Com intensidade e aplicação, Monaco derruba City e prova: é sempre melhor jogar

Aconteceu com o PSG na última semana e com o Sevilla em Leicester, os favoritos de seus confrontos pelo contexto. Aconteceu com o poderoso Manchester City de Pep Guardiola, em um jogo mais aberto é bem verdade. Porque as grandes noites de Champions League costumam ser implacáveis com quem aposta menos do que tudo na partida - o que pode ser uma postura covarde como a do Paris ou uma sonolenta como foi com espanhóis e ingleses. 

Leonardo Jardim ordenou pressão alta, intensa e incessante para roubar a bola perto do gol desde o minuto inicial. Mas, não afrouxou em outros setores. Onde havia um jogador do City com a posse, havia alguém ou alguns do Monaco fechando as linhas de passe, induzindo ao erro e tentando tomar a pelota de volta. 
Monaco pressionando o setor da bola - Reprodução: FS1
Com a posse, transição em alta velocidade! Bernardo Silva e Lemar fechando do lado para dentro e abrindo espaço para o apoio dos laterais, Germain - substituto de Falcão - e o ótimo Mbappé móveis no ataque e Fabinho conduzindo tudo de trás. Volume e chances empilhadas. Fosse na roubada de bola ou a partir da armação das jogadas. City assustado, sem sequência de jogo.  

Como nos gols do ótimo Mbappé e do multifuncional Fabinho. Em um primeiro tempo de domínio total do franceses. Mais intensos, mais variantes, mais rápidos e únicos em finalizações: seis a zero. O City de linhas baixas não conseguiu sair, triangular e agredir, ficou preso. Sofreu com o impeto do Monaco, mas poderia mais, igualando no minimo o anímico. Dava a impressão de estar cansado, amarrado. 
As linhas baixas do City na saída do Monaco - Reprodução: FS1
O sacode de Guardiola funcionou na volta do intervalo. Sem mexer nas peças, mas mudando o impeto, o City avançou as linhas, empurrou o Monaco para trás e começou a criar oportunidades. Sané e Sterling mais ativos pelos lados foram a chave do gol que dava a classificação. Finalização do inglês, defesa do goleiro e gol do alemão tudo pelas beiradas. A altura em que as estatísticas mostravam seis a um para os citizens em arremates - na etapa final. Melhora significativa. 

Com confronto mais equilibrado, o City sofreu pelo primeiro tempo completamente inerte, sofreu pelo todo, pelo contexto. Sete minutos separaram a euforia da queda, quando a bola cruzada área encontrou Bakayoko livre. Em outro erro de marcação do péssimo sistema defensivo do Manchester de Guardiola. Tônica nos dois jogos das oitavas e em boa parte da temporada.   

Havia pouco tempo para um desespero que pudesse acarretar em uma reação. Mais improvável ainda por todo o cenário. Mesmo com uma etapa final abaixo da inicial, o Monaco provou: é sempre melhor jogar do que especular. O sonolento e inerte City foi castigado pela intensidade e a aplicação francesa. 

A queda deve servir como reflexão para Guardiola e será fundamental na montagem do próximo elenco, cheio de debilidades. É sempre uma pena ver um técnico de primeira linha caindo tão cedo na Champions, na mesma linha que é ótimo ver o Monaco dos jovens - jogadores e técnico - seguindo. 

Dados estatísticos: UEFA.com

A coragem catalã e a covardia parisiense na tarde em que futebol reafirmou seu tamanho

Coragem é a grande palavra da classificação do Barcelona contra o PSG no Camp Nou, em uma tarde emocionante, que mostrou a força do imponderável no futebol. Coragem de se abrir em busca do resultado, coragem para acreditar quando tudo parecia possível e a vaga que se aproximou em um determinado momento, ficar distante. Coragem para escrever um dos maiores capítulos da história desse esporte apaixonante, que reafirmou seu tamanho na Catalunha, berço do melhor jeito de se praticar futebol na última década. 


Coragem de Luís Enrique, que há algumas rodadas na Espanha tem testado um 3-4-3, tentando diminuir a evidente dependência do genial trio de ataque. Nele, Neymar virou "ala", assim como Rafinha, que ganhou a vaga de Sergi Roberto, Messi se tornou um homem mais ao centro depois de duas temporadas como um ponta legítimo e Umtiti apareceu num trio de zaga no lugar do muito importante ofensivamente Jordi Alba. Algumas escolhas que até parecem loucura em um primeiro plano, que mas que eram importantes para empurrar os franceses para trás. 

Os primeiros minutos foram como o esperado: linhas avançadas, movimentação para gerir a posse e infiltrar, com muita pressão nos poucos momentos de bola perdida. Domínio total do campo ofensivo. Porque o PSG de Unai Emery compactou como deveria, mas diferente do previsto, esperou o Barça em seu campo. Num 4-1-4-1 que teve Lucas pela direita na vaga de Di María e Thiago Silva de volta a defesa no lugar do ótimo Kimpembe. Uma estratégia que poucas vezes funcionou em grandes noites de Champions. Porque o combate entre gigantes é quase sempre a melhor defesa. 

Provavelmente, subir as linhas e tentar um duelo franco nos primeiros minutos, pressionando alto, dividindo posse e diminuindo o ímpeto dos desesperados catalães, fosse mais correto, como era esperado. 

