O massacre do Arsenal, com proximidade, mobilidade e intensidade

Há uma semana você leu aqui que um Chelsea "sem meio campo" foi completamente envolvido pelo Liverpool.  Pensando na reação na tabela e dentro do jogo como time, Conte apostou em Fàbregas ao lado de Matic e a frente de Kanté, em seu tradicional 4-1-4-1 desde que chegou aos blues, no duelo contra Arsenal no Emirantes. 

Do outro lado, Wenger também deu sequência ao que vinha praticando na atual temporada. 4-2-3-1 com Sanchez como "falso nove", dois extremos de alta velocidade e incisividade (Walcott e Iwobi) com Ozil centralizado para reger as ações ofensivas. Além deles, a boa chegada de trás de Cazorla e do ótimo Bellerín no corredor direito. 

O jogo ainda era estudado e o controle dividido quando Sanchez pressionou a saída de Cahill, contou o erro do zagueiro e abriu o placar encobrindo o gigante Courtois. Golpe que desestabilizou o Chelsea e foi a senha para o gol de Walcott poucos minutos depois. Alta rotação, com proximidade para troca de passes e novo erro defensivo na cara do gol: 
No lance do gol de Walcott, Arsenal bem próximo e intenso na troca de passes - Reprodução: ESPN Brasil 
Ótima vantagem, que antes mesmo dos 20 minutos de jogo em Londres, condicionava a partida até o seu final. Os azuis tentaram sair com alguma estocada de Willian e Hazard pelos lados, ou até mesmo Diego Costa brigando na frente. Mas foi muito pouco. Novamente, faltou criação de trás. Fàbregas e Matic foram, outra vez, peças nulas no meio campo. 

Como golpe final antes do intervalo, Ozil puxou o contra-ataque do campo de defesa e com a retaguarda do Chelsea pra lá de exposta, tabelou com Sanchez antes de marcar o terceiro. Destaque negativo para David Luiz e Cahill, muito inseguros e exitantes na partida, mesmo com o sistema trabalhando para negar espaços. Comprometeram com mal posicionamento. 
Panorama do primeiro tempo em Londres - Reprodução: Tactical Pad. 
Conte voltou do intervalo avançando Fàbregas para o centro de uma nova linha de três que desenhava com os extremos, tendo Matic e Kanté mais atrás. Durou dez minutos, porque sem resposta do time em campo, o italiano resolveu mudar de uma maneira mais drástica. Marcos Alonso no lugar de Cesc em um desenho que lembrou a Juve e a seleção da Itália dos últimos anos.

Mudanças de Conte que foram pra lá de contestáveis e geradoras de muito debate. Claramente o comandante ainda busca uma identidade a esse Chelsea, que a medida em que passou os jogos, foi encontrando mais e mais defeitos. Começando na insegura dupla de zaga, mas passando pelo pouco poder de marcação e criação dos meias e a baixa intensidade dos jogadores de frente. 
3-4-3 do Chelsea após as mudanças de Conte - Reprodução: ESPN Brasil 
Sem reação dos blues, mesmo com as mudanças de seu comandante, o Arsenal, de jogo controlado, resolveu esperar. Compactou suas linhas no campo defensivo, tirou o espaço, controlou com passes quando de posse de bola. "Não quis mais" num clássico definido na etapa inicial. 

Muitos pensaram que Wenger poderia avançar o time, tentar golear e humilhar seu adversário. Seria uma estratégia válida também. Mas o comandante, que completa 20 anos a frente do Arsenal nesta semana, dosou as energias pesando nas próximas partidas. Confronto com Basel no meio da semana e Burnley na próxima rodada da Premier League.
Arsenal mais compacto, controlando o jogo com a vantagem - Reprodução: 
Massacre dos gunners, que em sua essência teve três palavras chave enquanto a disputa foi inteira: proximidade, mobilidade e intensidade. Adjetivos neste time tão oscilante de Wenger, que para tentar uma luta mais franca com Guardiola e seu "imbatível" City, precisa de mais um: consistência! 
Panorama da etapa final - Reprodução: Tactical Pad

A estratégia de Cuca e a passividade de Cristóvão

Cuca chegou a Itaquera com três atuações ruins em sequência, desfalques e alguma desconfiança com relação ao desempenho coletivo do time. Do outro lado, Cristóvão tinha problemas semelhantes, mas duas diferenças fatais: não era o líder da competição e o desempenho ruim do time era certeza, não apenas desconfiança. 

A tentativa de subir as linhas e trabalhar a posse que beirou os 60% próxima a meta de Jaílson caiu após quatro minutos, quando o contra-ataque - que nem precisou ser tão rápido assim - terminou no gol de Moisés. 

