Real Madrid 2x3 Barcelona - O clássico de Messi e das escolhas erradas de Zidane

Eliminado da Champions League sem marcar um gol em 180 minutos contra a Juve, sem Neymar suspenso e com as fases inconstantes de Rakitic, Iniesta e Luis Suárez, além do declínio coletivo da equipe. O raio-x do Barcelona que chegava ao Santiago Bernabéu para o superclássico não era dos mais animadores para o torcedor catalão. Ainda mais com um Real Madrid em boa fase do outro lado, animicamente melhor e coletivamente vivendo uma fase superior. 

A entrada de Alcácer na vaga de Neymar formou um Barça como Luis Enrique tem gostado de ver, pelo menos em relação a Messi, outra vez mais centralizado. Rakitic foi "sacrificado" na ponta direita e duas linhas de quatro homens formadas por trás do camisa dez e o artilheiro Suárez.
4-4-1-1 do Barcelona no Bernabéu - Reprodução: Sky Sports.
Para o Real de Zidane, o posicionamento de Messi não era lá um problema, porque "bateria" com Casemiro, seu melhor marcador, e ainda daria espaço para Kroos e Modric criarem entre as linhas. Rigorosamente foi o que aconteceu nos primeiros trinta minutos. O Madrid foi o dono da posse e das ações ofensivas, pressionando a saída do Barcelona, mas acelerando a troca de passes no terço final para criar chances de gol, principalmente com Cristiano Ronaldo caindo as costas dos laterais dos dois lados. Foram nove finalizações com sete acertos a meta de Ter Stegen na primeira etapa.

Sem a bola, Bale retornava pela esquerda e Modric abria do lado oposto, formando também duas linhas de quatro. Combate intenso e preciso a um Barça que queria se instalar no campo de ataque com longas trocas de passe, mas pouca velocidade e objetividade. Tão menos pressão para retomar perto do gol. 
Pressão do Madrid no campo de ataque - Reprodução: Sky Sports.
Veio o gol de Casemiro para coroar o tempo muito superior do time de Zizou. Vantagem que durou apenas quatro minutos. Até Messi acelerar a insossa troca de passes e como de costume abrir a defesa com dribles rápidos de bola colada ao pé e deixar tudo igual. Senha para minutos seguintes de um Barça mais confiante e um Madrid impreciso na saída. 

Já com Asensio na vaga do lesionado Bale, que nem em campo deveria ter entrado por seu estado físico e a sequência ruim na temporada, o time da casa ganhou velocidade e criatividade na saída sobre Jordi Alba. E os primeiros movimentos da etapa final foram frenéticos, com chances claras de lado a lado, muitos espaços nas intermediarias e os goleiros trabalhando de forma árdua e eficiente. Crescia o jogo de Messi entre as linhas do Madrid com um pendurado Casemiro. 
Panorama tático em Madri - Tactical Pad
Com seguidas decisões de alta intensidade nas pernas, o Madrid cansou e as escolhas de Zidane pesaram. A primeira foi boa, de sacar o amarelado Casemiro que estava no combate direto a Messi para renovar o gás com Kovacic. Mas a permanência do extenuado Kroos foi fatal. Sem precisão nos passes, nem pressão na marcação, o alemão assistiu o gol da virada de Rakitic. Quase uma roleta russa em segundo tempo aberto. Quem acertasse primeiro passaria a frente. Questão de efetividade. 

Ou então de manter Benzema por tanto tempo. O atacante que pouco ajuda nas diversas fases do jogo e soma o mesmo número de gols que seu reserva na temporada. Em outra bola que faltou combate de Kroos, Sergio Ramos matou o lance e acabou expulso. 

A tarde parecia perdida no Bernabéu, com um Madrid completamente aleatório e desestruturado. O Barça empilhava chances contra um Nacho quase sozinho na defesa. Entrou James Rodríguez na vaga de Benzema e em um toque completou o cruzamento de Marcelo na desatenção de defesa blaugrana. O gol que dentro de todas as aspas possíveis era do título para o time de Zidane. "Cabeça em campo" pedia o colombiano após balançar a rede. Era necessário...

Faltou e veio o erro fatal. Ao invés de administrar a posse ou juntar jogadores para defender, o time de Zidane se lançou ao ataque em busca de um gol possível, dada a desorganização do Barcelona como time. Mas que não veio e na tentativa de marcar alto com um jogadores a menos resultou num contra-ataque e o gol de Lionel Messi. 24º do maior artilheiro da história do maior clássico de futebol do mundo. Um duro golpe.
Com apenas nove na linha, o Madrid colocou seis homens no campo de ataque. Fatal - Reprodução: Sky Sports.
La Liga está viva e mais aberta do que nunca. O Real Madrid ainda tem um jogo a menos é bem verdade, mas também uma tabela mais difícil, as atenções divididas com as semifinais da Champions League e o baque da derrota em um clássico em casa. Administrar tudo será fundamental, como não soube fazer Zidane no clássico de Lionel Messi. 

Dados estatísticos: Stats Zone

O domínio do São Paulo e o controle do Cruzeiro

Na semana de futebol, se debateu muito sobre o controle da partida. Porque controlar um jogo não quer dizer necessariamente ter a bola, empurrar o adversário para trás e pressionar. Uma equipe pode controlar sem a posse, fechando bem os espaços e explorando o erro ou na retomada. 