Os parisienses ficaram atrás e encurralados desde os primeiros segundos, deixando claro que gol inaugural era questão de tempo... E ele veio em muito pouco. Antes mesmo do segundo minuto de partida, Luis Suárez aproveitou a hesitação de Kevin Trapp e da defesa confusa e tensa para abrir o marcador. O susto durou por mais 15 ou 20 minutos, até o PSG conseguir ganhar campo com algumas bolas rifadas que encontravam Cavani e reter, mesmo que minimamente, a posse. Porque de trás, a transição com Verratti e Matuidi não existia e a saída com Rabiot era engolida pela superioridade numérica do Barça com quatro por dentro, saindo com Pique e contando com a projeção de Busquets. 
Reprodução: TV Globo.
Aos poucos o ímpeto catalão diminuiu de forma até que natural, até Kurzawa completar outra lambança do setor defensivo e mandar o Barça para o intervalo com a metade da missão cumprida e um plus gigantesco do ponto de vista anímico e mental. 

O Paris seguia sem existir no jogo, mal planejado e executado, dissolvido emocionalmente se tornou um time de uma postura covarde. Retraído como quem esperava pela sorte do relógio acelerar e o fim do jogo chegar ou uma possível imprecisão de um Barcelona faminto, que não precisou se desesperar. 

Em um dos únicos apoios de Meunier, a bola na trave de Cavani mostrou que o jogo poderia ser outro com uma postura mais arrojada e que os parisienses eram capazes de algo mais interessante na casa catalã. Veio o gol de Messi no discutível pênalti sobre Neymar. E a um gol do objetivo, o Barça se tornou uma geladeira. Tinha tempo, então se acalmou. Nada de aleatoriedade. Bola no pé e paciência para girar em busca da melhor opção de infiltração. Emery tentou mexer: com Di Maria na vaga de Lucas, os franceses cresceram e os espaços enfim foram aproveitados. Como no gol de Cavani, livre na grande área. Há 28 minutos do fim, os três gols de vantagem eram quase que garantia de classificação.
Com linhas baixas e compactas, o PSG ficou retraído por 80% da partida. Reprodução: TV Globo.
O time de Luís Enrique sentiu o golpe. O tempo havia ficado menor e o caminho mais longo. Arda Turan e Sergi Roberto apareceram nos lugares de Iniesta e Rafinha, já sem brilho no jogo. André Gomes entrou por Rakitic em busca de oxigênio ofensivo. Depois de alguns minutos sem qualquer oportunidade clara e um controle que parecia ser do PSG, que pôde diminuiu mais e até empatar com Cavani e Di Maria, Neymar recortou as distâncias em cobrança de falta e tomou para si o protagonismo da partida em sua reta final e decisiva. 

Restavam dois minutos mais os cinco de acréscimos e o pênalti inexistente de Meunier em Suárez, deu a Neymar e ao Barcelona a chance do último suspiro. E como num roteiro perfeito, a bola que 90% dos atacantes chutaria ou cruzaria sem direção, o brasileiro colocou nos pés de Sergi Roberto. Como Jordan, Federer, Manning ou Messi... Um arco perfeito para a flecha da classificação. O elemento surpresa do abafa catalão. O sempre improvável herói, de uma das maiores reviravoltas da história desse esporte. Que manteve êxtase e estado de choque aos que acompanhavam o feito pelas horas seguintes. Incredulidade máxima. 

O Paris pode sim reclamar de um pênalti duvidoso e outro inexistente, mas jamais poderá esquecer da sua atuação covarde. Um time completamente retraído e assustado com a grandeza do que defendia. Traçou uma estratégia mal planejada e executada. Não resistiu ao coração que pulsou mais do que o talento e a coragem de um Barça que ajudou a reafirmar o tamanho do futebol.

Esportes são os outros.

Reativo, Fluminense controla um Flamengo sem ideias, mas só vence nos pênaltis

A promessa de um jogo interessantíssimo na final da Taça Guanabara não demorou para se cumprir. Em menos de dez minutos, o Fluminense já havia aberto o placar um em letal contra-ataque, que teve como plus o desconcertante drible de Wellington Silva em Pará antes da conclusão, e o Flamengo já havia vazado a defesa de Abel pela primeira vez no estadual, após na indecisão entre o goleiro e a zaga que terminou no tento de Arão. 

Começo eletrizante que se estendeu por todo o primeiro tempo. Embate muito movimentado, mas longe de ser um jogaço apenas pelo largo placar e as emoções. Foram muitos erros de lado a lado, até naturais em propostas bem desenhadas, mas que ainda não podem deixar tudo. As falhas também foram a cara do jogo no Estádio Nilton Santos.

Como na virada do Flamengo com Everton no lance em que a defesa parou e viu Guerrero cabecear. Ou como na ruína que se tornou o setor defensivo Flamengo no lance do gol de Lucas, já após o empate de Henrique Dourado cobrando pênalti.
Fluminense postado em um 4-1-4-1 - Reprodução: SporTV
Fluminense mais reativo em um 4-1-4-1. Time compacto, próximo para defender, mas que não abdicou de atacar com boas triangulações e velocidade na transição com Wellington e Richarlison abertos, sem o lesionado Scarpa. Doglas deu lugar a Pierre e Orejuela foi jogar próximo a Sornoza. O armador moderno, que sai da linha de quatro para centralizar e conduzir o time, trabalha com passe, inversão e arremate. O venezuelano erá muito útil para o Fluminense que mistura ideias e joga de uma forma bastante moderna.
Triangulações do Fluminense - Reprodução: SporTV
O que não é diferente no Flamengo, mas que não funcionou para o time de Zé Ricardo na grande decisão. Os rubro negros conseguiram repetir pouco as triangulações, os apoios com posse e a pressão sem bola vista na última temporada e nas melhores atuações. Na transição defensiva, Mancuello e Everton deixaram a desejar e Trauco e Pará sentiram o poder da velocidade tricolor pelos lados. Espaços. 