Senha para o Palmeiras trabalhar sua estratégia de forma tranquila. 4-1-4-1 de sempre, porém bem mais reativo. Erik na vaga de Róger Guedes para o rápido "vai e vem" pelo lado, Leandro Perreira para o lugar de Gabriel Jesus e Egídio na esquerda, depois da partida ruim de Zé Roberto na quarta. Nada de ultra compactação projetando a saída pelos lados ou centro com Tchê Tchê. Os encaixes de Cuca estavam lá, permitiam ao Corinthians os espaços, mas o time de Cristóvão de zero repertório não conseguia aproveitar. 
Palmeiras encaixando a marcação e Corinthians distante, com pouco possibilidade de transição ofensiva - Reprodução: Premiere
A cautela na escalação derrubou o meio campo alvinegro. Com a bola, Cristian e Camacho, homens mais fixos e bem perseguidos, não davam qualquer ritmo a transição. Outro bem vigiado na tônica de marcação individual verde era Rodriguinho. De poucos toques e avanços. Abertos, Lucca e Marlone não foram incisivos, tão menos ajudaram os de dentro e como consequência, Gustavo ficava totalmente isolado na frente ofensiva. Time distante, disperso, sem criação e nem jogo gerado. 
Panorama do primeiro tempo em Itaquera - Reprodução: Tactical Pad
Romero veio como solução na vaga de Lucca, invertendo com Marlone na ponta direita. O ataque corintiano era pouco veloz, mas não era o maior problema em Itaquera. O meio seguia distante. Ainda assim, o time de Cristóvão conseguiu avançar e abafar o Palmeiras. Pouca estratégia, com impeto definido pela postura do time de Cuca, que se resguardou e saiu para aproveitar apenas na bola alta. 

Edu Dracena, Leandro Perreira e Mina, todos através de cruzamentos, apontaram o caminho e a ideia. Até que o próprio defensor colombiano ampliou o placar depois da falta que custou o cartão vermelho a Léo Príncipe. Força na bola parada que também marca a campanha alviverde.

Senha para o descontrole corintiano, que já com Marquinhos Gabriel em campo tentou avançar aos trancos e barrancos, deixando espaço para o Palmeiras voltar a contra-atacar a base de velocidade e beliscar uma goleada no dérbi. 
Panorama final em Itaquera - Reprodução: Tactical Pad. 
A derrota que por pouco não se tornou vexame, custou o cargo de Cristóvão Borges. Absolutamente passivo frente ao que se tornou o jogo desde os primeiros movimentos. Sem ideias para mudar o panorama. Somado a isso, um desempenho assustador apesar do quinto lugar. Um time sem cara, que involuiu após a saída de Tite. Para o Palmeiras, a vitória no clássico fecha um dura sequência, de 11 pontos em 15 possíveis contra Flu, São Paulo, Grêmio Flamengo e Corinthians. Longe de ser brilhante, contou com uma estrategia bem executada no clássico. Segue na rota do título nacional. 

O vazio no meio-campo do Chelsea permitiu o passeio de 45 minutos do Liverpool

O embate entre Chelsea e Liverpool no Stamford Bridge era de elevada expectativa, não só pelos grandes times, mas também pelo duelo à beira do campo. Nada mais, nada menos do que Antônio Conte frente a Jurgen Klopp, dois dos melhores técnicos da atualidade. A única certeza prévia era de um confronto de muita modernidade no gramado londrino. 

Os primeiros movimentos do jogo já deixaram claras as propostas dos times. De lado a lado alta compactação, concentração e intensidade. Pouco espaço para a ação contrária, mas ideias diferentes com a bola e também para retomar ela. Enquanto o Chelsea cercava e encurtava o espaço, o Liverpool subia a marcação com pressão alta e sufocante. A missão com isso era dupla: roubar perto do gol ou obrigar o adversário a rifar.
A pressão do Liverpool na saída do Chelsea. Courtois fica sem opção e rifa a bola - Reprodução: Premier League
Quando conseguia manter a bola ou sair da pressão do Liverpool em passes, o Chelsea valorizava a posse. Mas a transição era falha, porque o time estava espaçado para atacar e com isso não conseguia triangular. Matic e Oscar distantes de Kante e com isso a bola morrendo na segunda pressão do time de Klopp no meio campo.
Matic tentando iniciar a transição, mas sozinho só tinha opção de passe para trás - Reprodução: Premier League
Na retomada, os reds aceleravam com boa movimentação. Coutinho e Mané abrindo os lados para o avanço dos laterais, Wijnaldum e Lallana apoiando e até Henderson para uma possível sobra - como no golaço que marcou pouco depois de Lovren abrir o placar. A ideia de ter um time bem avançado no momento ofensivo, também faz parte do gengenpressing de Klopp, a pressão para retomar a bola logo que perdida, de forma incessante, em qualquer lugar do campo. 

O domínio dos comandados de Klopp transcendeu o placar. 54% de posse, oito finalizações com quatro acertos, mais de 270 passes certos e 12 desarmes nos primeiros quarenta e cinco minutos de total autoridade em campo. 
Seis homens do Liverpool no terço final, sete do Chelsea. Caso a bola saia do controle vermelho, a possibilidade de retomada com pressão é grande. - Reprodução: Premier League
Conte confiou em suas orientações na volta do intervalo, pois não mudou para corrigir o posicionamento de seu meio-campo, numa possível tentativa de conseguir um jogo melhor e mais criativo. O Chelsea de fato avançou, pressionou e até diminuiu o placar com Diego Costa em uma linda jogada de Matic.