Tudo depende do plano de jogo. Em Turim por exemplo, a Juve controlou o Barcelona com apenas 33% de posse de bola, ocupando bem os espaços e acelerando na retomada. Na Alemanha, Real Madrid e Bayern de Munique repartiram o controle do jogo mais a partir da posse e das ações ofensivas. Não há certo nem errado para controlar um jogo. Só tem que haver uma estratégia. 
Panorama do jogo no Morumbi. Tactical Pad. 

No Morumbi, o Cruzeiro controlou as ações do São Paulo sem a posse. Fechando os espaços de maneira inteligente, subindo as linhas para pressionar a saída e marcando de forma agressiva, sem permitir progressão ou triangulações. Deu a bola para o time de Ceni, que, muito propositivo, teve outra vez muita dificuldade sem seu principal articulador. 

Porque Cueva, a partir da ponta, se move para dentro e quebra as linhas com passe ou um drible em progressão. Com Luiz Araújo e Wellington Nem, o time fica bem mais rápido na transição e no um contra um, mas perde a criatividade e a capacidade de triangular com a bola. Acelera muito e pensa pouco.

Sobretudo porque Mano percebeu a qualidade na saída de Jucilei e fez, com Arrascaeta e Ábila pressionando o primeiro homem do meio tricolor, Cícero ficar mais distante do terço final e as bolas que saiam com Rodrigo Caio ou Maicon não terem destino no comando de ataque. Thiago Mendes também não pode repetir as transições e ficou isolado entre Hudson e Ariel Cabral, de atuação sólida e segura a frente de Manoel e Léo. 
Cruzeiro marcando a saída do São Paulo em bloco médio e bloqueando as três opções de passe do meio-campo. - Reprodução: Fox Sports
Nas duas linhas de marcação sem bola com Arrascaeta e Ábila centralizados, Mano apostou em Rafinha pela direita, para ser o homem da velocidade no corredor de Junior Tavares - o que aconteceu pouco na etapa inicial. Tanto ele, quanto Thiago Neves, aberto pelo outro lado do campo, estiveram mais atentos às ações defensivas.

Preso a marcação, o time de Ceni não conseguia triangular e criar oportunidades a frente da área celeste, embora a posse fosse gigante e o volume de jogo também. A primeira providencia para tentar mudar, foi a entrada de Thomaz no lugar de Nem, o meia que em tese pensa mais que acelera a partir do lado do campo.

Porém, no mesmo minuto, Lucas Pratto desviou contra o cruzamento de Thiago Neves e abriu o placar para o time mineiro no Morumbi. Senha para o tricolor desestabilizar-se. Controlando o duelo mesmo sem a bola, o Cruzeiro conseguiu ampliar oito minutos depois, em novo cruzamento de Thiago Neves, Hudson desviou para o gol. 
Reprodução: Fox Sports.
Aquela altura Rogério já tinha sacado Buffarini para colocar Araruna, em busca de mais profundidade, e depois colocaria Gilberto no lugar de Cícero para um jogo mais aleatório em cruzamentos. Foram 35 no total, com 26 erros. Nas finalizações: nove a cinco para o São Paulo, com cinco a dois em acertos. Mesmo assim, apenas uma cabeçada de Pratto que poderia ter acabado em gol. Muito pouco para um time com 65% de posse da bola e 465 passes trocados.

A vitória do Cruzeiro no Morumbi não chega a ser um grande absurdo ou surpresa. O time mineiro manteve a base de seu elenco, seu técnico e a ideia de jogo da última temporada. Com o acréscimo de grandes contratações vive um momento em que seu modelo está bem mais assimilado e isso fica claro em campo. 16 vitórias e quatro empates na temporada. 40 gols marcados e apenas 10 sofridos. Controle e vitória sólida mesmo com 35% de posse de bola na casa tricolor e a clara sensação de que será protagonista na temporada. 

Bayern e Real dividem o controle, mas oscilação alemã é fatal no confronto

A temporada do Real Madrid, em desempenho, não passa nem perto de ser a melhor. O time de Zidane oscila muito, sofre gols demais, mas recheado de talentos que é, consegue vencer muitos de seus desafios na Espanha – embora Cristiano Ronaldo, sua maior estrela, não faça sua melhor época, claramente se dosando para chegar inteiro no momento das decisões.

No continente, a cada partida a sensação é de que a camisa pesa e a equipe vence mentalmente seus adversários – como contra o Napoli, onde foi inferior, virou e venceu. Mas é claro, que em um confronto com outro gigante como o Bayern de Munique, isso se igualaria. 

Até porque, o momento do time treinado por Carlo Ancelotti é superior e talvez tenha o melhor futebol da Europa. Por isso a preocupação de Zidane em bloquear a saída de bola nos primeiros minutos do duelo. Impedir que a bola saísse dos pés de Vidal e Xabi Alonso limpas, chegando a transição de Thiago, Ribery, Robben ou Alaba era fundamental. Modric mais adiantando tirando o passe e um bloco de marcação mais alto não permitiram uma pressão insana dos mandantes.
Pressão do Real Madrid a saída do Bayern de Munique. 
Durou pouco mais de vinte minutos, até o "chute" de cabeça de Vidal vencer Navas e o Bayern estabelecer a vantagem. Senha para os donos da casa controlarem o jogo. O Madrid se atordoou e o time alemão percebeu que poderia explorar mais vezes o corredor de Marcelo, que tinha pouco apoio de Cristiano e uma lenta recomposição de Kroos, com Lahm e Robben - sempre alargando. Do lado oposto, Bale se sacrificava para, junto a Carvajal, marcar os avanços de Alaba e as diagonais de Ribery. O volume era grande. 