Em tarde ruim de seus extremos e sem o brilho de Arão, preocupado com a marcação ao lado de Rômulo, Diego ficou solitário na armação dos lances. E a solução acabou aparecendo na bola cruzada na área.
Panorama do primeiro tempo da decisão - Reprodução: Tactical Pad.
Algo ainda mais presente na etapa final, quando Abel Braga segurou seu time, compactando e buscando controle da partida. Legítimo e inteligente com a vantagem no placar e a evidente "vantagem tática". Zé Ricardo foi pra aleatoriedade: FelipeVizeu para acompanhar Guerrero, com Gabriel e Berrio abertos. Diego veio trabalhar ainda mais atrás e como no primeiro tempo, ficou sozinho. Sem aproximação, não pôde triangular. Sobrava arriscar ou lançar. 
Flamengo sem a possibilidade de triangular - Reprodução: SporTV
No Flu, as entradas de Marcos Júnior, Marquinho e Calazans trouxeram um novo fôlego para marcar. O gol de Guerrero que decretou os pênaltis não veio de abafa, nem de pressão ou tão menos de bola alta. A linda cobrança de falta do cada vez mais completo atacante peruano salvou a tarde sem brilho, ou melhor: sem ideias do Flamengo. 

Dos pés de Rever e Rafael Vaz, o Fluminense viu a Taça Guanabara ficar pelo chute de Wellington Silva. Convertido como o gol do terceiro minuto de jogo, só que do lado oposto do Nilton Santos cheio com duas torcidas. 

Depois de um ano as escuras, o Fluminense recupera protagonismo e levanta o primeiro caneco, por mais simbólico que seja, entre os grandes brasileiros. A melhor notícia é que o time de Abel Braga tem um plano de jogo definido e é bem moderno, aproveitando o melhor de cada peça. A derrota do Flamengo não apaga a brilhante campanha e o belo trabalho de Zé Ricardo. Na verdade, as vésperas da estreia na Libertadores, a queda se apresenta como possibilidade de ajustes.
Panorama do segundo tempo - Reprodução: Tactical Pad.

A transição ofensiva do Liverpool e o erro capital de Wenger

O trabalho de Jurgen Klopp a frente do Liverpool é um dos mais bem feitos do continente europeu. Os reds tem um modelo de jogo muito bem definido, que a partir da bola trabalha alargando o campo, triangulando por dentro para explorar as entrelinhas do adversário ou o fundo com seus laterais superativos no ataque. As soluções ofensivas vem do jogo apoiado, com muita paciência na troca de passes sem perder a intensidade, e em especial uma transição ofensiva de alta velocidade. 

Foi assim no primeiro gol da partida contra o Arsenal. Posse no chão e alta velocidade após o lançamento de Mignolet, para chegar a meta de Cech. Poucos segundos do domínio, a condução até o passe de Mané que atravessou a área e encontrou Roberto Firmino. 
Transição ofensiva no primeiro gol - Reprodução: BBC
Tento que pegou a defesa dos visitantes de surpresa, mesmo que não fosse a partir de um contra-ataque ou uma jogada trabalha. Algo que de fato não poderia acontecer depois da estratégia pensada por Wenger. O longevo comandante sacou Alexis Sanchez, que havia participado de 25 (17 gols e 8 assistências) dos 54 gols do Arsenal na Premier League, declaradamente o melhor jogador da equipe, para apostar em Welbeck. A justificativa foi a busca por um jogo mais físico contra o veloz Liverpool. Fatal.

Porque não funcionou sem a bola, mas também não surtiu efeito com ela. Aliás, retomar a bola foi a reação quase que automática após o gol de Firmino. O Arsenal reteve a posse e tentou jogar, mas se viu impedido pela intensa marcação dos comandados de Klopp e também pela inercia em seus movimentos. Um time muito distante, sem possibilidade de triangulações para avançar no campo. Iwobi saindo da trinca com Coquelin e Xhaka tentou algo, mas sem o apoio de Welbeck e Chamberlain perdia sempre a bola.
Panorama do primeiro tempo - Reprodução: Tactical Pad
A transição ofensiva voltou a dar as caras para mostrar os movimentos de ataque do Liverpool. Enquanto Milner e Clyne alargavam o campo, Coutinho trabalhava entre o lado e o centro, na diagonal. Quando segurou o posicionamento e a marcação, Wijnaldum explorou, serviu Firmino que encontrou Mané livre do lado aposto para retribuir a assistência. Dois a zero com paciência na troca de passe para procurar o espaço, mas com agressividade para entender o momento de infiltrar.
Construção do segundo gol - Reprodução: BBC
Na volta do intervalo, a entrada de Alexis Sanchez trouxe impeto ofensivo e anímico ao time de Londres. Remodelado em um 4-4-2 com o chileno aberto junto a Iwobi e Welbeck no comando com Giroud. Enfim o time teve agressividade. Ponteiros armando, laterais ultrapassando e um volume que resultou no gol de Welbeck após passe do fundamental Alexis Sanchez. Um recado a Arsene Wenger.
O Arsenal do segundo tempo - Reprodução: BBC.
Com mais tempo de bola por alguns minutos e mais campo para jogar, os gunners viveram seus melhores momentos no jogo. Diferente da inerte posse que teve após o primeiro gol do Liverpool ainda na etapa inicial, conseguiu combinar a pelota nos pés com as chances de gol. A melhor delas com Giroud, que parou em Mignolet e no travessão em seguida.