Mas, o panorama mudou mais pelo placar e o impeto de lado a lado, do que por mudanças no movimento ou posição. Tanto que depois do gol, os donos da casa seguiram chegando no abafa, mas com pouca qualidade e investimento em triangulações e transições que pudessem abrir a porta do empate. 

Com muito tempo de atraso, Fàbregas apareceu no centro do campo. Além do meia que podia gerar jogo e coordenar transições por dentro, Mosés e Pedro para dar velocidade pelos lados, com Hazard então no centro. Não à toa, Klopp reforçou por dentro com Lucas Leiva. Pouco tempo para mudar o panorama ou ensaiar uma blitz. 
Panorama da etapa final - Reprodução: Tactical Pad
A pressão aleatória do Chelsea na etapa final poderia até ter dado o empate ou até mesmo a vitória. Um pouco mais de organização na saída e transição ofensiva também. Mas sem qualquer dúvida, o que decretou a primeira derrota oficial de Conte, foi o vazio de seu meio-campo na etapa inicial, cirurgicamente aproveitado pelo Liverpool de Klopp. Veloz, intenso e de pressão alta. Conceitos bem assimilados na terra dos Beatles. 

Dados estatísticos: Premier League.

Flamengo aproveita os erros táticos do Palmeiras, mas esbarra no talento de Gabriel Jesus

O começo do Flamengo no Allianz Parque, na "final antecipada" do Brasileirão, foi bem mais do que promissor. Linhas altas para roubar perto do gol, se associar e criar chances para finalizar. Durou um pouco mais de dez minutos, porque depois da "mini pressão" rubro negra, foi a vez do Palmeiras adiantar as linhas e obrigar o time de Zé Ricardo a se compactar e tentar negar os espaços. 
Flamengo se fechando em duas linhas de marcação sem a bola. | Reprodução: Premiere 
Não foi tarefa tão difícil, pois a armação do Palmeiras quase não existiu. Gabriel até aparecia entre os zagueiros para a saída de três, mas a partir disso o que se via era um meio campo vazio. Moisés e Tchê Tchê distantes, assim como laterais e ponteiros. Faltou aproximação para triangular e avançar. E o jogo ficou amarrado. 
Saída do Palmeiras: meio campo vazio e zagueiros quase que obrigados a ligação direta. | Reprodução: Premiere

A proposta do time de Zé Ricardo ficou pelo contra-ataque. A ideia era acelerar com Gabriel e Everton a partir dos lados, com Diego para o passe e Damião a conclusão. Mas quando o time carioca avançava com a bola, ficava evidente a marcação com encaixes individuais do verdão por setor. Na imagem abaixo, Gabriel cola em Diego e vai com ele para negar o espaço, se estivesse com a bola o perseguiria até roubar. Assim acontece pelo campo todo. O problema, é que em um deslocamento ou drible, abre-se um clarão na defesa. 
Perseguição do Palmeiras escancara o centro do campo - Reprodução: Premiere 

O panorama do jogo mudou quando Marcio Araújo foi expulso e obrigou o Flamengo a recuar, perdendo momentaneamente a reatividade em contra-ataque. Cuca avançou o Palmeiras ao natural. Barrios na vaga de Gabriel na referência, Jesus e Roger Guedes abertos, com Dudu atrás do novo centro avante. Ocupação ofensiva, mas zero triangulações para criar chances. 
4-2-3-1 do Palmeiras na etapa final - Reprodução: Premiere
Não surtiu efeito, então Cleiton Xavier veio para o lugar de Guedes, abrindo Dudu pelo lado. Diminuíram as descidas dos laterais, porque os pontas passaram a trabalhar mais o fundo e menos o meio do campo. Efeito surtiu a mexida de Zé Ricardo, criticado por tirar Diego. Alan Patrick ganhou a vaga de Gabriel e no primeiro lance aproveitou os encaixes do Palmeiras, que deixaram o lado vazio e a defesa batida, para abrir o placar. 
Zé Roberto e toda zaga vendida no gol do Fla - Reprodução: Premiere
O Flamengo se compactou, mas seguiu buscando e conseguindo alguns contra-ataques. Cuca sacou Tchê Tchê e apostou em Rafael Marques para a presença ofensiva no abafa. Mina e Vitor Hugo se tornaram atacantes e o palestra despejou bolas na área. 34 cruzamentos com apenas cinco acertos. Em um deles, a bola rebateu e sobrou para Gabriel Jesus. Uma das quatro finalizações certas em 24 tentativas terminou no tento de empate. 
Flamengo fechando os espaços com um a menos. - Reprodução: Premiere
Com um a menos por 60% do jogo, o Flamengo equilibrou o duelo aproveitando os evidentes erros do Palmeiras. Nas últimas três partidas, o time de Cuca teve suas deficiências exploradas, mas se apoiou nas individualidades para somar pontos e manter o topo. Como aconteceu contra os cariocas, que esbarram em Gabriel Jesus.
Panorama do final do jogo no Allianz Parque - Reprodução: Tactical Pad
Dados estatísticos: Footstats

Organização e coragem marcam a atuação do Sporting... Pena que tinha um Real Madrid do outro lado

O Sporting chegou ao Bernabéu como franco atirador, em mais um jogo com "panorama desenhado" na Champions. Em tese, os portugueses se defenderiam tentando contra-atacar até o Madrid marcar e então se desorganizar e ceder espaços até que mais gols saíssem. Como aconteceu com Barcelona, Bayern e Manchester City por exemplo... Ótimo para o jogo que foi só em tese. 