Porém, fez falta Lewandowski, não só pela presença que o artilheiro bávaro tem e perigo que representa, mas também pela atuação bem abaixo de Thomas Muller em todos os sentidos, principalmente o físico - foi apenas a quarta partida do meia-atacante em um mês. 

A etapa inicial poderia ter acabado com uma vantagem ainda maior, não fosse o pênalti, mal marcado, isolado pelo chileno Vidal. Até então o articulador mais ativo de Carlo, sentiu o erro na volta para o segundo tempo e foi muito mais discreto. O declínio bávaro começou em uma das poucas ações livres de Casemiro, que achou o ótimo Carvajal para encontrar Cristiano Ronaldo livre na área e o Madrid deixar tudo igual na Alemanha. 

Quatro minutos depois, a falta com expulsão de Javi Martínez desmontou o time de Ancelotti. O Real Madrid retomou de vez o protagonismo e o controle da partida na Alemanha. Ocupando o campo de ataque, se movimentando e criando chances de triangulações. 
Bayern fechado em seu campo e o Madrid atacando com volume e movimentação. 
Berñat ganhou o lugar de Alonso e mandou Alaba para a zaga. Thiago foi recuado para jogar ao lado de Vidal, Robben e Douglas Costa, que entrou no lugar de Ribery, fecharam os lados isolando Muller. A batalha seria para segurar o empate, o que deixaria o time com boas condições em Madrid. Neuer salvou uma oportunidade de cada um do trio BBC...

Mas, falhou no cruzamento de Asensio, que entrou muito bem na vaga de Bale, e viu o toque de Cristiano Ronaldo morrer no fundo do gol. 100º do português em competições UEFA. Sempre presente nos momentos em que o Real Madrid precisa. Pode não fazer sua melhor temporada e até os números dizem isso, mas seu faro de gol e inteligencia para se movimentar e posicionar seguem intactas. Um atacante completo.

O Madrid teve chance de ampliar e até matar o confronto já na Alemanha. Ainda assim, jamais poderá lamentar um triunfo na casa de um time que não perdia em noites de Champions há 18 jogos. O Bayern voltou a cair frente a um espanhol. Desde vez bem mais oscilante do que de costume. No Santiago Bernabéu, terá de vestir a capa que time de Zidane sempre usa em jogos europeus para passar de fase. Um dura missão. 

Contra a forte e sólida Juve, o Barça sem jogo coletivo foi uma ruína. Outra vez

Há quase dois meses, o Barcelona foi completamente dominado em Paris. Os quatro a zero que para muitos era irreversível, escancarou a pior versão do time catalão nos últimos anos. Uma equipe extremamente apoiada na qualidade individual de seu trio ofensivo e sem qualquer ideia de futebol coletiva, ainda mais evidente com o declínio de seus pilares do meio campo. O milagre do Camp Nou na semana seguinte deu uma falsa impressão de que o velho Barça havia voltado. Os seis a um foram, também, fruto dessa qualidade individual e não de um jogo como time. 

No Juventus Stadium, o fantasma que assombrou durante toda temporada voltou a dar as caras. Porque em grandes noites europeias não vai bastar apenas o talento de Neymar, Messi e Iniesta, ou os gols decisivos de Luis Suárez. Todos eles apagados no duelo de ida das quartas de final da Champions League. Faltou outra vez um plano para que o time jogasse como time e assim pudesse elevar e potencializar todos esses talentos. 

O oposto da Juve. Porque Allegri planejou uma equipe para alternar pressão alta e tirar o passe de Piqué ou Mascherano, forçando a saída no frágil e lento Mathieu, com linhas compactas para negar espaços às ações do clube catalão. Ora com Mandzukic fechando uma linha de cinco atrás, com Dybala ou Híguain compondo o lado da segunda linha de marcação. Ora Daniel Alves subindo para antecipar Neymar e diminuir o raio de ação do brasileiro. Tudo bem coordenado e coberto, com alta intensidade e concentração. Dando aos donos da casa, o controle do jogo com 33% de posse de bola no primeiro tempo.
Juve compacta, com Mandzukic fechando uma linha de cinco atrás - Reprodução: TV Globo.
E velocidade pelos flancos! Cuadrado dobrando com Dybala nas costas de Mathieu, como no primeiro gol, todo construído pelo lado direito do ataque bianconerri. Ou com Mandzukic chegando livre pelo flanco esquerdo e cruzando para o argentino, outra vez livre, marcar o segundo dele. Em ambos os lances, um Mascherano e uma linha de defesa perdidos e mal posicionados. 

Com seus 66% de posse de bola, Barça se instalava no campo de ataque com toques lentos e inócuos. Não conseguia acelerar ou vencer o muro. Só uma bola de Messi furando as linhas para Iniesta e a defesa de Buffon. Um lampejo. Muito pouco frente à absurda atuação da Juve. 
Pressão alta da Juve - Reprodução: TV Globo
Mesmo sem o pior Busquets dos últimos anos, o time de Luis Enrique sofreu para sair de trás. Mascherano, além de vendido na marcação, era impreciso na primeira transição. A frente, Neymar afunilava sem opção de amplitude pela esquerda - que podia ser Alba -, do centro Messi e Iniesta encaixotados. Na referência Suárez preso entre os ótimos Bonucci e Chiellini. 