Klopp foi ajeitando o time aos poucos e percebeu que era o momento de tirar a velocidade do jogo. Reter a posse, desacelerar as transições e defender de forma compacta se tornava a estratégia de momento do Liverpool. Conhecedor de seus momentos de oscilação na temporada e muitas vezes dentro de um mesmo jogo. Um time mais junto para encarrar o Arsenal reoxigenado com Walcott e Lucas Perez nos lugares com Welbeck e Giroud, agora num 4-2-3-1 com Iwobi de volta ao centro do campo. 

Mais do que tempo e impeto para buscar o empate, o que o time até teve, faltou uma estrategia mais bem pensada por Wenger. Um primeiro tempo pesado, sem mobilidade e com muita desatenção defensiva, contrastou com um Liverpool que soube viver cada momento do jogo e, ao fim, sacramentar o triunfo no contra-ataque de muita inteligência de Lallana e Mané, que terminou no gol do sempre presente Wijnaldum. Outra transição ultra veloz.

Marca da vitória do Liverpool no embate de gigantes contra o Arsenal que pede mais. Os Reds terminaram o jogo com 18 finalizações a sete, tendo sete a três em acertos. Com os 53% de posse de bola, 455 passes certos e o empate em 16 a 16 nos desarmes. 

Se o título está bem improvável, a caça pela acirrada vaga na Champions League é bem possível. Algo mais distante do Arsenal, que ficou em situação complicada em mais uma tarde mal planejada por seu técnico. A frase pode parecer velha ou até oportuna, mas ambos precisam de novos ares.  
Panorama do segundo tempo em Anfield - Reprodução: Tactical Pad.

City e Monaco fizeram o verdadeiro jogaço: com ideias de futebol e emoção!

Já se tornou senso comum e não faz pouco tempo: o jogaço é aquele que tem muitos gols ou lances de perigo. Basicamente emoção. Não precisar ser necessariamente bem jogado, mas tem de ter momentos "divertidos". É quase consensual. Não são maioria os que se preocupam com a qualidade acima de tudo e veem em placares mais magros - o que não é preponderante para o jogo ser ruim - um embate que sirva de espelho e possa ser lembrado como "modelo". 

Na terceira tarde de oitavas de final da Champions League, Manchester City e Monaco reuniram argumentos para justificar o que pode-se chamar de jogaço: ideias de futebol e muitas emoções. 

O Monaco de Leonardo Jardim mostrou o porquê do apelido de sensação da temporada. Dono do melhor ataque entre as ligas europeias e responsável por, até então, desbancar um PSG milionário e que parecia imbatível em sua liga, o time francês teve um início muito interessante em Manchester. Com suas duas linhas de quatro bem definidas, avançou a marcação na saída do City, mas compactou os setores e tirou o espaço quando necessário, sempre atacando o portador da bola para roubar e acelerar: 
Reprodução: FS1
Quando retomava, o jogo reativo que vem encantando: Bernardo Silva e Lemar muito incisivos a partir dos lados, com a armação do agora volante Fabinho de trás e a agressividade do jovem Mbappé. 18 anos de muita explosão e velocidade, com inteligência para participar do jogo o tempo todo e ser a flecha da lança do matador Falcão Garcia. 

Sem Gabriel Jesus, Guardiola manteve a estrutura que encontrou depois do momentos turbulentos e a lesão de Gundogan, o responsável pelo andamento do time: Yaya entre as linhas, Sterling e Sané abertos com De Bruyne e Silva por trás de Kun Aguero. Construção com posse e passe, como no "gol dos pontas" que abriu o placar. 

O tento não mudou o panorama do jogo que ainda era mais favorável aos visitantes. Com um maior nível de intensidade e mais bem postados, os franceses combinaram as estratégias para virar o jogo em apenas oito minutos. Primeiro Falcão a partir da pressão e do bom posicionamento ofensivo, depois Mbappé com velocidade para vencer Otamendi no jogo reativo. Superioridade em um primeiro tempo com 37% de posse de bola e apenas 92 passes completos, que teve a chance de se traduzir em larga vantagem nos pés do colombiano artilheiro... Que viu seu pênalti para na defesa de Cabalero. 
Reprodução: FS1
Com velocidade pelos flancos e o conhecido jogo de posição com muitas trocas de passe o City chegava, mas atrás tinha de se preocupar com sua transição defensiva. Lenta e que deixava o time sempre exposto. Uma ruína, que não segurou o empate de Sergio Aguero por mais do que três minutos e viu Falcão marcar um golaço sobre o decepcionante Stones. 24ª do atacante na temporada, que indica ter voltado a melhor forma. 

Guardiola reagiu tirando o perdido Fernandinho, que variava lateral e centro, para colocar Zabaleta mais fixo pelo lado, algo que deveria ter feito desde o começo. Assim como Leonardo Jardim deveria ter abaixado as linhas de seu time, compactando seus setores e blocando a marcando na pressão do City que nem precisou ser aleatória para conseguir a virada em seis minutos. Duas cobranças de escanteio na área, das quais Guardiola não gosta nem um pouco. Dois gols... E um Monaco que fazia tudo certo, entrando em transe. Acabou o gás de Mbappé, Lemar e Bernardo Silva, os motores do time francês. Assim com o meio forte de Fabinho e Bakayoko cansou. 
Panorama do jogo no Etihad - Reprodução: Tactical Pad.
Senha para o experiente e mais inteiro City sacramentar a vitória ao melhor estilo Guardiola. Movimentação e troca de passes de primeira: gol do ótimo e cada vez mais adaptado Sané. 

