da semifinal contra a Alemanha, apontou também para a falta de convicção do comandante. Então num 4-4-1-1, interessante liberdade para Griezmann, atrás de Giroud e não mais na ponta. Depois dos dois gols na semi, beliscou a rede no lançamento de Payet, após erro na saída lusa, se projetando entre os zagueiros. Mais atacante.
Panorama do começo do jogo - Reprodução: BBC Sport.
Com o meia do West Ham armando a partir da esquerda em diagonais, Sissoko foi pro embate individual do lado oposto. Forte e rápido, ganhou muitas sobre o bom lateral Raphael Guerrero e levou perigo. De trás, Pogba e Matuidi tiveram liberdade, já que Adrien Silva não conseguiu repetir o bloqueio que fez a Modric, Krychowiak e Allen, pensadores de outros adversários. Mas na mesma medida em que apareceram os espaços, eles não criaram, completamente nulos dentro do jogo.

A lesão de Cristiano Ronaldo - entrada intensa e não maldosa de Payet -, na cena mais forte pelo contexto da Euro, mudou a cara do jogo. O abafa francês diminuiu, Portugal se postou bem com a entrada de Quaresma, que num 4-1-4-1 teve o camisa 20 e João Mário abertos, preenchendo o meio de uma forma mais coesa, já que o losango corria demais atrás da França. Os donos da casa não aproveitaram os minutos de indefinição dos lusos por Ronaldo, tão menos o choque pela saída do maior craque. Pareciam também incrédulos com o mundo do futebol, frente às lágrimas do camisa 7. 

A pressão que diminuiu de um lado sem o grande craque, evidenciando ainda mais o jogo por uma bola. Aumentou muito nos ombros azuis. Que mostraram mais do mesmo na Euro: baixa intensidade e ritmo durante o jogo. Com seus criativos muito sumidos e bolas despejadas na área, num semi desespero. Griezmann seguiu sendo o mais atento, se mexendo para dar opções e sendo municiado por Coman, que ganhou a vaga de Payet para acelerar do meio para os minutos finais. Sissoko e suas arrancadas sumiram e os donos da casa perderam muito do perigo ofensivo.
Portugal mais bem postado no 4-1-4-1 - Reprodução: BT Sport
Fernando Santos mexeu no meio com João Moutinho no lugar de Adrien, depois colocou Éder na vaga de Renato Sanches, abrindo Nani, centralizando João Mário e tendo uma referência mais fixa. Linhas compactas para marcar e trabalho muito bem feito por Pepe, Fonte e Rui Patrício, que levantaram um muro frente ao gol luso. 

O empate já era uma realidade para Portugal. Porque sem o grande goleador e maior finalizador da seleção, era muito mais complicado levar perigo a Lloris. Nani num cruzamento despretensioso, embalado por um voleio de Quaresma e Raphael Guerreiro em uma falta, beliscaram o sonho. Estratégia perigosa, mas que mostrou a força de uma defesa que foi vazada apenas uma vez em quatro jogos na fase final - não a toa, Pepe foi eleito o melhor da decisão e um dos melhores da competição.  

Força, como a de Éder, que brigou com Koscielny  para arriscar de longe e ver a bola que Portugal tanto procurou, encontrar as redes. No heroísmo improvável que quase todas as finais reservam. Como poderia ter sido a Gignac, o reserva que balançou a trave nos acréscimos do tempo normal. Minutos finais de tensão e pressão aleatória da França, sem ideia coletiva, como durante 80% do jogo, resultando na glória portuguesa. 
Panorama final do jogo - Reprodução: Tactical Pad
Sem Cristiano Ronaldo em campo, mas muito presente fora dele, Portugal conseguiu o inédito título da Euro, no roteiro mais inimaginável possível. Conquista que teve uma palavra essencial em sua construção: coletividade. Nem o maior dos "exércitos de um homem só", venceu a batalha sem ideia de ser um time para um craque e não o contrário. 