Outro trabalho destacável foi o de Pjanic e Khedira, fisicamente perfeitos a frente da área, coordenando a subida de linhas e a compactação das mesmas. Marcando e jogando, como manda o manual. Assim como os laterais brasileiros. Daniel Alves soberbo na marcação a Neymar, Alex Sandro cuidando de Messi e Sergi com auxilio de Mandzukic. 
Marcação da Juve - Reprodução: TV Globo
André Gomes na vaga de Mathieu devolveu Mascherano a defesa com 45 minutos de atraso. O volume ofensivo do Barça cresceu, assim como as possibilidades. Porém, nunca deixavam a sensação de que um gol ou até o empate estariam próximos. Chegou o tento de Chiellini na eficiente bola alta. 

Restou o controle da Juve, sem se expor tanto a partir do terceiro tento, mas com a mesma intensidade para marcar desde o primeiro minuto. Linhas mais baixas para dosar energia. 34% de posse de bola, 40 bolas recuperadas e 10 quilômetros a mais percorridos, ou corridos. 15 a 14 para o Barça em finalizações, com oito a três para os bianconerri em acertos. 

Atuação primorosa da Juventus em Turim! Fibra, alta intensidade, concentração... uma estratégia muito bem traçada e executada. Vecchia senhora forte e sólida. Não é possível desacreditar de um novo milagre do Barça, por mais improvável que ele seja, outra vez, dentro do contexto. A sensação que fica, novamente, é de que a ruína coletiva catalã não conseguirá se reerguer desta vez.

Controle e eficiência na vitória do maduro Palmeiras

A campanha da primeira fase não sugeria dificuldade ao Palmeiras contra o Novorizontino, pior entre os oito qualificados as quartas de final do Paulistão. Porém, a "sensação de facilidade" passou logo nos primeiros minutos. Treinado por Silas, o time de interior apresentou duas linhas de quatro bem compactas e reativas, com Roberto aproveitando, a partir da direita, o jogo em velocidade nas costas de Egídio e Dracena, que se desentenderam na marcação nos primeiros minutos. A chance perdida por Everaldo parecia ser a mais cristalina, como a flecha única que o pequeno teria contra o grande. Até o ponteiro criar outra e finalizar ao invés de servir para colocar o tigre na frente. 

Um cenário desfavorável se desenhava. Porque até ali, o Palmeiras não havia se encontrado no jogo. Desfalcado de seus dois laterais e seu meia mais criativo, Eduardo Baptista voltou ao 4-2-3-1. Dono da posse da bola desde o começo, o verdão teve dificuldade na transição ofensiva frente ao fechado Novorizontino. Lenta na saída, distante com Tchê Tchê preocupado com as ações defensivas ao lado de Felipe Melo, o que isolou Dudu, centralizado, em alguns minutos. Willian, escalado para compartilhar da armação com o camisa sete, foi peça nula. O incisivo Roger Guedes também conseguia muito pouco a partir da posse.
Palmeiras se aproximando para trocar passes e fazer a transição. Novorizontino fechado em duas linhas de marcação - Reprodução: SporTV.
Quando conseguiu se aproximar mais e se estabelecer no campo de ataque, o Palmeiras foi soberano. Já com Tchê Tchê mais avançado, Dudu "rodeado" e a bola saindo limpa com Mina ou Felipe Melo, o domínio foi aumentando. Pressão com bola na trave e boas intervenções do goleiro. Até o tento de Dudu no bate rebate. A virada já era questão de tempo e naturalidade pelo comando, em um primeiro tempo com 63% de posse alviverde e 15 finalizações. 

Senha para um etapa final muito madura do time de Eduardo Baptista. Ditando o ritmo, mas sabendo dosar dentro do contexto. Com Keno pela esquerda, Dudu ganhou mais uma companhia na armação das jogadas. Na forte bola alta, o time do jogo apoiado e das transições por baixo, virou com Borja. Silas fez menção de avançar o time, primeiro com Henrique Santos ao lado de Doriva, depois com Alexandro ao lado de Everaldo na referência e Caique na ponta. Tentou, mas o jogo era de total controle do Palmeiras. 

Com Michel Bastos e Erik nos lugares de Dudu e Borja, os visitantes voltaram ao 4-1-4-1 com Roger Guedes na referência, de onde desviou o cruzamento da direita e sacramentou a virada e a vitória. Expulso de forma inacreditável por comemorar com sua torcida no alambrado. Três bolas na rede das 10 finalizações certas nas 24 que tentou. Quase um gol a cada três chutes certos, uma média e tanto.

Em Novo Horizonte, volume e eficiência marcaram o triunfo de um Palmeiras muito maduro nas mãos de Eduardo Baptista. Linhas próximas, jogo apoiado e um controle muito maior, o que reduz as oscilações. Um ótimo trabalho. O atual campeão nacional só evoluiu desde sua conquista no último mês de dezembro.

Dados estatísticos: Footstats.net
Panorama do segundo tempo em Novo Horizonte - Reprodução: Tactical Pad. 

Tite e o desempenho, juntos na Rússia!