Porque desde o início, o time de Jorge Jesus foi organizado como se esperava, fechando os espaços num 4-1-4-1 e bloqueando a transição do Real Madrid. Mas além disso, os portugueses tiveram argumento ofensivo, tanto na velocidade de Gelson as costas de Marcelo, quanto nas triangulações para transição com Bryan Ruiz, Bruno César e Adrien Silva por dentro. 
Sporting postado no 4-1-4-1 - Reprodução: GE.com
Por falar em Adrien, outra vez o meia se destacou. Assim como na Eurocopa, quando era peça fundamental no formato de jogo de Fernando Santos, o camisa 23 coordenou as ações ofensivas com bola na chão. Sem a posse, ajudou no cerco a saída do Madrid, fosse sobre Casemiro, Kroos ou Modric a imposição com pressão era grande. 
Pressão de Adrien sobre Casemiro - Reprodução: GE.com
No time de Zidane faltou intensidade e a imprevisibilidade dos lances de Kroos e Modric, apagados no jogo. Do trio de frente, apenas Bale, algumas vezes, ajudava sem a bola. Cristiano e Benzema sofreram na frente com a falta de ritmo, mas também foram pouco municiados graças a noite ruim dos criativos. 

O equilíbrio com momentos de superioridade dos portugueses foi recompensado quando Bruno César aproveitou mais um erro de saída do Madrid com pressão alta e abriu o placar na Espanha. 

Atrás no placar, os donos da casa demoraram para reagir. Mais precisamente 20 minutos, até Bale e Benzema, completamente nulos no jogo por diferentes motivos, deixarem o campo para as entradas de Lucas Vázquez e Morata. Combinação velocidade e incisividade mais presença de área com conclusão que instantaneamente colocou o Sporting para trás. 
Real pressiona o Sporting a partir das mudanças - Reprodução: Fox Sports
Jesus apostou em Elias no lugar de Adrien Silva, perdendo a força de pressão sem bola e a transição para reter. Depois, tirou Gelson Martins e colocou o sérvio Markovic, perdendo então a velocidade na retomada. Substituições que mudaram o panorama do jogo pra pior, mas podem até ser justificadas pelo cansaço e a intensidade da disputa.

Mais de 60% de posse, 541 passes certos e 15 finalizações, das quais o Real Madrid acertou apenas três. Volume, com precisão que só melhorou quando James ingressou no lugar de Kroos. Foi do colombiano o passe para Morata virar o jogo, depois que Cristiano Ronaldo havia empatado de falta. 
Panorama do segundo tempo, com o Real Madrid se lançando ao ataque - Reprodução: Tactical Pad.
Vitória de um time que não conseguiu ser superior por todo o jogo, mas que teve talentos de sobra e um técnico que soube ver as necessidades para mexer e mudar onde o jogo pedia. Ao Sporting, fica a atuação de coragem e organização, que somada aos bons nomes que o time tem, pode dar frutos interessantes na temporada. "Pena" que tinha um Real Madrid do outro lado. 

Dados estatísticos: Stats Zone

O duelo Mourinho x Guardiola, no fantástico dérbi de Manchester

Nos últimos dez anos, José Mourinho e Pep Guardiola mudaram o jeito que se joga futebol no mundo, promovendo uma verdadeira revolução tática em caminhos opostos. O português veio primeiro e apenas no terceiro ano como técnico profissional, levou o Porto a conquista da Champions League. Guardiola tardou alguns anos, foi o aluno mais aplicado da escola Cruijff e logo na primeira temporada à frente do Barça, ergueu o troféu de clubes mais desejado do planeta. 

As "guerras" táticas entre Mou e Pep começaram na temporada 2009/10, quando o português bateu o atual campeão europeu dentro do Camp Nou, em uma noite que a Internazionale surpreendeu o mundo com tamanha compactação, vigor físico e ordem tática. Na Espanha, os memoráveis clássicos decidiram Ligas, Copas e até uma semifinal de Champions. Contando sempre com o mesmo sentido de jogo. Os comandantes até se encontraram num isolado Chelsea x Bayern de Munique na Supercopa Européia. 