São Paulo 0x2 Atl. Nacional - Só garra, contra o melhor do continente, não foi suficiente

Sem Ganso e Kelvin, mais de 50% da produção ofensiva do tricolor, homens do passe e da velocidade em progressão, o time do Morumbi teria de se abraçar a garra para,  junto de sua torcida, tentar bater o melhor time da competição. 

As "soluções" de Bauza foram Ytalo e Wesley, perdendo a velocidade na ponta e a armação sem os "pés pensantes do camisa dez". Naturalmente, o jogo se concentrou pelos flancos, com os pontas que por características só poderiam chegar ao fundo para buscar Calleri na referência.

O argentino fez bem a parede na frente da área, lutou com Sanchez e Henriquez, mas sentiu a falta o passe vertical. Também porque o ex-jogador do Audax é muito mais atacante do que armador, o que obrigou Thiago Mendes e João Schmitd a alternarem o avanço. 

O tricolor foi forte nos primeiro quinze minutos, intenso e contando com o grito de seu torcedor para romper as linhas do Atlético Nacional. Teve bons momentos com Mena-Thiago-Michel, mas nada que fizesse Armani trabalhar de forma incessante. 

Porque o time de Rueda é muito bem montado e pensado. Compacto sem bola e muito veloz com ela. Sem Guerra de início, teve Ibarguen e Marlos Moreno em diagonais ultra rápidas, contando com as subidas de Sebastian Pérez e os toque de Macnelly Torres do centro. Na referência, um interessante pivô de Borja. 

Primeiro tempo parelho, brigado dentro do que o São Paulo se propôs a fazer e com respostas perigosas do time colombiano.
Panorama do primeiro tempo no Morumbi - Reprodução: Tactical Pad. 
De volta do intervalo, o time de Bauza tentou avançar e pressionar o Atlético Nacional, que novamente se postou bem e fechou os espaços sem permitir perigo ao gol de Armani. Durou até a expulsão de Maicon. O cartão que condicionou o jogo, mas não trouxe um resultado injusto a ele. 

Mena recuou para a zaga, Michel Bastos para a lateral e Kardec, que havia entrado no lugar de Ytalo, veio fechar o lado. Bauza não optou pela entrada de Lugano, pela ideia de tentar vencer mesmo com menos um. Daniel entrou no lugar de João Schimtd tentando contribuir mais na armação e Wesley veio para a linha dos volantes. Um pouco vulnerável, então deu lugar a Hudson.

Questão de tempo para os gols de Borja, porque o Atlético Nacional subiu as linhas e pôde trocar passes com mais campo e tranquilidade. Abrindo uma defesa desmanchada física e emocionalmente. 
Panorama tático do segundo tempo - Tactical Pad
Embora a derrota seja dolorosa, o torcedor do São Paulo deve ficar com o espirito de luta e entrega do time, que como gosta de dizer seu treinador, enquanto pôde (11x11) não negociou a ordem dentro de campo. Garra sem talento, Insuficiente contra o melhor time do continente. 

Portugal na final da Euro: a soma de jovens qualidades, modelo de jogo inteligente e Cristiano Ronaldo

O início de Portugal na Euro não foi nada bom. Apesar de quarenta e cinco minutos de um futebol muito bom contra a Islândia (você leu aqui), a seleção de Fernando Santos não conseguiu repetir contra a Áustria e frente a Hungria contou com uma tarde inspirada de Cristiano Ronaldo, tônica desde sempre, para chegar a próxima fase. Terceira colocada com três empates em um grupo nada complicado em tese. Campanha ruim que chamava a atenção.

Nas oitavas contra os croatas de campanha e atuações melhores, crescimento coletivo. Mas passagem apenas no apagar das luzes do segundo tempo da prorrogação. Frente a Polônia, também de apresentações melhores, um jogo mais duro. Porque o gol de Lewadowski no primeiro minuto do jogo desmontou a estratégia reativa dos lusos que só se ajeitaram após o gol do ótimo Renato Sanches, só uma das revelações. Classificação nos pênaltis. 