No dicionário, desempenho é: “Modo com alguém ou alguma coisa se comporta tendo em conta sua eficiência, seu rendimento”. No futebol, desempenho é o que a seleção brasileira de Tite vem apresentando. Um modelo de jogo muito definido, treinado e praticado, com eficiência e alto rendimento.

Contra o Paraguai na Arena Corinthians, um padrão de desempenho repetido. Uma linhas reta de atuação. Desde o começo da partida, valorização da posse e jogo apoiado para gerir a bola. Triangulações, toques curtos, velocidade... Intensidade! Como na transição de Coutinho da direita para dentro, tabelando com Paulinho e marcando um belo gol. Opção a dificuldade em infiltrar. Porque era duro abrir as linhas do Paraguai, fechadas e violentas.
Exemplo de movimentação da seleção brasileira - Reprodução: TV Globo.
Porém o trabalho coletivo da seleção brasileira facilitava o objetivo. Principalmente com Neymar, muito agudo e ainda mais caçado da ponta para dentro, abrindo espaço para as transições de Renato Augusto. Um meio campista absolutamente completo. A esquerda do 4-1-4-1, recua para auxiliar a saída de Marquinhos e Miranda, se oferece pelo lado para triangular com Marcelo e até mesmo liberar o lateral. Chega a frente com posse ou projeção e arremate.

Peça fundamental em um modelo de jogo moderno e intenso, enraizado na equipe mesmo com apenas oito encontros. Como também é o onipresente Paulinho, assistente de Coutinho e de Marcelo no terceiro gol da partida. Ambos com toque de classe. Por trás dos construtores, Casemiro apoia a linha de quatro posicionada. Deslocamentos com velocidade, ótimo tempo de bola nas roubadas e recuperações, além do acréscimo de qualidade para a saída. Essencial, hoje é o melhor "5" do Mundo. 

Gabriel Jesus e o seu poder de fogo fizeram falta. Referencia móvel, Roberto Firmino ainda não conseguiu seu melhor. Mas já se aproximou do que faz em Liverpool. Abre a referência para infiltrações e puxa marcação, pende aos lados para oferecer mais uma opção de passe.

Tudo muito bem trabalhado e coordenado, como no segundo tempo. Quase que um coletivo pelo ímpeto zero do Paraguai, mesmo com as entradas de Óscar Romero e Frederico Santander, o que em tese deixaria o time mais ofensivo. Não apareceram mais chances cristalinas como na etapa inicial, em algumas falhas na saída.
O 4-4-2 do Paraguai em Itaquera - Reprodução: Foto - Raí Monteiro. 
A última cartada de Arce foi Ángel Romero. Mas aquela altura, o jogo já tinha um dono: Neymar. Caçado no primeiro tempo, o camisa 10 voltou ainda mais intenso e incisivo. Veloz a partir do lado fez fila, sofreu pênalti, marcou impedido e fez um golaço.

Não foi o último – Marcelo marcaria minutos depois -, mas serviu para brindar a noite de um futebol apaixonante em Itaquera. Tite e o desempenho. Quase sinônimos. Palavras que andam juntas e estão presentes a cada coletiva do comandante. Vão seguir de mãos dadas na Rússia.

São Paulo domina, Corinthians se defende bem e o clássico de propostas definidas termina igual

São pouco mais de dois meses de temporada. Os trabalhos dos técnicos por todo o Brasil começam a caminhar com passos mais largos e firmes, mostrando suas caras e o que devem apresentar no Brasileirão. Estaduais chegando ao fim, Libertadores nas primeiras rodadas e Copa do Brasil chegando a fase mais aguda, apesar de ser uma competição muito longa. Olhando o contexto, é impossível cobrar o desempenho máximo e até por isso ninguém consegue sobrar, ainda. 

Mas os times já tem caras, estilos, modelos bem definidos... Sempre com ajustes por fazer. Como o São Paulo de Rogério Ceni. Um time de alta posse de bola, marcação e linhas sempre altas e muita movimentação no terço final, para criar chances de gol envolvendo o adversário. Esse é a ideia, que não garante efetividade em todas as partidas. Mas tem por isso o ataque mais positivo da competição estadual, mas também por sua ideia e algumas falhas individuais, a pior defesa do torneio. Segue em busca de equilíbrio. 

E no clássico contra o Corinthians, as faces do time de Ceni apareceram. Desde o começo da partida, linhas altas e muita movimentação para gerir a posse e tentar furar o bom bloqueio do alvinegro. Laterais espetados, Thiago Mendes soltando-se do trio com Cícero e Jucilei, mais preocupados com a saída de bola, ajudando Luiz Araújo e Wellington Nem - o substituto de Cueva -, na armação. Jogo apoiado, dando sempre ao portador da bola mais de uma opção de passe. 

Um volume que deu aos donos da casa picos de 65% de posse de bola, mas que não resultou em nenhuma finalização na etapa inicial. Porque o Corinthians de Carrile manteve-se compacto e muito organizado durante todo o tempo. Com Maycon e Pedrinho muito atentos aos avanços de Araruna e, principalmente, Junior Tavares. Com Gabriel ligado as incursões de Nem que tentava emular Cueva. Sem subir as linhas, a marcação baixa e sempre próxima permitia muito pouco a equipe de Ceni. 
Corinthians bem compacto e São Paulo se movimentando. Laterais espetados, Thiago Mendes infiltrando e Luiz Araújo buscando as entrelinhas. Jucilei, com a bola, tem três opção de passe curto. - Reprodução: Globo.
Mas faltava o contra-ataque que pudesse premiar e completar a ótima ação defensiva. Com a bola, alguns lançamentos de Jadson sem destino e um lance de proximidade e rápidas trocas de passe, que terminou no arremate de Rodriguinho - único na meta no primeiro tempo. Cautela compreensível, mas que poderia contrastar com mais momentos ofensivos. 