Sem uma atuação sólida, mas com poder de reação, o City terminou o jogo com 61% de posse de bola e seis finalizações certas em oito, mesmo número de acertos do Monaco, que, porém, tentou 15 vezes acertar a meta de Cabalero.

Diferentes modelos de jogo, mas em comum ideias de futebol para disputar e construir, com emoção e muitos gols, um verdadeiro jogaço. Manchester City e Monaco travaram um duelo de altíssimo nível... Fica a expectativa para mais um jogaço no confronto aberto do jogo de volta.

Dados estatísticos: UEFA.com

O show do PSG! Atuação coletiva e de alta intensidade para destruir o Barça apoiado no MSN.

Quem não quer um ataque formado pelo tridente Messi, Neymar e Suarez? Uma frente ofensiva que desde a chegada ao Barça marcou nada mais nada menos do que 320 gols em duas temporadas e meia jogando juntos, faturando duas Ligas Espanholas, duas Copas do Rei, uma Champions League e um Mundial de Clubes entre os títulos mais importantes, além de devorar recordes e alçar o clube catalão a outro nível!

Juntos os três reforçaram o jogo bonito do clube espanhol, historicamente ligado a seu modelo de jogo coletivo. De onde vem também o brilho dos três meias, responsáveis por fazer o time andar, os regentes da orquestra. Porém a temporada 2016/17 é de queda dessas peças. Busquets não vive sua melhor fase e não consegue ser o centro pensante do meio campo, Iniesta se lesionou demais e não conseguiu uma sequência, e Rakitic viu sua produção cair de forma incrível e o banco de reservas se tornar uma realidade.


Sem o melhor nível desses pilares, o Barça perdeu sua força coletiva e, ao mesmo tempo, Luís Enrique se apoiou na individualidade do genial trio para resolver seus problemas. Deu certo em vários jogos da Liga Espanhola, mas em um confronto de alto nível a não solução desse problema cobraria seu preço. 

Com foi em Paris, contra um faminto PSG. Unai Emery ordenou pressão alta e incessante nos minutos iniciais. Sufocando a saída do time catalão, recuperando e acelerando a transição, tanto com a bola em posse, quanto a partir da retomada. Chegada de Matuidi e Verratti de trás, verticalidade nos movimentos de Di María e Draxler a partir do lado e muita mobilidade com Cavani na referência do 4-1-4-1 do técnico espanhol. O prêmio a pressão e o claro domínio veio com o gol de Di Maria batendo falta, já depois de boas defesas de Ter Stegen
Flagrante da pressão do PSG na saída do Barcelona, que resultou no gol de Draxler. - Reprodução: FX1
Assustado, o time de Luís Enrique tentou colocar a bola no chão, avançar as linhas e criar oportunidades a base de alguma associação. Cresceu um pouco Neymar, mais preso à esquerda com André Gomes - substituto de Rakitic - do lado oposto, duas linhas mais claras para deixar Messi solto atrás de Suarez. Apesar do bom lance do brasileiro que terminou no gol perdido pelo português, um Barcelona completamente inerte e entregue a atuação volumosa do Paris Saint Germain, que também contou com a solidez de Marquinhos e o do jovem Kimpembe, de atuação gigante, no sistema defensivo. 

Guiado pela distribuição precisa de Verrati e a velocidade nas transições de Matuidi, os franceses ampliaram com Draxler, no passe do meia italiano que abriu as linhas de marcação com condução e muita facilidade após a pressão de Rabiot (como mostra o flagrante acima). 

A tentativa desesperada do Barcelona de sair para o ataque e diminuir a vantagem dos parisienses deu campo ao time da casa. Espaço para velocidade do PSG em retomada contra uma defesa aberta que foi fatal. Como no golaço de Di María e na definição com a marca do camisa nove de Cavani, após a jogada de Meunier completamente livre. 
Flagrante da marcação completamente entregue do Barcelona no gol do PSG - Reprodução: FS1
16 finalizações contra seis, com 10 acertos no gol contra apenas um. 48 bolas recuperadas a 37, além de oito quilômetros percorridos a mais (113 a 105). Números que ajudam a dar uma pouco da dimensão do que foi a superioridade do Paris Saint Germain na partida contra o Barcelona. 

É óbvio que os quatro a zero assustam e dizer que a tragedia catalã era esperada pode soar um pouco oportunista agora. Mas assim foi! O  show do PSG começou na sua atuação de alta intensidade e poder coletivo e terminou na ruína que o Barça se tornou como time, totalmente dependente do trio MSN, ausente na noite fantástica dos parisienses. 

Dados estatísticos: UEFA.com
Panorama do jogo em Paris - Reprodução: Tactical Pad

O jogo de ideias entre Ceni e Diniz e a natural vitória do mais pronto

A chegada de Rogério Ceni ao comando técnico do São Paulo trouxe muita expectativa. Não só pelo que o ex-goleiro e maior ídolo da história do clube representa para o torcedor e a comunidade do futebol, mas também por tudo que propôs desde sua chegada. Modernidade nas ideias de futebol e preparação. Algo muito necessário por aqui. 

O agora comandante do time do Morumbi, bebeu na fonte de Osório, um de seus últimos treinadores da carreira e com quem declaradamente avançou seu pensamento sobre futebol, e Sampaoli, com quem passou um período no futebol europeu.