Aos trancos e barrancos, os lusos chegaram a semifinal contra Gales de Gareth Bale. Para um confronto de dois craques e bons conjuntos coletivos. Porque diferente do que grande parte da opinião pública pinta, galeses e portugueses chegaram por seus craques, mas não apenas dos pés deles. 

Para a semifinal, Fernando Santos resgatou o primeiro jogo da Euro: posse de bola, controle do jogo e movimentação para criar chances de gol. Com outras peças em relação ao empate com a Islândia, mas algumas tônicas parecidas. Laterais pisando o campo de ataque, meias do losango chegando a frente em busca do fundo ou centro e dupla ofensiva se movimentando, Cristiano buscando a área, Nani girando em torno dela. 
O 4-3-1-2 de Portugal na semifinal da Eurocopa - Reprodução: SporTV
Sem Ramsey, peça muito importante na criação das jogadas de Gales nesta Euro, Coleman mudou a distribuição de sua seleção. Sem mexer na linha defensiva de cinco homens, a formatação do centro teve a entrada de King, que formou uma trinca com Ledley e Allen, deixando Bale mais próximo de Robson-Kanu numa dupla pelo centro do ataque. 
Flagrante do centro do campo Gales no embate contra os lusos - Reprodução: SporTV
A estratégia dos comandados de Chris Coleman era reagir ao jogo de Portugal. Deixando o time luso trocar passes na intermediaria, tentando fechar o espaço por dentro, mas permitindo cruzamentos que buscassem a Cristiano Ronaldo. Sem conseguir essa velocidade na retomada, graças também ao posicionamento avançado do time de Fernando Santos. 

Que novamente adiantou Adrien Silva para fechar o passe do homem pensativo, neste jogo Allen, mas em outras oportunidades Modric e Krychowiak. Parte da estratégia que dificultava a transição de Gales - como também foi com Polônia e Croácia - e como efeito dominó comprometia toda a ação ofensiva. 
Reprodução: SporTV
O domínio português demorou, mas conseguiu se converter em vantagem no placar na etapa final. Primeiro com Cristiano Ronaldo, que voou na bola levantada por Rapha Guerreiro, para se tornar o maior artilheiro da história da Eurocopa ao lado de Platini, uma verdadeira máquina. Depois com Nani, que desviu o arremate de Cristiano. Sexto gol da dupla de ataque na competição. 

Sete minutos que desmancharam a estratégia de Coleman, obrigado a abrir o time nos momentos seguintes: Church e Vokes na frente, com Bale centralizado atrás dos atacantes e a frente da trinca de volantes formada por Allen, Williams e King. Atrás linha de quatro. Desespero, avanço e muito espaços retaguarda.

Portugal chegou como quis, teve chances para o contra-ataque, mas não aproveitou e nem precisou. Do outro lado, os desesperados galeses também deram pouco trabalho a Rui Patrício, despejando bolas na área em lançamentos.
Panorama final do jogo em Lyon - Reprodução: Tactical Pad
Portugal chega a sua segunda final de Eurocopa, pela cabeçada de Cristiano e o desvio de Nani, mas muito pelo trabalho de Fernando Santos, com modelo de jogo inteligente e a qualidade de jovens como Renato Sanches, Rapha Guerreiro, Danilo, João Mário e Adrien Silva. Somando jovens de qualidade, ideias táticas e o poder de decisão de Ronaldo. 

Em Paris, chegará como azarão. Como foi até aqui. 