Com mais contra-ataque com o que Wellington Nem armou, colocando como Cueva o jovem Luiz Araújo na cara de Cássio. A melhor chance do jogo antecedeu o gol de Maicon em jogada ensaiada no escanteio. O São Paulo cresceu animicamente, conseguiu ter mais espaços para jogar e finalizar mais vezes - terminando com onze tentativas e seis acertos. Notável melhora em relação a um primeiro tempo que não fez o goleiro do Corinthians trabalhar. 

Carrile se viu na obrigação de avançar o time e em meio a isso sacou Pedrinho para colocar Léo Jabá. Do lado oposto, o centro de Guilherme Arana terminou no gol de Jô, livre no meio da defesa tricolor. O terceiro do contestado atacante em três clássicos. Senha para o Corinthians crescer e dominar os minutos seguintes. 

Com Guilherme Arana e Léo Jabá ativos pelos lados, Rodriguinho e Jadson ficaram mais presos, mas ainda assim os visitantes foram criando oportunidades. Dez finalizações no total, com seis acertos - um a mais que o São Paulo. Chances que deixavam cada vez mais clara a sensação de que o Corinthians viraria o jogo no Morumbi. 

Porque o São Paulo perdeu a velocidade e intensidade na disputa, o índice de posse caiu e com isso o domínio e o volume também. Rogério tentou reativar o time com Neilton e Chavez, mas seguiu sentindo a falta de um pé que pudesse pensar no centro e também da movimentação que Lucas Pratto trás no comando ofensivo. 

O tricolor acabou cruzando demais: 23 tentativas com 19 erros. Mas venceu nos desarmes com 17 a 14 e também nos passes certos com 368 a 319 - taxa de acerto de 91%. 

Foi mais uma vez o São Paulo que Rogério tem colocado em campo. Um time que domina maior parte do jogo e se move constantemente para criar oportunidades. Porém, tem falhado demais atrás. O que custou um ponto contra um Corinthians extremamente organizado, que compensa em seu modelo de jogo os desequilíbrios do elenco. Empate justo em um jogo de propostas definidas e executadas, cada uma de seu jeito. 

Dados estatísticos: Footstats.net.
Panorama do segundo tempo no Morumbi - Reprodução: Tactical Pad. 

Com intensidade e aplicação, Monaco derruba City e prova: é sempre melhor jogar

Aconteceu com o PSG na última semana e com o Sevilla em Leicester, os favoritos de seus confrontos pelo contexto. Aconteceu com o poderoso Manchester City de Pep Guardiola, em um jogo mais aberto é bem verdade. Porque as grandes noites de Champions League costumam ser implacáveis com quem aposta menos do que tudo na partida - o que pode ser uma postura covarde como a do Paris ou uma sonolenta como foi com espanhóis e ingleses. 

Leonardo Jardim ordenou pressão alta, intensa e incessante para roubar a bola perto do gol desde o minuto inicial. Mas, não afrouxou em outros setores. Onde havia um jogador do City com a posse, havia alguém ou alguns do Monaco fechando as linhas de passe, induzindo ao erro e tentando tomar a pelota de volta. 
Monaco pressionando o setor da bola - Reprodução: FS1
Com a posse, transição em alta velocidade! Bernardo Silva e Lemar fechando do lado para dentro e abrindo espaço para o apoio dos laterais, Germain - substituto de Falcão - e o ótimo Mbappé móveis no ataque e Fabinho conduzindo tudo de trás. Volume e chances empilhadas. Fosse na roubada de bola ou a partir da armação das jogadas. City assustado, sem sequência de jogo.  

Como nos gols do ótimo Mbappé e do multifuncional Fabinho. Em um primeiro tempo de domínio total do franceses. Mais intensos, mais variantes, mais rápidos e únicos em finalizações: seis a zero. O City de linhas baixas não conseguiu sair, triangular e agredir, ficou preso. Sofreu com o impeto do Monaco, mas poderia mais, igualando no minimo o anímico. Dava a impressão de estar cansado, amarrado. 
As linhas baixas do City na saída do Monaco - Reprodução: FS1
O sacode de Guardiola funcionou na volta do intervalo. Sem mexer nas peças, mas mudando o impeto, o City avançou as linhas, empurrou o Monaco para trás e começou a criar oportunidades. Sané e Sterling mais ativos pelos lados foram a chave do gol que dava a classificação. Finalização do inglês, defesa do goleiro e gol do alemão tudo pelas beiradas. A altura em que as estatísticas mostravam seis a um para os citizens em arremates - na etapa final. Melhora significativa. 

Com confronto mais equilibrado, o City sofreu pelo primeiro tempo completamente inerte, sofreu pelo todo, pelo contexto. Sete minutos separaram a euforia da queda, quando a bola cruzada área encontrou Bakayoko livre. Em outro erro de marcação do péssimo sistema defensivo do Manchester de Guardiola. Tônica nos dois jogos das oitavas e em boa parte da temporada.   