De ambos, trouxe ao São Paulo a marcação por pressão incessante e as linhas altas para diminuir o raio de ação oposto, quase que sufocando o adversário para roubar a bola perto do gol e encurtar o caminho a meta adversária. A linha defensiva no meio campo e quatro ou cinco jogadores marcando o portador da bola foi algo muito visto nos primeiros minutos oficiais de Ceni. 
A pressão alta do São Paulo na saída de bola do Audax - Reprodução: Premiere
Porém, do outro lado o Audax de Fernando Diniz não sentiu nem um pouco essa pressão tricolor. Trabalhado em um modelo bem peculiar há pelo menos quatro temporadas, e mesmo sofrendo várias baixas, o atual vice campeão estadual manteve o estilo. Muita movimentação e troca passes para fugir da pressão e criar oportunidades. 

Destaque para os "cabeças de área" do 5-4-1 que se transformava com a bola em um esquema com muitas opções de passe. Léo Artur e Pedro Carmona, meio campistas de toque de bola e condução, trabalhando a transição ofensiva desde a defesa. Como no segundo gol, um golaço, marcado pelo camisa 11. Pouco tempo depois que o time de Osasco já vencia após a lambança da defesa tricolor. 
Reprodução: Premiere
Ironicamente o jogo mudou para o time de Ceni a partir da lesão de Wellington Nem, grande contratação para a temporada e jogador com o maior poder de romper linhas com a bola dentro do jogo. Parecia uma baixa quase insuperável dentro do panorama de derrota por dois a zero desde os dez minutos. Cícero entrou e empurrou Cueva do centro para a ponta. O São Paulo ganhou velocidade na troca de passe e a possibilidade de criar chances, o que não acontecia até então. 

Mais próximo e intenso nos movimentos e nos passes, o time do Morumbi chegou ao empate com Chavez, duas vezes. A primeira no passe de Cueva e a segunda no toque de Rodrigo Caio, ambas entre as linhas do Audax. Aliás, o zagueiro que voltou a ser volante, comanda a frente da defesa com bom posicionamento e passe, mas que não tem um substituto a sua altura para formar dupla com Maicon. Um pequeno ajuste que Rogério terá de fazer.
Panorama do primeiro tempo em Barueri - Reprodução: Tactical Pad. 
Com o empate e um plus de confiança, o São Paulo voltou a impor pressão alta e incessante. O argentino Chavez retomou duas bolas no terço final, mas desperdiçou a chance de virar e até mesmo colocar os visitantes em boa vantagem. O castigo veio poucos minutos depois, no único escanteio do Audax no jogo. 

Atrás no placar, Ceni sacou o hesitante Douglas para dar lugar a João Schmitd, outro volante de muita qualidade no passe para distribuir o jogo. Posicionado como primeiro homem do meio, empurrou Rodrigo Caio, que já formava quase que um trio a alguns minutos, para a defesa de uma vez. Depois, o extenuado Chavez deu lugar a Gilberto, em busca de um novo fôlego na referência.

Enquanto o São Paulo se lançava ao ataque, Diniz armava seu contra-ataque em velocidade. Matheus Vargas e Gabriel Leite abertos nas vagas de Ytalo e Denilson, com Hugo então na referência de um Audax que dava a bola ao São Paul, jogava em 30 metros compactos e tentava sair em velocidade. Deu certo quando Buffarini derrubou Gabriel e Pedro Carmona marcou o quarto para matar o jogo. 
Panorama do segundo tempo em Baruei - Reprodução: Tactical Pad.
Com Cícero povoando a área, Ceni tentou uma pressão com cruzamentos para diminuir. Foram 24 centros e apenas 10 acertos, além de 27 finalizações com 10 conclusões a meta de Felipe Alves, contra sete certas em doze do Audax - mais do que o dobro. Porém pouca efetividade para tonar as chances reais em bola na rede. 

O trabalho do agora técnico do São Paulo é complexo. Demanda tempo, pratica e correção dos erros para aperfeiçoar. A vitória de Diniz com seu modelo proposto e executado há alguns anos é natural. No jogo de ideias, venceu o mais pronto. 

Dados estatísticos: Footstats.net

A incrível solidez do Chelsea e a alta intensidade do Liverpool no jogo com a cara da Premier League

Há um mês você leu aqui: "Intensidade, controle e melhor execução do modelo, os trunfos de Klopp sobre o City". A vitória do Liverpool baseadas em pilares que se tornaram a cara do time e mostravam um possível perseguidor ao imbatível Chelsea naquele momento da competição.

Porém, passaram-se quatro rodadas e desde então o Liverpool não venceu mais. Dois empates e duas derrotas na Liga, somados a duas eliminações em Copas nacionais, ambas em seus domínios.

Motivos para baquear, mas não para mudar o estilo dos comandados de Klopp. De um nível de entrega e intensidade absurdo desde o início do jogo em Anfield. Pressionando a saída do Chelsea de forma incessante e com o maior número de jogadores próximo ao portador da bola possível, fechando as linhas de passe próximas, para não oferecer o desafogo ou uma possibilidade de saída. O famoso gegenpressing alemão.
Quatro homens pressionando a saída de bola de Matic e outros três fecham as linhas de passe próximas - Reprodução: ESPN +
Com a bola, intensidade mantida para gerir a posse. Laterais dando amplitude, pontas trabalhando por dentro como opções nas entrelinhas e meias apoiando para oferecer o passe, além de uma ou outra infiltração. Porém, mesmo com todo o volume, abrir a defesa de Conte na variação do 3-4-3 pra um linha defensiva de cinco era um desafio cansativo, tanto do ponto de vista físico, quanto mental. Não foi de sucesso na etapa inicial. 