O pouco aproveitado domínio flamenguista, dissolvido no improvável show de Romero

O Flamengo chegou a Arena Corinthians para o décimo jogo sob o comando do promovido Zé Ricardo, com cinco vitórias nos últimos nove embates e uma assimilação coletiva bem interessante neste período. Portanto, é correto dizer que o rubro negro carioca vem evoluindo em relação a curta era Muricy. 
Meio campo de Corinthians e Flamengo posicionados no 4-2-3-1 - Reprodução: Globo
E foi dominante em um primeiro tempo com picos de 63% de posse de bola e grandes defesas de Cássio. Com laterais aparecendo no campo de ataque, tendo Willian Arão importante na saída e na transição com bola no chão e três armadores com funções bem definidas. Ederson para dividir a criação com volante que vinha de trás (Arão) e Alan Patrick, enquanto Marcelo Cirino encostaria em Guerrero na frente, pelas diagonais nas costas de Uendel. 


Sem muito tempo para mudar, Cristóvão herdou de Tite um Corinthians com padrão de jogo. Sobretudo defensivo, quando falamos da hora de compactar duas linhas e fechar os setores. Mas com muitas missões no meio/frente, onde o time se reformulou demais após o hexa brasileiro. Graças a imposição flamenguista, posicionando seus homens no campo de defesa alvinegro, Bruno Henrique e Rodriguinho tiveram uma dificuldade tremenda na saída, sem muito auxílio de Fagner e Uendel, mas conseguindo acionar o trio de frente.

Giovanni Augusto, com a missão de cercar a saída de Arão, muito tímido com a bola, Marquinhos Gabriel mais profundo pela esquerda, em busca do fundo que Uendel não atacava e Romero tentando se juntar a Luciano vindo da direita, pela diagonal. Em uma saída errada do Flamengo, a única chance clara no primeiro tempo. 
Panorama tático do primeiro tempo - Reprodução: Tactical Pad.
O domínio do time de Zé Ricardo seguiu no início da etapa final, com maior consistência e controle, que em nova transição de Willian Arão, obrigou Cássio a uma grande defesa - seria o último ataque do Flamengo no jogo... Porque no lance seguinte, Romero aproveitaria a bola espirrada na área para abrir o placar na Arena Corinthians.

Golpe imediato e nada assimilado pelo Flamengo, que perdeu a qualidade na saída, a velocidade nas transições e o controle de bola/jogo. Tanto que as mudanças nas pontas, com Thiago Santos e Everton nos lugares de Ederson e Cirino, passaram despercebidas. Diferente das trocas de Cristóvão, que mantiveram a velocidade e o ritmo adquirido após o gol na frente. Guilherme ganhou o lugar de Luciano e empurrou Romero, que havia voltado pela esquerda, para a referência, abrindo Giovanni Augusto, poucos minutos depois substituído por Rildo. 

Mesmo avançado, o paraguaio manteve a tônica de movimentação em torno do ataque. Pelo lado aproveitou o erro na saída rubro negra para servir Guilherme. Também foi providencial no corta luz que terminou no gol de Rildo. Além de veloz para sair e terminar na frente de Rafael Vaz após o passe de Rodriguinho e matar o jogo. Grande atuação do improvável herói corintiano. 

Mas ainda mais improvável do que o show de Romero, foi o desfecho do jogo após o domínio inicial do Flamengo. Dono da bola e da proposta durante quase todo jogo, mas ineficiente na frente. Foram nove erros em catorze finalizações, contra oito acertos do Corinthians em quinze tentativas.

Vitória com goleada, que dá moral ao trabalho recém iniciado por Cristóvão, mas que não pode enganar, tendo em vista que existem alguns ajustes a serem feitos. Assim como Zé Ricardo não pode ser totalmente condenando após uma queda tão improvável, mas fica com a missão de manutenção no rendimento e melhor aproveitamento. 
Panorama do fim do jogo - Reprodução: Tactical Pad

Alemanha 1x1 Itália - Duelo de fibra e avanço da melhor seleção do mundo

Low fez uma mudança estratégica muito importante para o duelo contra a Itália. Desmontando o variante 4-2-3-1 e optando por uma formação com três defensores. Porque? Éder e Pellè ficariam no "mano a mano" com os zagueiros no sistema antigo, favorecendo o jogo direto da azzurra. 