Havia pouco tempo para um desespero que pudesse acarretar em uma reação. Mais improvável ainda por todo o cenário. Mesmo com uma etapa final abaixo da inicial, o Monaco provou: é sempre melhor jogar do que especular. O sonolento e inerte City foi castigado pela intensidade e a aplicação francesa. 

A queda deve servir como reflexão para Guardiola e será fundamental na montagem do próximo elenco, cheio de debilidades. É sempre uma pena ver um técnico de primeira linha caindo tão cedo na Champions, na mesma linha que é ótimo ver o Monaco dos jovens - jogadores e técnico - seguindo. 

Dados estatísticos: UEFA.com

A coragem catalã e a covardia parisiense na tarde em que futebol reafirmou seu tamanho

Coragem é a grande palavra da classificação do Barcelona contra o PSG no Camp Nou, em uma tarde emocionante, que mostrou a força do imponderável no futebol. Coragem de se abrir em busca do resultado, coragem para acreditar quando tudo parecia possível e a vaga que se aproximou em um determinado momento, ficar distante. Coragem para escrever um dos maiores capítulos da história desse esporte apaixonante, que reafirmou seu tamanho na Catalunha, berço do melhor jeito de se praticar futebol na última década. 


Coragem de Luís Enrique, que há algumas rodadas na Espanha tem testado um 3-4-3, tentando diminuir a evidente dependência do genial trio de ataque. Nele, Neymar virou "ala", assim como Rafinha, que ganhou a vaga de Sergi Roberto, Messi se tornou um homem mais ao centro depois de duas temporadas como um ponta legítimo e Umtiti apareceu num trio de zaga no lugar do muito importante ofensivamente Jordi Alba. Algumas escolhas que até parecem loucura em um primeiro plano, que mas que eram importantes para empurrar os franceses para trás. 

Os primeiros minutos foram como o esperado: linhas avançadas, movimentação para gerir a posse e infiltrar, com muita pressão nos poucos momentos de bola perdida. Domínio total do campo ofensivo. Porque o PSG de Unai Emery compactou como deveria, mas diferente do previsto, esperou o Barça em seu campo. Num 4-1-4-1 que teve Lucas pela direita na vaga de Di María e Thiago Silva de volta a defesa no lugar do ótimo Kimpembe. Uma estratégia que poucas vezes funcionou em grandes noites de Champions. Porque o combate entre gigantes é quase sempre a melhor defesa. 

Provavelmente, subir as linhas e tentar um duelo franco nos primeiros minutos, pressionando alto, dividindo posse e diminuindo o ímpeto dos desesperados catalães, fosse mais correto, como era esperado. 

Os parisienses ficaram atrás e encurralados desde os primeiros segundos, deixando claro que gol inaugural era questão de tempo... E ele veio em muito pouco. Antes mesmo do segundo minuto de partida, Luis Suárez aproveitou a hesitação de Kevin Trapp e da defesa confusa e tensa para abrir o marcador. O susto durou por mais 15 ou 20 minutos, até o PSG conseguir ganhar campo com algumas bolas rifadas que encontravam Cavani e reter, mesmo que minimamente, a posse. Porque de trás, a transição com Verratti e Matuidi não existia e a saída com Rabiot era engolida pela superioridade numérica do Barça com quatro por dentro, saindo com Pique e contando com a projeção de Busquets. 
Reprodução: TV Globo.
Aos poucos o ímpeto catalão diminuiu de forma até que natural, até Kurzawa completar outra lambança do setor defensivo e mandar o Barça para o intervalo com a metade da missão cumprida e um plus gigantesco do ponto de vista anímico e mental. 

O Paris seguia sem existir no jogo, mal planejado e executado, dissolvido emocionalmente se tornou um time de uma postura covarde. Retraído como quem esperava pela sorte do relógio acelerar e o fim do jogo chegar ou uma possível imprecisão de um Barcelona faminto, que não precisou se desesperar. 

Em um dos únicos apoios de Meunier, a bola na trave de Cavani mostrou que o jogo poderia ser outro com uma postura mais arrojada e que os parisienses eram capazes de algo mais interessante na casa catalã. Veio o gol de Messi no discutível pênalti sobre Neymar. E a um gol do objetivo, o Barça se tornou uma geladeira. Tinha tempo, então se acalmou. Nada de aleatoriedade. Bola no pé e paciência para girar em busca da melhor opção de infiltração. Emery tentou mexer: com Di Maria na vaga de Lucas, os franceses cresceram e os espaços enfim foram aproveitados. Como no gol de Cavani, livre na grande área. Há 28 minutos do fim, os três gols de vantagem eram quase que garantia de classificação.
Com linhas baixas e compactas, o PSG ficou retraído por 80% da partida. Reprodução: TV Globo.
O time de Luís Enrique sentiu o golpe. O tempo havia ficado menor e o caminho mais longo. Arda Turan e Sergi Roberto apareceram nos lugares de Iniesta e Rafinha, já sem brilho no jogo. André Gomes entrou por Rakitic em busca de oxigênio ofensivo. Depois de alguns minutos sem qualquer oportunidade clara e um controle que parecia ser do PSG, que pôde diminuiu mais e até empatar com Cavani e Di Maria, Neymar recortou as distâncias em cobrança de falta e tomou para si o protagonismo da partida em sua reta final e decisiva. 