Como de costume, as linhas de Conte foram muito bem coordenadas, balançando com perfeição e esperando o erro do adversário, fosse no passe ou na tomada de decisão em romper o muro azul comando por David Luiz na sobra da defesa. Na retomada, transição em bola longa, esperando Willian ou Hazard na velocidade e Diego Costa na força física. Mesmo sem conseguir igualar o jogo os blues abriram o placar na veloz e bonita cobrança de falta do zagueiro brasileiro que morreu no fundo do gol... E pegou todos de surpresa.
Chelsea marcando com suas linhas bem próximas no 5-4-1 e Liverpool se mexendo para conseguir a transição ofensiva. - Reprodução: ESPN +
Desafio ainda maior para um Liverpool que precisava romper, mas não tinha a melhor noite de Lallana e Coutinho. Além da maior comodidade do Chelsea dentro do contexto que se mostrava favorável. Os reds haviam feito Courtois trabalhar apenas uma vez até Firmino perder um gol cara a cara com o goleiro belga, sem a incessante marcação por perto... Parecia a última chance clara. Até que Milner ajeitou um cruzamento para a área e o desvio de Moses matou a zaga. Empate de Wijnaldum!

A partir do empate do Liverpool, os visitantes abriram um pouco sua guarda. Era possível trocar alguns golpes com os reds e se defender de forma sólida, pois a intensidade adversária também não era a mesma. Pelo corredor direito, Moses chegou duas vezes e balançou a trave em uma oportunidade.

Apagados, os protagonistas Coutinho e Hazard deixaram o campo para as entradas de Mané de volta da Copa Africana de Nações e Pedro. Reativar a velocidade pelos lados com diferentes funções era o objetivo de ambos. Ainda assim, a bola longa, marca do Chelsea em muitos momentos da campanha, terminou no pênalti sobre Diego Costa, que acabou defendido por Mignolet.

Com um ritmo bem menor, Conte reforçou o meio com Fabregas e ganhou um argumento na transição. Suficiente para os blues dominarem o jogo nos minutos finais depois de um jogo inteiro de alta intensidade dos mandantes. Que ainda tiveram na cabeça de Firmino a última chance. A terceira finalização certa em sete que o Liverpool tentou. Domínio combinado com intensidade, que rendeu 62% de posse e mais de 630 passes certo. Mas que esbarrou no muro de 24 bolas roubadas e uma solidez impressionante.

Marca deste Chelsea cada vez mais próximo do título da Premier League, no jogo que teve sua cara.
Panorama tático do segundo tempo em Anfield. 

Real Madrid domina o meio-campo e atropela Sevilla de Sampaoli

Credenciado por uma invencibilidade de 37 jogos e três conquistas em 2016, o Real Madrid iniciava o ano sem muitas de suas peças principais para o duelo com o Sevilla na Copa do Rei - algo natural em grande parte das Copas espalhadas pelo velho continente. Keylor Navas, Benzema e Cristiano Ronaldo poupados, Pepe, Sergio Ramos e Bale machucados, além de Kovacic e Lucas Vázquez, não titulares, mas peças muito úteis, fora. 

Se apresentava para Jorge Sampaoli uma grande oportunidade. Dono de um belo trabalho na primeira metade da temporada, quando se manteve no G-4 da Liga Espanhola e chegou as oitavas de final da Champions. Não só pelos desfalques do adversário, mas também por suas boas atuações e as não tão boas do Madrid de Zidane. Que apesar da invencibilidade não jogava de fato bem. 

A ideia era controlar o meio, por isso N'Zonzi a frente da primeira linha, homem de passe e saída de bola, com Iborra, Ganso, Nasri e Vitolo por trás do móvel Correa. Meio campo que poderia se mexer bem, mas que acabou pouco efetivo na transição ofensiva. A equipe de Sampaoli tentava construir a base do passe, mas sem aproximação dos homens de centro (Nasri-Ganso) não conseguia. Então tentava roubar para criar a partir da recuperação e um possível Madrid bagunçado. 


Porém muito diferente do esperado e do que é tônica na maioria dos jogos do time de Zizou na temporada, seu 4-3-3 clássico defendeu de forma muito compacta. Contando com o apoio de James e Asensio pelos lados para fechar o centro com Modric, Kroos e Casemiro. Quando de posse da bola, padrão: laterais espetados no ataque, pontas trabalhando por dentro nas entrelinhas com o alemão e o croata gerando jogo a partir do centro. Paciência para girar e buscar a melhor oportunidade de infiltrar. Kroos no passe, Modric na progressão. Recital dos meias que comandaram o meio de campo. 

Sem sucesso na sua transição de pé em pé, o Sevilla via o Real Madrid dominar o meio campo. Então a estratégia era jogar a partir da retomada, algo que também não conseguiu, porque o time de Zidane recompunha com muita velocidade, fechando os espaços e negando possibilidades ao adversário. 

Mesmo propositivo, o Real Madrid marcava alto, tentando recuperar a bola no campo adversário e criar chances assim. Foi como nasceu o primeiro gol:

O segundo com Varane e o terceiro, também de James, vieram ao natural. Um Real Madrid muito superior, além de dominar as ações e os espaços, foi bem efetivo nas oportunidades que criou. Três gols em quarenta e cinco minutos, fizeram da etapa final um tempo pra lá de comodo para o time treinado por Zidane.

Sampaoli voltou do vestiário sacando um perdido Ganso, que só correu atrás de Marcelo e Kroos, centralizou pouco e ajudou menos ainda nas transições. Com Sarabia, desenhou um 4-2-3-1 mais claro na etapa final, com Iborra, que minutos depois daria lugar a Krannevitter, ao lado de N'Zonzi. 