E quis o destino que depois de três anos, após mais um período onde o futebol avançou e ambos tiveram encontros e desencontros nas carreiras, um clássico os colocasse frente a frente. 
Transição ofensiva do City, guiada pelos zagueiro e sempre com três opções de passe ao menos - Reprodução: ESPN Brasil 
No dérbi de Manchester mais aguardado da história, poucas surpresas no panorama do jogo. O City de Guardiola comandou o embate desde o início, com conceitos bem conhecidos por todos que dissecam o jogo do catalão. Posse vertical com total rotação em volta da bola para criar espaços e linhas de passe, alta intensidade, laterais por dentro, pontas alargando o campo e explorando o lado, interiores construindo com passe curto e veloz, além de uma pressão para tomar a bola quando perdida incessante. Nível físico e de concentração absurdo. Domínio total. 
A pressão alta e intensa do Manchester City, que se negou a ficar sem bola - Reprodução: ESPN Brasil 
Mourinho também não fugiu a seus conceitos. O 4-2-3-1 que tanto gosta defendeu em linhas compactas, tentando fechar o passe e negar o espaço para as transições de velocidade do City. Mas não marcou pressão em todo campo, guardou a intensidade para retomar no terço final e também não conseguiu ser veloz nas poucas retomadas. Pogba até tentou conectar por dentro, mas aos poucos sumiu no impeto de Silva e De Bruyne, além da boa marcação de Fernandinho, responsável pela saída citizen junto aos zagueiros. Mkhitaryan e Lingaard não apareceram, Rooney e Ibrahimovic ficaram isolados.
Saída do Manchester City, sempre apoiada, e o único momento onde o United subia suas linhas. - Reprodução: ESPN Brasil  
Estrategicamente ou não, de uma das poucas pressões do United, saiu o primeiro gol do City. Bravo rifou, Iheanacho escorou e De Bruyne saiu cara a cara após antecipação a Blind. O segundo chegou mais ao estilo Guardiola, dominando com veloz troca de passes e posições, o jovem atacante nigeriano ficou com a sobra da bola na trave e ampliou. O primeiro tempo tinha tudo para ser perfeito para o time de Guardiola. 66% de posse de bola, 22 desarmes, 300 passes certos e dois gols em seis finalizações... Não fosse o erro de Bravo, que culminou no gol de Ibra e deixou o jogo aberto para a etapa final. 
Panorama da etapa inicial - Reprodução: Tactical Pad
A inibição da dupla de lado fez Mourinho mudar tudo na volta para a etapa final. Ander Herrera no centro do campo, com Fellaini e Pogba mais adiantados, Rooney pelo lado com Rashford e Ibrahimovic na referência. 4-1-4-1 que dominou o meio e deu o controle do jogo para o Manchester United. Os donos da casa colocaram o City para correr atrás da bola e o time de Guardiola não conseguiu repetir a pressão intensa para retomar. Ainda assim, o melhor momento dos red devils não foi bem aproveitado.
O 4-1-4-1 do United na etapa final do dérbi em Manchester - Reprodução: ESPN Brasil 
Este panorama permaneceu por 15 minutos. Porque Guardiola respondeu colocando Fernando, adiantando Fernandinho para jogar ao lado de Silva e De Bruyne para a referência na vaga do substituído Iheanacho. Controle da bola e jogo retomados em um grande segundo tempo de David Silva. Dono da bola, distribuiu com passes curtos e longos, ditando o ritmo e coordenando a transição. Lá na frente, De Bruyne balançou a trave de De Gea na melhor oportunidade da etapa final. 

Em busca do empate, Mourinho tentou uma última e desesperada cartada com Martial na vaga do Shaw. Abriu Valencia e Blind na defesa, com Bailly por dentro e Ander Herrera para auxilar posicionado entre meio e defesa. Do meio para o ataque, a estrutura do 4-2-3-1. Guardiola posicionou Fernando entre os zagueiros, recuou a segunda linha do meio e contou com Sané para puxar os contra-ataques a partir da ponta. Algumas bolas cruzada na área azul, pressão na saída com os atacantes, mas nada que voltasse a ameaçar Cláudio Bravo. 
Panorama da etapa final no Old Trafford. - Reprodução: Tactical Pad 
O primeiro dérbi de Manchester da era Guardiola e Mourinho terminou com o triunfo do catalão, como muitas vezes aconteceu neste embate. Mas além do resultado, fica a ótima partida. Disputa de alto nível físico e tático, intensidade máxima, controle dividido em alguns momentos e a promessa de outros embates inesquecíveis, como este fantástico clássico. 

Dados estatísticos: Four four two. 

No maior desafio do início de Tite, vitória do desempenho e do alto nível

O segundo desafio de Tite no comando da seleção tinha bons motivos para ser mais complicado do que o primeiro, apesar da surpreendente campanha do Equador e os perigos da altitude onde não vencia há 33 anos. 

Porque a Colômbia de José Pekerman tem quatro anos de trabalho e vem de duas quartas de finais, uma na Copa do Mundo e outra na Copa América do Chile, além de uma semifinal na mesma Copa América, a centenária do último semestre nos EUA. Porque os Cafeteiros têm uma ideia de jogo assimilada, um conjunto mais qualificado e bem trabalhado e um craque como James Rodriguez, em baixa no Real Madrid, mas que marcou um gol e deu uma assistência na ultima rodada das eliminatórias. Também porque o histórico recente das seleções previa um confronto de ânimos acirrados - algo que não se traduziu em campo - graças aos embates na Copa do Mundo e na última Copa América. 