Restavam dois minutos mais os cinco de acréscimos e o pênalti inexistente de Meunier em Suárez, deu a Neymar e ao Barcelona a chance do último suspiro. E como num roteiro perfeito, a bola que 90% dos atacantes chutaria ou cruzaria sem direção, o brasileiro colocou nos pés de Sergi Roberto. Como Jordan, Federer, Manning ou Messi... Um arco perfeito para a flecha da classificação. O elemento surpresa do abafa catalão. O sempre improvável herói, de uma das maiores reviravoltas da história desse esporte. Que manteve êxtase e estado de choque aos que acompanhavam o feito pelas horas seguintes. Incredulidade máxima. 

O Paris pode sim reclamar de um pênalti duvidoso e outro inexistente, mas jamais poderá esquecer da sua atuação covarde. Um time completamente retraído e assustado com a grandeza do que defendia. Traçou uma estratégia mal planejada e executada. Não resistiu ao coração que pulsou mais do que o talento e a coragem de um Barça que ajudou a reafirmar o tamanho do futebol.

Esportes são os outros.

Reativo, Fluminense controla um Flamengo sem ideias, mas só vence nos pênaltis

A promessa de um jogo interessantíssimo na final da Taça Guanabara não demorou para se cumprir. Em menos de dez minutos, o Fluminense já havia aberto o placar um em letal contra-ataque, que teve como plus o desconcertante drible de Wellington Silva em Pará antes da conclusão, e o Flamengo já havia vazado a defesa de Abel pela primeira vez no estadual, após na indecisão entre o goleiro e a zaga que terminou no tento de Arão. 

Começo eletrizante que se estendeu por todo o primeiro tempo. Embate muito movimentado, mas longe de ser um jogaço apenas pelo largo placar e as emoções. Foram muitos erros de lado a lado, até naturais em propostas bem desenhadas, mas que ainda não podem deixar tudo. As falhas também foram a cara do jogo no Estádio Nilton Santos.

Como na virada do Flamengo com Everton no lance em que a defesa parou e viu Guerrero cabecear. Ou como na ruína que se tornou o setor defensivo Flamengo no lance do gol de Lucas, já após o empate de Henrique Dourado cobrando pênalti.
Fluminense postado em um 4-1-4-1 - Reprodução: SporTV
Fluminense mais reativo em um 4-1-4-1. Time compacto, próximo para defender, mas que não abdicou de atacar com boas triangulações e velocidade na transição com Wellington e Richarlison abertos, sem o lesionado Scarpa. Doglas deu lugar a Pierre e Orejuela foi jogar próximo a Sornoza. O armador moderno, que sai da linha de quatro para centralizar e conduzir o time, trabalha com passe, inversão e arremate. O venezuelano erá muito útil para o Fluminense que mistura ideias e joga de uma forma bastante moderna.
Triangulações do Fluminense - Reprodução: SporTV
O que não é diferente no Flamengo, mas que não funcionou para o time de Zé Ricardo na grande decisão. Os rubro negros conseguiram repetir pouco as triangulações, os apoios com posse e a pressão sem bola vista na última temporada e nas melhores atuações. Na transição defensiva, Mancuello e Everton deixaram a desejar e Trauco e Pará sentiram o poder da velocidade tricolor pelos lados. Espaços. 

Em tarde ruim de seus extremos e sem o brilho de Arão, preocupado com a marcação ao lado de Rômulo, Diego ficou solitário na armação dos lances. E a solução acabou aparecendo na bola cruzada na área.
Panorama do primeiro tempo da decisão - Reprodução: Tactical Pad.
Algo ainda mais presente na etapa final, quando Abel Braga segurou seu time, compactando e buscando controle da partida. Legítimo e inteligente com a vantagem no placar e a evidente "vantagem tática". Zé Ricardo foi pra aleatoriedade: FelipeVizeu para acompanhar Guerrero, com Gabriel e Berrio abertos. Diego veio trabalhar ainda mais atrás e como no primeiro tempo, ficou sozinho. Sem aproximação, não pôde triangular. Sobrava arriscar ou lançar. 
Flamengo sem a possibilidade de triangular - Reprodução: SporTV
No Flu, as entradas de Marcos Júnior, Marquinho e Calazans trouxeram um novo fôlego para marcar. O gol de Guerrero que decretou os pênaltis não veio de abafa, nem de pressão ou tão menos de bola alta. A linda cobrança de falta do cada vez mais completo atacante peruano salvou a tarde sem brilho, ou melhor: sem ideias do Flamengo. 

Dos pés de Rever e Rafael Vaz, o Fluminense viu a Taça Guanabara ficar pelo chute de Wellington Silva. Convertido como o gol do terceiro minuto de jogo, só que do lado oposto do Nilton Santos cheio com duas torcidas. 

Depois de um ano as escuras, o Fluminense recupera protagonismo e levanta o primeiro caneco, por mais simbólico que seja, entre os grandes brasileiros. A melhor notícia é que o time de Abel Braga tem um plano de jogo definido e é bem moderno, aproveitando o melhor de cada peça. A derrota do Flamengo não apaga a brilhante campanha e o belo trabalho de Zé Ricardo. Na verdade, as vésperas da estreia na Libertadores, a queda se apresenta como possibilidade de ajustes.
Panorama do segundo tempo - Reprodução: Tactical Pad.