O comandante alemão estudou o jogo italiano. Com Hummels, Howedes e Boateng atrás, tendo superioridade numérica no terço final, pôde liberar os laterais/alas para o jogo de amplitude como pontas. Kroos recuava para auxiliar na saída, dando mais uma opção, mas se aproximava de Ozil e Muller na frente. Porém, a lesão de Khedira fez o meia do Real Madrid se tornar o primeiro homem de meio, com Schweinsteiger mais avançado. Perdendo arremate e o passe no terço final.

Conte não conseguiu repetir a pressão alta que fez contra a Espanha, nem teve os espaços para jogar em transição de alta velocidade. Mas ainda assim não deixou de ordenar troca de passes, saída pelo chão... O volume alemão era muito grande, porém Parolo, Giancherrini e Sturaro "amararam" Ozil e Muller, que tentavam se mexer atrás de Mário Gomez, mas tinham pouco a bola.
No frame acima, os vinte e dois jogadores de linha. Alemanha com zagueiros armando o jogo e Itália completamente congelada no posicionamento - Reprodução: SporTV
Assim, a criação da atual campeã mundial ficou comprometida. "Sobrou" aos zagueiros armarem. Com posse, Hummels era o homem do lançamento. Foram dois, um para o gol anulado de Schweinsteiger e o outro para Mário Gomez que não teve domínio, isso só na primeira etapa. Comprovando o repertório altíssimo da melhor seleção da Euro. Também a solidez defensiva da mais aguerrida equipe desta edição, bem montada por Conte. Sem os talentos, mas com fibra de sobra. 
Pressão alemã no campo de ataque e Itália saindo em passes - Reprodução: SporTV
Mas a Alemanha tem um repertório muito grande, lembra? Num segundo tempo onde já era melhor, Mário Gomez foi cirúrgico ao sair da referência, atraindo atenção e abrindo espaço para o ataque de Héctor, no lance que terminou no gol de Ozil. Embora apagado, o meia do Arsenal foi importante na leitura da jogada. Inteligente taticamente. Os italianos não saíram de forma desordenada, mas subiram um pouco as linhas. Suficiente para arrumar uma falta que terminou no pênalti infantil de Boateng, concluído por Bonucci. 

Low perdeu Mário Gomez e com Draxler apostou na referência móvel, desta vez dupla, com meia do Wolfsburg se juntando a Muller. Ozil e Schweinsteiger apareciam do meio para os lados, dando suporte ao apoio dos alas. Mas nada que pudesse evitar uma equilibrada prorrogação e com novas mudanças. 
Panorama do jogo na reta final - Reprodução: Tactical Pad
Conte reoxigenou o lado com Darmian no lugar de Florenzi, depois a frente com Insigne na vaga de Éder, para alguma estocada em velocidade. Draxler e Ozil trabalharam mais abertos, com Schweinsteiger posicionado ao lado de Kroos e Muller mais avançado. Foi possível até ver uma última linha de cinco alinhada, o que pouco aconteceu durante o jogo, dando o domínio alemão. Equilíbrio em meio ao esgotamento físico. 
O desenho alemão na prorrogação - Reprodução: SporTV
Nos pênaltis, baixo aproveitamento e duelo monumental de Neuer x Buffon, - o melhor da atualidade contra o maior da história - vencido pelo arqueiro alemão com duas intervenções. 

Segue a campeã mundial, que travou um fibroso duelo contra uma seleção muito menos técnica e com menores alternativas, mas duríssima na queda, graças ao trabalho de seu ótimo comandante. Jogo de ideias diferentes e nível alto de disputa. Segue a melhor seleção do mundo e favorita ao tetra campeonato europeu.