Para acalmar a possível panela de pressão que seria o jogo, o Brasil adotou a estratégia de trocar passes com paciência afim de buscar o espaço. Acelerar? Só no terço final, como no escanteio que Neymar bateu e Miranda escorou pro fundo do gol antes dos dois minutos. Tranquilidade para executar o plano de jogo. Pautado em transição com passes curtos e rápidos, verticalidade na frente, mas muitas triangulações e jogo apoiado por dentro e lados. Marcelo e Daniel firmes no avanço, com Neymar e Willian trabalhando para dentro e confundindo a defesa colombiana. De trás, Paulinho chegava e Renato ficava responsável pela primeira transição ao lado de Casemiro.
Brasil no ataque, com laterais espetados, pontas por dentro e Paulinho pisando o terço final. Renato ao lado de Casemiro na transição e Colômbia pouco compacta - Reprodução: SporTV
Pekerman penou para achar o posicionamento de seu time. Porque a transição defensiva era lenta e então deixava buracos bem explorados por um Brasil que comandou os primeiros 30 minutos do duelo na quente Arena Amazônia. Os colombianos buscaram variações com James e Muriel mudando de lado e Macnelly voltando para buscar ao lado de Barrios ou até ficando mais para preencher o meio. Baixa produção ofensiva, mas que mesmo assim manteve os cafeteros pacientes. O empate veio na bola alta, bem batida por James e mal desviada por Marquinhos, contra as próprias redes.
Saída brasileira desenhando triângulos imaginários - muito vistos nos times de Guardiola, sem qualquer comparação. Jogo apoiado, facilidade de transição e troca de passes. Senso coletivo - Reprodução: SporTV
A etapa final teve um novo panorama. Porque a seleção de Tite encontrou dificuldade na transição e pouca possibilidade de criar com triangulações, graças a uma Colômbia que se postou bem melhor no campo, fechando o meio e dificultando as ações. Pekerman apostou em Cuadrado, para a partir disso centralizar James e conseguir mais bolas por dentro. Então apareceu Casemiro, outra vez destaque no meio. Sólido na marcação, desarmou sete vezes, como em Quito, e não permitiu ao companheiro de Real Madrid possibilidades ofensivas.
Colômbia do segundo tempo, com um bloqueio mais eficiente no centro do campo - Reprodução: SporTV
Sem a mesma produção, Tite mexeu como em Quito com Coutinho no lugar de um Willian apagado. Da ponta para dentro, o atacante reviveu os momentos de domínio ofensivo da seleção, graças também a entrada de Giuliano na vaga de um cansado Paulinho. Ganhando dinâmica, o Brasil cresceu no jogo e mesmo sem igualar a ótima primeira etapa, chegou ao gol com dois conceitos importantes na era Tite: pressão alta e velocidade no terço final. Roubo perto da meta de Ospina e velocidade de Neymar para receber, projetar e arrematar. 

A segunda vitória de Tite no comando da seleção, confirmou a tese de que o embate com a Colômbia seria mais duro do que a visita ao Equador. Foi. Pelos motivos já citados que colocam a seleção de Pekerman e James como uma das grandes da América, mas também pelo período de adaptação pelo qual passa o Brasil. A cada jogo será possível ver mais ideias sendo executadas e um plano de jogo definido com uma margem de erro bem menor. 

De início, o novo comandante cumpre mais do que o esperado. Apagou o incêndio e já deu uma cara ao time. As duas vitórias, inéditas nestas eliminatórias, são fruto do desempenho e nível alto que o Brasil voltou a mostrar. Que assim siga.
Panorama tático final do jogo em Manaus. O Brasil cresceu a partir de Giuliano e Coutinho - Reprodução: Tactical Pad.

O Brasil de Tite já tem algumas de suas ideias, mas naturalmente requer tempo! Apesar da ótima vitória

Os primeiros minutos do Brasil de Tite na altitude de Quito foram tensos. Porque o time de Gustavo Quintero marcou alto, bloqueando a saída por baixo, dificultando a transição e tentando roubar no terço final. Além disso, explorou as costas de Daniel Alves e Marcelo, caracteristicamente frágeis na marcação. Algumas estocas sem trabalho para Alisson, mas com perigo para a defesa. 

Depois de quinze minutos de adaptação, a seleção comandada por Casemiro, destaque no centro do campo, se assentou - o volante do Real Madrid se destacou nas coberturas e nos desarmes, com seis no total. Passando a trabalhar uma recomposição defensiva mais rápida, o Brasil conseguiu controlar o espaço e a bola. Com mais posse, negou ao Equador uma execução confortável e cresceu no jogo. 
O 4-1-4-1 do Brasil de Tite - Reprodução: SporTV.
Renato Augusto e Paulinho foram importantes nas incursões verticais, ainda que pouco velozes. A cada chegada da seleção, um dos dois, ou até mesmo os dois apareciam na área do goleiro Dominguez. Outro bem efetivo foi Neymar, que da ponta trocou de posição por vezes com Gabriel Jesus e deu boa movimentação ao terço final do campo. Willian foi mais tímido do lado oposto, mas importante no conjunto. 