A base da queda do Madrid, que tentou administrar o jogo e deixar o tempo passar, o Sevilla ganhou campo e teve um pouco mais de consistência. Também melhor distribuído. Mas, de difícil julgamento, tendo em vista que seu adversário não manteve o ritmo. 
Real Madrid bem compacto num 4-1-4-1 | Reprodução: Directv Sports 
Aos poucos Zidane também foi mexendo. Isco no lugar de Asensio, Danilo na vaga de um ovacionado James e Mariano no lugar de Morata. Sem nunca desfazer o desenho tático, nem perder o padrão. Um time bem próximo, ditando o ritmo mais lento ao jogo para assegurar o triunfo.

Se o contexto de um Real desfalcado e com um acumulo de atuações ruins dava boas possibilidades ao Sevilla muito bem trabalhado por Sampaoli, o jogo mostrou um time que cresce, como é de sua história, em grandes jogos. Foi assim contra Atlético, Barcelona e Borussia na temporada. Não são 38 jogos de invencibilidade a toa. O Madrid de um dominante meio campo começou o ano dando as caras. 

Intensidade, controle e melhor execução do modelo, os trunfos de Klopp sobre o City

Fechando um ano de muito futebol, nada menos do que um duelo entre Jurgen Klopp e Pep Guardiola. O primeiro depois de épicos e muito táticos encontros na Bundesliga com Dortmund e Bayern. Com dois dos técnicos que encaminharam a revolução pela qual o esporte passa nos últimos anos. 

E quem acompanhou de perto a trajetória de ambos, não poderia esperar menos do que um duelo de xadrez. Sem Coutinho, ainda se recuperando de lesão, Klopp apostou em Emre Can. Ao lado de Wijnaldum e a frente de Henderson, para liberar Lallana para jogar aberto no 4-1-4-1, o alemão foi peça chave. 

Mas antes mesmo que as cartas estivessem na mesa, o centro de Lallana foi providencial para Wijnaldum abrir o placar. Era apenas o oitavo minuto de jogo. 

Mesmo assim, o gol não fez o ritmo dos donos da casa cair. O Liverpool manteve alta intensidade na marcação, pressionando alto quando preciso, mas também fechando os espaços para dificultar a troca de passes e a circulação do City. O jogo encaixou, porque os donos da casa preferem correr com a bola, em retomada, transição. Já os visitantes querem envolver a partir da posse.
Liverpool compactando duas linhas de marcação com Henderson entre elas. Dificuldade para o City trocar passes - Reprodução: ESPN Brasil. 
Com Yaya Touré e Fernandinho a frente da defesa e os meias circulando por dentro, abrindo espaço para a amplitude dos laterais, o City teve muita dificuldade na saída de bola desde seu campo. Silva e De Bruyne não auxiliavam os volantes, que encaixotados pela ótima marcação do meio campo de Klopp, não conseguiam iniciar a transição ofensiva. A bola acabava rifada ou lançada... Devolvida para o time da casa controlar as ações. 
Saída encaixotada do City sempre acabando em lançamentos - Reprodução: ESPN Brasil. 
Com 42% de posse de bola, controle foi a palavra do Liverpool no primeiro tempo. Alternando pressão alta com linhas curtas e próximas, mas sempre visando a retomada para acionar Mané, Lallana ou até mesmo Firmino, muito móvel e útil a partir da referência. Tentando ter superioridade numérica e intensidade em todos os espaços. 16 a 8 em desarmes mostram parte da estratégia e execução mais bem alinhada dos mandantes. 

Mesmo com muito pouco de Sterlling nas diagonais e Aguero avançado, além dos nada efetivos Silva e De Bruyne em todas as fases no centro, Guardiola apostou na conversa do vestiário para melhorar o City. Sem alterações. O time de Manchester se distribuiu melhor em campo, deixando apoios mais claros e a possibilidade de uma maior circulação... Mas, também contou com um impeto menor do Liverpool. Menos agressividade para marcar, quase nenhuma pressão alta. Guardando mais sua área e dando jardas para os visitantes trabalharem.
City se movimentando mais, aumentando a circulação da bola - Reprodução: ESPN Brasil 
Mesmo com campo e "espaço" o City esteve longe de relembrar jogos de alta intensidade e criatividade, além de aproveitar muito pouco seu volume ofensivo e as chances que teve. No total, apenas duas finalizações certas em cinco no segundo tempo, contra apenas duas - nenhuma na meta -, do Liverpool. 

Com a lesão de Henderson, Klopp trouxe o polivalente Can para o centro, com Lallana por dentro e Origi aberto ao lado de Firmino e Mané. Reoxigenando um time que iria correr atrás do adversário nos minutos finais. Verdade como a certeza de que Guardiola demorou para mexer, sacando o inócuo e pouco intenso Yaya Touré para a entrada do veloz Navas e depois Iheanacho no lugar de Zabaleta. Tentativa reorganizar um time que não passava pela sua melhor noite, já na casa dos 40' da etapa final. Sem qualquer resposta.

2016 acaba com mais dúvidas do que certezas para Guardiola, hoje oito pontos atrás do Chelsea de Conte, cada mais vez imbatível. O catalão se vê num dilema inédito em sua carreira. Caberá, de momento, ao Liverpool correr atrás do título. A vitória sobre o City não foi um espetáculo, mas mostrou um time intenso, que soube controlar e executar seu modelo. Mostrou a ideia e o trabalho de uma equipe que essencialmente pode lutar pelo título, embora neste momento ele pareça distante. 

Que 2017 seja mais um ano de muito futebol! 

Dados estatísticos: Premier League.