Não à toa, o Brasil foi para o intervalo com 55% de posse e seis a três finalizações, além dos 90% de taxa de acerto nos passes. Um maior capricho nas finalizações já poderiam ter garantido a seleção de Tite uma vantagem na etapa inicial.
A pressão do Equador no inicio do jogo - Reprodução: SporTV
O domínio brasileiro seguiu na etapa final, com posse avançada e boas triangulações no meio campo. Se Neymar e Gabriel Jesus se entendiam muito bem, o mesmo não acontecia com Willian, que deu lugar a Coutinho. Pela ponta, o meia do Liverpool foi bem mais incisivo que seu companheiro e acrescentou muito mais a seleção em busca do gol. 

No tento de Neymar após pênalti em Gabriel Jesus, o Equador se perdeu ainda mais. Se o jogo já era do time de Tite, se tornou ainda mais após a expulsão de Paredes. Então apareceu o promissor jovem do Palmeiras, que primeiro desviou o bom cruzamento de Marcelo e depois foi fominha no melhor sentido e fechou o placar. Perfeito no tempo da infiltração, chegando sempre a frente da zaga. 

Se apesar do placar plasticamente a atuação não foi das melhores, o horizonte e a margem de crescimento para a seleção são enormes. A cada reunião com treinos e jogos, Tite vai implantar mais e melhor, extraindo também o máximo de seus jogadores. O novo Brasil já tem um pouco de seu técnico, mas ainda requer tempo para ter tudo. 

Dados estatísticos: Footstats.net

A seleção dos quatro atacantes que dá show e não sofre gols está na final. Viva a modernidade no jeito de jogar

Na era do jogo coletivo e do futebol cada vez mais dissecado e tático, o "Brasil de Pelé, Romário e Ronaldo" sofreu. Porque antes, não era obrigado a se construir como time, já que sempre tinha em suas individualidades o socorro necessário para ganhar. Mas o futebol mudou demais. Nos últimos 30 anos, os grandes craques deixaram de ser tudo e se tornaram uma parte importante no todo. E nós não deixamos de fabricar os protagonistas como dizem por ai, Neymar é prova viva disso. Mas precisávamos fabricar times, times na acepção da palavra.

Nessa transição, caímos diante de França, Holanda e acabamos humilhados pela Alemanha. Não à toa três escolas europeias, onde o esporte evoluiu primeiro nas últimas décadas. Não à toa, o continente que tem os últimos três títulos de Copa do Mundo e os melhores times do planeta. Obviamente, o dinheiro do sheiks, russos e chineses influenciam, mas sem o jogo coletivo nem os mais ricos chegariam.

Seria então nossa safra ruim? Não. Assim como se apoiou na individualidade para vencer tudo que venceu - sem tirar qualquer mérito dos justos títulos em outro tempo de futebol -, o brasileiro se apoiou nesta cortina de fumaça. "Não fabricamos mais jogadores como antigamente". Quando na verdade tínhamos poucos técnicos atuais. A revolução encabeçada por Guardiola e Mourinho demorou para chegar aqui.  

Tite, Roger Machado, Dorival, Mano Menezes e Rogério Micale. Dá pra contar nos dedos a quantidade de técnicos que buscam no futebol de alto nível, a fonte de inspiração para montar times modernos no Brasil. Mas aqui ainda existe a velha rejeição ao novo. "Quem é esse Micale?" ou "o que ele já ganhou". Nunca o Brasil esteve tão perto de uma medalha de ouro olímpica, mesmo já tendo disputado três finais.

O novo comandante e os jovens atletas que iniciaram o sonho da medalha, foram prontamente criticados após os empates contra Iraque e África do Sul, times de menor potencial técnico e que se quer passaram da primeira fase. Justificável. Mas não como foi feita, pautada em falta de garra, raça e amor à camisa. Até a negativa aos microfones virou defeito na seleção. 

Micale respondeu trabalhando, corrigindo os erros e chegando ao time ideal. O que bateu Dinamarca e Colômbia com bom futebol e ideias modernas de jogo. O que venceu Honduras dando show no Maracanã, em tarde que os mais saudosos puderam ter a lembrança de um Brasil de exibições. 

Mas o futebol mudou, lembra? Para vencer goleando e carimbando o passaporte a final do próximo sábado, o Brasil de Micale precisou de alta intensidade, coordenação entre os setores e execução de um plano de jogo, que não é entregar a bola para o melhor e esperar que ele resolva. É fazer o time jogar de maneira coletiva. 

Nisso, cresceram Renato Augusto e Walace, fisicamente perfeitos à frente da defesa para sair jogando e coordenar as transições meio/ataque. Também Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa, a dupla de lado, que fecha a linha sem bola e ataca o espaço com ela, combinando velocidade e qualidade técnica na diagonal - predominou Jesus em dois bonitos gols. Cresceram Neymar e Luan - donos de um tento cada - por dentro, invertendo posições, ocupando a frente, recuando para armar, aparecendo na referência. O tal caos organizado.

Ainda assim, teve quem perguntasse: "mas com tantos atacantes, quem marca?". Reposta simples: todos! Ponteiros fechando o lado e homens de centro ajudando na pressão a primeira linha de transição adversária. Sistema de jogo, que fez a seleção chegar a final com sua defesa zerada em seis jogos, não só graças a dois ótimos zagueiros, mas sim a ideia coletiva. 

O Brasil dos quatro atacantes da show, mas ao menos tempo não sofre gols. Porque aprendeu a jogar o futebol de forma coletiva. Altamente competitiva. O ouro pode não vir, mas a modernidade no jeito de jogar futebol é a grande medalha da seleção de Micale no Rio de Janeiro.
O Brasil dos quatro atacantes defendendo em duas linhas bem compactas - Reprodução: ESPN Brasil 

Em sua estreia, City já imprime ideias de Guardiola - que percebeu como será dura a Premier League!

Pep Guardiola chegou ao City como a cereja no bolo para ganhar a tão sonhada Champions League. A peça que faltava, ainda mais depois da campanha de semifinal na última temporada. Mas existe um caminho árduo e longo pela frente, ainda mais por se tratar do inquieto e perfeccionista técnico catalão. 

Porque seus conceitos não são simples, nem de fácil entendimento e execução. Mas mesmo assim puderam ser vistos na dura estreia contra o Sunderland pela Premier League - liga mais disputada que Guardiola vai encarrar em sua ultra vitoriosa carreira. 
Sem a bola, o 4-1-4-1 do Manchester City - Reprodução: ESPN Brasil 
Os primeiros minutos permitiram visualizar a formação sem bola: um 4-1-4-1 com Fernandinho entre as linhas. E a partir daí suas variações. Mas antes de se mostrar, o City conseguiu o gol com Aguero, no pênalti sofrido por Sterling na jogada individual no quinto minuto de jogo. 

Resultado que tranquilizou os donos da casa, permitindo o controle e a movimentação que seu comandante gosta. Na saída, Fernandinho entre os zagueiros e laterais trabalhando por dentro, como meio campistas, deixando que os pontas pudessem alargar o campo de jogo. A inversão da piramide que Pep trouxe no Bayern e seguirá aprimorando no City, que nada mais é que ter mais homens na última linha de jogo (ataque) do que na primeira (defesa).
Saída de bola do Manchester City - Reprodução: ESPN Brasil 
O Sunderland recolheu duas linhas "como manda" o futebol inglês. A ideia era dificultar a infiltração dos citizens na base da compactação e tentar acelerar a transição ofensiva, principalmente no último terço em um possível mano a mano com a defesa. Pouco sucesso no primeiro tempo de apenas duas finalizações. 

Primeira parte que ainda registrou 79% de posse para o time da casa, mas apenas três chutes a meta de Manone em oito tentativas. Em resumo, o City controlou o jogo, teve a bola, pôde se mexer, mas não conseguiu ser tão efetivo como poderia. 
Sunderland compactando duas linhas de marcação - Reprodução: ESPN Brasil 
Com o passar do tempo, o ritmo do jogo e consequentemente do controle do time de Manchester caiu. Natural por se tratar da primeira partida oficial de um novo trabalho. Faltou também a intensidade que virá com o tempo, auxiliando na execução do modelo de jogo. 

O time de David Moyes seguiu a ideia do início: linhas contidas, pouco espaço para o City infiltrar no último terço e alguma tentativa de sair rápido. Deu certo na bola que entrou as costas da defesa e terminou no gol de Defoe. 

Empate que castigava o City pelo alto volume com pouca efetividade e seria um prato cheio para as criticas daqueles que não conseguem pensar o futebol fora do óbvio ou compreender o jogo de Guardiola. 
A pirâmide invertida de Guardiola na etapa final - Reprodução: ESPN Brasil
Naturalmente Moyes mexeu para trás. Fechou o time com Mc Nair, depois de ter colocado Januzaj e Khazri quando ainda buscava o empate. Depois de Navas e Delph, que entraram para tentar manter o ritmo, o catalão apostou na juventude de Iheanacho. 

Mudança em toda estrutura do time, fixando três homens atrás, abrindo o campo com Navas e Sterling, tendo uma dupla para Aguero dentro da área. Peças importantes no gol da vitória, que veio com a bola pelo lado e contou com a pressão dos homens de frente para induzir Mc Nair ao erro. 
Panorama final do jogo no Etidah - Tactical Pad
Em seu primeiro ato, o Manchester City de Guardiola já imprimiu suas ideias e conceitos de jogo, mas naturalmente precisará de ajustes, que virão aos poucos com o encaixe das novas peças ao time. A dura estreia já deu um recado ao comandante: a Premier League exigirá mais.  

Dados estatísticos: Premier League.